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quarta-feira, 4 de junho de 2025
terça-feira, 10 de maio de 2022
Som no Rib Bruto
Márcio Mariano, conhecido na cidade por seu repertório eclético, passando do pop rock ao sertanejo, marca presença as sexta feiras para tocar no Rib Bruto. Esse ponto de entretenimento fica no "beco" do "Shopping Velho".
O empresário Alex fechou a parceria com Marcio Mariano que agora tem data marcada na casa. O artista começa seus shows no Rib Bruto, todas as sextas a partir das 21:00, mostrando um repertório variado.
Isso combina com as diversas opções gastronômicas, que passam pelos chopps gelados, milkshakes e hamburgueres artesanais. Sem contar os quitutes e porções.
Você encontra os shows e esse cardápio seleto na Avenida República, 655 (Box 21), no Centro, em Santa Isabel. Em frente a Drogaria São Paulo.
SEXTOU com estilo no Rib Bruto! Jornal da Liberdade de Santa Isabel. Santa Isabel. Abril de 2022. p. 7
sexta-feira, 28 de janeiro de 2022
A história do Sêu Nico por Bruno Martins
"Sêu Nico é um andarilho noturno que escolheu as madrugadas para plantar flores pelas ruas de Santa Isabel, e faz isso há mais de um ano
O dia ainda está longe de amanhecer e Sêu Nico sai de sua casa a peregrinar pelas ruas de Santa Isabel. No caminho que faz todas as madrugadas vai de lixeira em lixeira recolhendo pedaços de móveis, brinquedos abandonados, além de outros materiais recicláveis. Nico tomou para si a missão de dar um destino a esses objetos, sem vende-los transforma o que pode em vasos de flores, um jeito de plantar vida em objetos que se tornaram obsoletos.
Sêu Nico é na verdade Maximínio de Camargo. Por ironia do destino, o andarilho das madrugadas isabelenses tem o mesmo nome de uma das ruas da cidade. Há poucos metros da sua casa, que fica no numeral 1.090 da Avenida Prefeito João Pires Filho, está a Rua Maximínio Antônio de Camargo. O homenageado que dá nome a via, era avô de Sêu Nico.
A casa onde mora é a herança que recebeu com a morte dos pais. Para lá ele leva todas as sobras que recolhe da cidade e em seu quintal há um vasto jardim com várias espécies de flores, além de pés de fruta. Malva, Antúrio, Cravos, Comigo Ninguém Pode, Bromélias, Lírios da Paz, Orquídeas e outras espécies existem no jardim que poucos têm o prazer de apreciar.
Se ninguém vai ao jardim de Sêu Nico, ele leva um pedaço do jardim às pessoas. Poucos veem, mas quando sai a perambular pelas ruas durante as madrugadas, Maximínio amarra mudas de orquídeas por algumas árvores da cidade. Já amarrou orquídeas nas praças da Bandeira e Fernando Lopes e também nas árvores que margeiam a Rod. Prefeito João Pires Filho. Usando na cintura apenas uma faca velha de cozinha, cujo cabo está quebrado, Nico plantou com as próprias mãos a maioria dos antúrios que enfeitam a Praça da Bandeira: “Certa vez um morador me perguntou por que que eu tinha este zelo pela cidade. Se eu nasci aqui e ela me abriga até hoje, é minha obrigação cuidar dela”, diz.
Se engana quem acha que ele usa os horários do dia para descansar, nas manhãs e tardes cuida de seu jardim plantando novas mudas em restos de copos, garrafas pets e até monitores de computadores que recolhe do lixo. Uma de suas distrações é cuidar do pastor alemão que ele ainda não deu nome, mas que um dia foi de seu sobrinho, única companhia que compartilha em seu isolamento imposto pela surdez, fruto de uma doença de infância. Outra coisa que faz e se diverte sozinho é brincar de acertar o alvo, após dar precisos seis longos passos ele arremessa sua faca velha em direção a latinha de cerveja que deixa em cima de um latão velho, cheio de furos causado pelos seus arremessos sem sucesso.
