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quarta-feira, 7 de maio de 2025

Figuras Notáveis de Santa Isabel: Aparício Alves Gonçalves (parte 2) (cotidiano)

Em casa, com os filhos, não era um homem de muitas palavras, educado à moda antiga, com exemplos, não com palavras. Amava a família, procurava dar a ela todo o conforto que podia e com sacrifício, numa época onde a escola era para pouco, fez seus cinco filhos estudarem e conseguirem um diploma. Como não falava muito, não "paparicava" os filhos, quando ficava bravo, mas dizia um "hei!" que todos conheciam e obedeciam. Quando tinha pessoa diferente na casa, com um simples olhar, mas significativo para seus rebentos, mostrava que a conduta deles estava errada. Só chegou a dar surras em seu filho mais velho, Luizinho, mas nas filhas nunca.
Nos finais de semana saia para caçar. Tentou influenciar o filho Luizinho nesse hobby, mas jamais conseguiu o fazer. As meninas poderiam o acompanhar, desde que fossem de verde. Enquanto ele "piava" ou esperava a caça. Era caçador conhecido em toda a região e orgulho de sua espingarda belga e de sua coleção de pios.
Gostava de ler e de música. Tocava violão e tinha imenso prazer quando seus filhos cantavam com ele. Os rebentos aprenderam diversas músicas de seu tempo e ele quem ensinou a filha, Beneditinha, violão.
Como filho, sua dedicação, principalmente pela mãe e pela irmã foi exemplar. Vindo de uma família com muitos problemas, nunca deixou de dar sua colaboração e seu amor a seus pais e irmã. Para os irmãos, era sempre um exemplo de vida: foi a vida toda o elemento de conciliação na sua família.
Quando se aposentou gostava de ficar no "murinho" de casa, vendo as pessoas passarem e puxando um dedo de prosa, fazendo brincadeiras e com elas "cutucando" à sua moda, muita gente.
-Esse texto foi escrito por Beneditinha, sua filha, para o livro de Virgílio Frúgoli, Marcas do Passado, em 10 de Dezembro de 1998

quarta-feira, 23 de abril de 2025

Figuras Notáveis de Santa Isabel: Aparício Alves Gonçalves (parte 1) (vida e morte)

Nasceu em Igaratá em 5 de Agosto de 1908, filho de Juvenal Alves Cardoso e Izaura Alves Gonçalves.
De família muito simples e vivendo em dificuldades econômicas, trabalhava na infância com outros irmãos na lavoura, tendo estudado até o quarto ano primário, na cidade onde nasceu. Ainda muito jovem mudou-se com a família para Jacareí e ai trabalho numa fábrica; nas horas vagas ajudava a descarregar tropas e foi fazendo esse trabalho em descarregar pesos muitas vezes excessivo demais para um jovem que teve um problema na coluna cervical, não diagnosticado na ocasião por falta de recursos, mas que depois foi visto se tratar de uma lesão, que o deixou depois de muito sofrer com fortíssimas dores, com deficiência no andar e outras sequelas, pelo resto da vida. A partir desse episódio, não tinha mais condições de trabalhar na fábrica, muito menos na lavoura.
Voltou para Igaratá. Apesar de ter frequentado a escola apenas quatro anos, como era muito inteligente e tinha interesse em aprender, foi se destacando nos serviços burocráticos principalmente na prefeitura local, sendo posteriormente nomeado como Secretário da Prefeitura Municipal de Igaratá, em Janeiro de 1928. Em 21 de Março de 1934, pelo decreto 6.448 foi extinto o referido município e então ele foi reaproveitado pela Prefeitura Municipal de Santa Isabel, na ocasião da gestão do Prefeito Francisco Beraldo. Trabalhou ai, até ser admitido na Caixa Econômica Estadual em 29 de Maio de 1946. Quando deixou a prefeitura, o Departamento das Municipalidade do Estado, em ofício de número 2.971, se referindo a ele diz: Agradeço a Vossa Senhoria os serviços prestados com assiduidade, devotamento ao trabalho e capacidade, o que deverá ficar consignado na sua fé de ofício.
Na Caixa Econômica, agência de Santa Isabel, ficou como gerente, até se aposentar em seguida, em 12 de Novembro de 1962 foi chamado pelo Banco Moreira Salles para a gerência da nova agência que abririam aqui. Trabalhou ali, até se aposentar, por invalidez, a partir de 1 de Novembro de 1974. Morreu em 22 de Agosto de 1983.