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sábado, 18 de novembro de 2023

Causos de Santa Isabel: Padre assassinado que virou santo popular

O pároco Wagner Rodolfo da Silva foi encontrado morto e decapitado em uma estrada da zona rural do município isabelense no dia 25 de Setembro de 2003. Vinte anos após o crime bárbaro que chocou a região que chocou a região, o religioso continuou nas orações dos católicos, especialmente no Município de São José dos Campos, cidade onde atuava e foi sepultado.
Devido a forte relação que mantinha com a população de São José somada a trágica morte em Santa Isabel, as pessoas começaram a fazer preces ao sacerdote e logo as graças alcançadas começaram a se espalhar entre as pessoas. Por essa razão os fiéis o "santificaram".
Familiares do sacerdote narraram a aproximação do padre com os fiéis, que fazia questão em visitar as pessoas em suas casas e devido a isso, os católicos se sentiram mais próximo do pároco.
Há exatos 20 anos, em 25 de setembro de 2003, a polícia localizou o corpo de um homem em uma estrada vicinal, localizada na zona rural de Santa Isabel. O corpo era de Wagner Rodolfo da Silva, de 35 anos, pároco da Paróquia de São Benedito, de São José dos Campos, no Vale do Paraíba.
A notícia do desaparecimento do religioso chegou à diocese que acionou a polícia. O padre já estava sendo procurado desde a noite do dia 23 de Setembro daquele ano. Além dele, a PM procurava também Manoel Serafim de Lima, vigário da mesma paróquia.
Na época, as investigações da polícia civil apontaram que cinco homens participaram do assassinato e morte do Padre Wagner, além da tentativa do homicídio do vigário, que foi esfaqueado, mas sobreviveu.
Michel Jucá de Brito, que na ocasião do crime tinha dezoito anos, foi preso dias depois do crime, acusado pela morte de Wagner. Na época ele foi preso e identificado em sua casa no bairro Igarapés, em Jacareí. Na residência, os policiais encontraram objetos que haviam sido roubados da casa paroquial, além de roupas usadas no dia da morte do padre. A polícia civil registrou o caso como latrocínio, ou seja, roubo seguido de morte e concluiu que a ação foi planejada por cinco pessoas, que além de roubar a casa paroquial, queriam sacar dinheiro de caixas eletrônicos. Outros quatro homens foram presos dias depois.
Chamado de Santo Popular por católicos, o mausoléu de padre Wagner, situado em São José dos Campos é um dos mais visitados do cemitério.

PADRE assassinado em Santa Isabel há 20 anos virou 'Santo Popular'. Jornal Bom Dia. Santa Isabel. 7 de Outubro de 2023. p. 3.

sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

Quando o Popó foi notícia por estar morando em um túmulo

Conheço esse camarada em especial dos shows em Santa Isabel. As vezes com porrete, as vezes com uma boina. Acho que um dia ele ainda vai virar lenda da cidade. Esse texto é uma reportagem de um portal de notícias sobre o Popó.

"Fábio Beraldo Rigol, de 47 anos, mora – e divide espaço com um cadáver – em um túmulo do cemitério de Brotas, bairro de Santa Isabel (SP). Não mora ali porque cultiva um gosto duvidoso ou qualquer coisa do gênero. Virou andarilho por causa do uso de drogas e achou, no túmulo de um amigo, um abrigo contra o frio e a chuva, quando os dias de vivência na rua se tornam mais sofridos.
Sua estrutura física dá indícios da alimentação irregular. É magro, alto, calvo, repleto de tatuagens – entre elas uma teia de aranha no pescoço e o apelido “Popó” entre os dedos da mão esquerda – sem falar na barba relativamente grande. Usa roupas sujas (de terra, a propósito), surradas e que foram doadas por alguma “alma boa e generosa”, como descreve. Caminha pelos morros do cemitério com a ajuda de um pedaço de madeira, que encontrou ali mesmo, no chão. E mesmo sem pegar em um livro ou manter conversas que durem mais de 10 minutos com uma pessoa viva há anos, fala o Português de maneira impecável. Herança do que aprendeu em sala de aula, na 7º série, quando se formou e dos dizeres rebuscados dos  processos que acompanhava enquanto era despachante.
Popó, como é conhecido, mora em um túmulo em Santa Isabel há 13 anos (Foto: Jamile Santana/G1)
E apesar de todas as características peculiares, Popó é praticamente um fantasma. Mora na pacata cidade de Santa Isabel, que tem 50.453 habitantes, fica a 57 quilômetros da Capital e possui 11.955 domicílios, segundo o Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O que os dados não mostram é que um habitante mora numa residência nada convencional para alguém vivo: um túmulo. Mas Fábio Beraldo Rigol, está vivo.
A vida na rua começou com uma briga de família. “Nasci em Santa Isabel, tenho família na cidade. Eu era despachante, tinha um escritório que faliu. Comecei a usar drogas e fui expulso de casa, ai fiquei perambulando pelas ruas, até chegar aqui.”
Parece ironia, mas, Popó encontrou na casa dos mortos, uma forma de manter-se vivo. “Já estava de noite, chovendo muito. Lembro de pouca coisa, mas quando acordei, já estava aqui”. Escolheu um túmulo grande. Tem espaço para seis sepultamentos, mas só uma das prateleiras foi usada. Um amigo de Popó está enterrado no local há mais de dez anos. “Pedi permissão para entrar, afinal, ninguém invade a casa do outro assim”. E o morador do cemitério fala um ditado popular com conhecimento de causa: “Não tenho medo dos mortos, só dos vivos”, afirma. O homem disse nunca ter visto um fantasma e confessou que se sente um pouco solitário, apesar de ser avesso à conduta sociável.
Não passa o dia todo no cemitério. Nem mesmo os espíritos mais calmos aguentariam tamanho silêncio, ele diz. “Durante o dia saio, vou até o centro da cidade conseguir comida. Só em dias de muita chuva que fico recolhido. Sempre alguém me doa algo, Deus não deixa ninguém morrer de fome”, considera.  Toma banho em abrigos, ganha roupas, comida e vai tocando. “Às vezes saio para usar droga, ainda sou viciado. Mas uso lá fora, dentro de casa não. Eu sei que é errado, mas estou vivo né? (sic). Acho que posso pecar”, considera.
E o homem que conhece o cemitério como a palma da mão, já testemunhou vários conhecidos sendo enterrados. “Não gosto de ver. Prefiro lembrar das pessoas que gosto vivas e felizes”, diz Popó.
Outra ironia: o homem que não se importa em dormir dividindo um espaço escuro e sombrio com um cadáver, não pode ver sangue que desmaia. “Passo mal mesmo. Outro dia eu tive que ir até o hospital, fiquei internado três dias e, nossa, não aguentava ver nem um pingo de sangue que saía da agulha”, comentou.
E apesar de ter chegado na frente no repouso final de todo ser humano, Popó não pretende permanecer no local até a sua hora. “Quero sair daqui com vida. Quero ter uma casinha, nem que for um quarto com banheiro. Quero voltar a trabalhar se tiver chance. A vida ainda não acabou”, planeja."