Após ter sarampo aos sete anos de idade, Nico adquiriu uma deficiência auditiva que o passar dos anos só piorou. Hoje aos 71, sua audição só consegue captar aquilo que lhe é falado alto, bem próximo aos ouvidos. Em dias de chuva o som que escuta é zero, mas para ele o silêncio é o melhor companheiro de todos os dias. Não tem filhos e garante que nunca casou. Esculpido em sua humildade responde o que consegue ouvir com uma voz baixa e serena, que não se exalta jamais.
Hoje aposentado Sêu Nico dedicou parte de sua vida a trabalhar nas empresas da cidade. Em 1969 foi funcionário da Pedreira de Santa Isabel e de lá saiu uma semana antes do setor de ferradura, onde trabalhava, explodir matando seus ex-colegas de trabalho. Durante dois anos trabalhou como servente na Santa Casa de Misericórdia e durante 17 anos trabalhou na empresa Paramount Têxteis. No meio de cinco irmãos, alguns deles já falecidos, Maximínio foi o único que adquiriu paixão assídua pelas plantas, na infância foi morar e trabalhar com os pais na fazenda da família Cianflone e lá cuidava do jardim.
Em sua casa há poucos móveis, apenas um rádio que surpreende quem o visita. Em um balcão que separa a cozinha da sala um porta-retrato empoeirado traz a imagem de um Nico jovem com uma de suas sobrinhas no colo, num típico dia de família: “Hoje ela é uma mulher adulta muito bonita”, diz o Tio orgulhoso.
O homem que escolheu cuidar da cidade onde nasceu enquanto a maioria dos moradores dela dormem, consegue desta forma dar valor a si mesmo e ao seu trabalho. Assim como o avô imortalizado no nome de uma rua, Maximínio consegue se eternizar plantando flores pela cidade.
Matéria originalmente publicada na Ed. 1.060 do Jornal Ouvidor."
quarta-feira, 15 de setembro de 2021
A catira
A catira tem uma origem muito discutida. Alguns dizem que ela veio da África junto com os negros, outros acham que é de origem espanhola, enquanto estudiosos afirmam que ela é uma mistura com origens africana, espanhola e também portuguesa - já que a viola se originou em Portugal, de onde nos foi trazida pelos jesuítas.
A dança da catira é considerada a mais antiga manifestação da cultura caipira. Como dito, as versões sobre a origem do catira são muitas; a mais aceita é de que a catira é uma hibridização ocorrida entre os europeus e os índios nativos, remontando nos tempos da catequese, quando os jesuítas associavam as danças indígenas ao som da viola, de origem portuguesa, que aperfeiçoada, viera a formar a nossa afamada viola caipira para promover a pacificação e integração do índio através do entretenimento. Mas não nos esqueçamos que muitas vezes isso ocorria de forma violenta.
O catira era conhecido pelos indígenas como cateretê, que no tupi significaria algo como "dança religiosa".
Apesar de serem figuras violentas, os bandeirantes podem ser tratados como os primeiros caipiras do Brasil. E uma das bandeiras levantadas foi a expansão do território brasileiro. Com o contato deles, indígenas e jesuítas, o estilo foi difundido pela antiga Paulistânia (cultura, língua e tradições com origens em comum, que compõem o estado de São Paulo, parte dos estados de Minas Gerais, Mato Grosso, Goías e Paraná). Tudo isso, não só através deles, mas também com boiadeiros e tropeiros.
Pois em seus lugares de repouso e descanso, era costumeiro praticar a dança.
Os ritmos mais antigos dela são o recortado e a moda de viola:
O catira era conhecido pelos indígenas como cateretê, que no tupi significaria algo como "dança religiosa".
Apesar de serem figuras violentas, os bandeirantes podem ser tratados como os primeiros caipiras do Brasil. E uma das bandeiras levantadas foi a expansão do território brasileiro. Com o contato deles, indígenas e jesuítas, o estilo foi difundido pela antiga Paulistânia (cultura, língua e tradições com origens em comum, que compõem o estado de São Paulo, parte dos estados de Minas Gerais, Mato Grosso, Goías e Paraná). Tudo isso, não só através deles, mas também com boiadeiros e tropeiros.
Pois em seus lugares de repouso e descanso, era costumeiro praticar a dança.
Os ritmos mais antigos dela são o recortado e a moda de viola:
- o recortado é dançado ao mesmo tempo em que a música toca. Como no caso da música Jogo da Douradinha;
- já no moda de viola é dançado apenas entre os intervalos de uma parte da música para outra. Como em Peão de Tanabi.
Tião Carreiro popularizou o ritmo do pagode, que é mais frenético e que mistura o recortado e a moda de viola na dança.
Vieira e Vieirinha são tratados como os "reis da catira", popularizando essa dança.
Vieira e Vieirinha são tratados como os "reis da catira", popularizando essa dança.
A dança catira não se limita apenas em bater palma e sapatear, constituindo-se num estilo de vida de quem está dançando. Naquele momento o dançador se esquece de coisas ruins, trazendo assim muita alegria e descontração, além da dança servir também como identidade familiar para os integrantes do grupo.
domingo, 5 de agosto de 2018
Tribos urbanas
O que elas são? Para o estudo de sociologia, esse fenômeno se
constitui em grupos e redes de amigos que se formam por um interesse em comum.
Isso deve a diversas redes, alguns grupos de afinidades, laços de vizinhança em
grandes cidades.
Quando pessoas, principalmente jovens e adolescentes, formam
grupos, que apresentam uma linha de pensamentos parecidos, com gostos, estilos
musicais, maneiras de vestir, ideais e ideologias políticas semelhantes,
podemos considerar a formação das tribos urbanas, e podemos facilmente
encontra-las nos grandes centros urbanos.
Elas são abertas são instáveis e “abertas”. Por isso uma
pessoa que entra em um desses grupos, pode deixar ele se assim o quiser. Mesmo
assim, quase sempre estão envoltos e códigos e normas próprias. Alimentando
além de um elemento de exclusividade dentro de seu grupo, um sentimento de
“responsabilidade” com algum “bem maior”.
Existem diversas tribos urbanas pelo mundo. Entre elas:
·
Hooligans (torcidas organizadas);
·
Hippies;
·
Punks;
·
Góticos;
·
Skinheads;
·
Rastas (rastafári);
·
Grunges;
·
Drag queens;
·
Clubbers / New ravers;
·
Emos;
·
Headbangers;
·
Indies / Hipsters;
Muitos grupos extremamente diferentes em suas atitudes, mais
com necessidades únicas que fazem se unir em grupos únicos nos grandes centros
urbanos. Mas com uma coisa em comum: a crítica social. Quase sempre
marginalizadas pelas cidades, essas tribos urbanas têm seu próprio modo de
serem escutadas.
Adiante escrevo não somente sobre culturas de tribos urbanas,
mas sobre as de dois grupos igualmente importantes para a cidade: os sertanejos
e nerds. E toda essa sorte de pessoas e gostos podem ser encontradas aqui na
cidade. Tento sua relevância e importância em certas áreas da cidade.
Independentemente de quem irá chamar essas pessoas de posers ou qualquer outra coisa ofensiva,
estamos aqui para analisar algo que faz parte da história e cultura de nossa
cidade. Mesmo que não saibamos, muitas vezes, como.
quarta-feira, 4 de maio de 2016
Cultura sertaneja: as modas caipiras de raiz
A música sertaneja, também conhecida como música caipira, boa parte dessa sonoridade tem como influências as fazendas de café, cana, entre outros e pastos de diversas áreas pecuárias. O termo provém do sertanejo, típico morador das áreas do sertão nordestino. Porém, a música em si deriva dos chamados caipiras (trabalhadores do interior) na região Sul. De qualquer modo há sim uma relação entre o Nordeste e São Paulo, já que em ambos sempre existiram pessoas que trabalhavam com agricultura e pecuária. E as músicas tratavam disso, histórias do povo esforçado e que vive dos frutos da terra.
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| Renato Teixeira |
Uma das bases básicas das músicas sertanejas típicas são viola e violão, cantando em dueto. Mas muitas vezes se alteram com outros instrumentos musicais como a sanfona. Um fato engraçado é que nos primórdios, era mais comum os violeiros fazerem suas próprias violas, ou pedirem isso a um conhecido. Hoje em dia é fácil encontrar nas lojas especializadas um local para o instrumento em um ponto qualquer. Sendo que nem precisam ser produzidas aqui.
Considerado como um verdadeiro herói da música sertaneja, Cornélio Pires em 1929 começou a gravar "causos" (histórias dos sertanejos) e trechos de cantos na época. O que foi criando uma grande vontade no povo de escutar aquelas músicas, tratando do cotidiano do trabalhador mais simples. Ele divulgou de diversas formas a sonoridade.
Com os discos, a música ganhou novos palcos. Como circos. Divulgando até mesmo aqueles que seriam as grandes estrelas dos cantores desse gênero, Tonico e Tinoco. Eles despontaram por todo o país como nunca antes havia acontecido, superando até mesmo Roberto Carlos.
Um dos temas recorrentes nas canções é a temática sertaneja. Isso existe quase sempre nas músicas antigas em que os boiadeiros muitas vezes trilhavam até seu destino, pedindo proteção. Muitas vezes depois eles pagavam promessas ao santo ou santa padroeira, como sinal de boa fé. Canções assim demonstram essa devoção através da simplicidade do homem do campo ou o viajante. Na letra de Romaria, temos uma prece feita por um por um peão que concede sua voz, já que não sabe rezar (supostamente não sabia ler) para demonstrar sua devoção a Nossa Senhora Aparecida. A música foi escrita por Renato Teixeira, e ficou famosa na voz de Elis Regina.
Entre os grandes nomes com esse ritmo são Tião Carreiro & Pardinho, Inizeta Barroso, Leo Canhoto & Robertinho, Liu & Léo, Pena Branca & Xavantinho, Trio Parada Dura, Milionário & José Rico, Iridio & Irineu, Nalva Aguiar, João Mulato & Douradinho, Pedro Bento & Zé da Estrada... Tantos nomes que demoraria bem mais tempo aqui escrevendo alguns só da área de SP. Além de Almir Sater que elevou a moda de viola a um novo nível, assim como Renato Teixeira, Rolando Boldrim e Sérgio Reis. Devem estar se perguntando por que não coloquei ainda nomes como Chitãozinho & Xororó, Zezé Di Camargo & Luciano, João Paulo & Daniel, Leandro & Leonardo, entre outros. Na verdade, esses também foram influenciados pelo som caipira de raiz, mas depois tiveram outras fontes para absorver. Como o country americano, onde temos um ritmo mais dançante. Talvez, por isso surgiu o dito sertanejo universitário.
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| Almir Sater |
Hoje em dia, a música sertaneja tomou uma divisão completamente diferente. Para o que chamamos entre sertanejo de raiz e sertanejo universitário. Além dos grandes shows feitos com relação a essa segunda, um dos maiores fatores para a primeira não ter tantos fãs é migração das pessoas para os grandes centros urbanos. Lembrando: as músicas caipiras contavam o cotidiano do povo trabalhador. Não somente paqueras ou desilusão, e sim casos com maior importância.
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| Mazzaropi |
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| Inezita Barroso |
Ainda assim em certas cidades ainda existem pessoas que tentam preservar as memórias desse estilo de vida e música. Como as rodas de viola.
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