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sábado, 3 de janeiro de 2026

Dr. Muniz Barreto, Juiz de Direito, criador da Santa Casa de Santa Isabel.

A primeira Santa Casa de Santa Isabel foi construída no limiar do século XIX, início do período republicano, pelo Cel. Bertoldo, ficava na esquina da Av. Campos Salles com a Rua Prudente de Moraes, atual Asilo São Vicente de Paulo, consistia em duas enfermarias, sala de recepção, copa, sala de curativos e dois sanitários. A primeira enfermeira foi a esposa do Cel. Bertoldo, Sra. Filomena da Costa Leite Ferreira da Silva que fez estágio na Santa Casa de São Paulo. 
Mais tarde, em 1950, o saudoso prefeito Joaquim Simão iniciou as obras da atual Santa Casa de Santa Isabel, sendo certo que o ex-prefeito João Pires Filho a concluiu e inaugurou-a trazendo para administra-la as Irmãs Franciscanas Missionárias do Coração Imaculado de Maria, da cidade de Amparo.
As religiosas administraram o Hospital Ana Cintra de Amparo e hospitais de Aguas de Lindoia, Monte Alegre do Sul e Serra Negra.
O que poucos sabem, é que o idealizador desse hospital foi o Dr. Mauro Boaventura Muniz Barreto, Juiz de Direito desta Comarca, que por cinco anos praticou a judicatura em nossa cidade.
O Dr. Muniz Barreto residia num sobrado na Avenida da Republica, que sensibilizado com a saúde de Santa Isabel, resolveu promover uma reunião para discutir a fundação de uma Santa Casa de Misericórdia, onde pudesse atender a urgência, sobretudo da população carente.
Foi assim que no dia 04 de Setembro de 1949, o magistrado promoveu um encontro para discutir o assunto.
Os salões da Câmara Municipal foi o palco escolhido para o debate, assim narraram o Jornal de Notícias  e o Correio Paulistano do dia 13 e 20 de Fevereiro de 1949.
Presentes o Padre José Luiz Correa, comerciantes, lavradores, vereadores, o industrial Guilherme Alfierie, proprietário da Fábrica de Juta, João Soares Bairão, presidente da Câmara Municipal, José Cupertino da Silva, coletor estadual, Ariovaldo Saul, Oficial de Justiça, Saturnino Chiaradia, coletor estadual (cunhado e conterrâneo do jurista Miguel Reale) e o vereador Dario Vieira de Paula. O Dr. Muniz Barreto anunciou o motivo da reunião e foi recebido com aplausos.
A reunião foi exitosa, de tal sorte que o Dr. Muniz Barreto foi escolhido o primeiro provedor da Irmandade da Santa Casa, como vice Guilherme Alfierie, primeiro secretário João Bairão, José Cupertino, segundo secretário, Ariovaldo Saul, primeiro tesoureiro, Saturnino Chiaradia, segundo tesoureiro e Dario Vieira de Paula, adjunto.
É preciso dizer que nessa reunião surgiu a primeira contribuição, o empresário Guilherme Alfierie, proprietário das terras do Parque São Benedito e Vila Guilherme, também tinha uma olaria para atender a sua fábrica, de tal modo que fez a doação da área onde se encontra o hospital e, fez ainda, a doação dos tijolos e telhas para realização da obra.
O Dr. Muniz Barreto assumiu a cadeira de Juiz da nossa Comarca em 20 de Fevereiro de 1945, cinco anos depois foi promovido para a Vara Auxiliar de Feitos da Fazenda Nacional da capital, desse modo, um grupo de advogados, servidores do judiciário, amigos e autoridades locais prepararam uma homenagem ao Dr. Mauro B. Muniz Barreto, pelos relevantes serviços prestados à comunidade local, quer como Juiz quer como benemérito e criador da Santa Casa de Misericórdia de Santa Isabel.
A homenagem foi agendada para o dia 09 de Julho de 1950 no salão do júri. Antes da solenidade foi oferecido aos convidados um almoço preparado pelo “Chef Serrote” na Fazenda de propriedade do advogado, Dr. Deusinho e seu primo, Dr. Délio Freire dos Santos, o local ficava a margem da Rodovia Santa Isabel-Igaratá, Km. 71.
A ágape correu num ambiente de alegria e cordialidade, além do homenageado e sua família, estiveram presentes o Dr. Paulo José da Costa Junior, desembargador do Tribunal de Apelação e Sra. Maria Helena Vilela de Araújo, o Dr. Vercingetorix de Castro Garms (Dr. Vercinho), novo Juiz de Direito da Comarca e Sra. Josefina Vilma de Castro Garms, Dr. João Batista Sampaio e Silva, antigo promotor público da comarca e ofertantes com suas respectivas famílias.
Findo o banquete, às 16 horas, os convidados se dirigiram ao salão do Júri. O desembargador Dr. Paulo Jose da Costa Júnior abriu os trabalhos e convidou para sentar-se à mesa o homenageado Muniz Barreto, o Dr. Alberto Quartim de Moraes Júnior, promotor público em São Paulo, o Prefeito Joaquim Simão e o Presidente da Câmara, João Soares Bairão.
Dentre os convidados presentes, destacaram-se os tribunos: Eduardo Campos Werneck, João Baptista Magalhães e Constâncio Teani, o tabelião João Pires Filho, senhoras e senhoritas da nossa sociedade e de São Paulo.
Em nome dos presentes, discursou o Dr. Eduardo Campos Werneck que enalteceu a função dos juízes no equilíbrio social, passou em revista as grandes qualidades de jurista, magistrado, cidadão e chefe de família que iniciou a sua judicatura em 12 de Maio de 1939 na comarca de Pompeia, depois Bauru e Pederneiras até assumir em Santa Isabel, onde permaneceu por 5 (cinco) anos.
Prosseguindo, o desembargador Dr. Costa Junior anunciou ao homenageado uma surpresa envolto em um tecido de cetim, tratava de um quadro em moldura dourada com o retrato do Dr. Muniz Barreto, em magnífico foto-óleo, trazendo na base um rico cartão de prata contendo dizeres referente a sua passagem pela comarca.
A cobertura foi descerrada pela senhora Barreto e as filhas do homenageado, sob vibrante salva de palmas.
Na sequência, o Dr. Costa Junior abriu a palavra ao Dr. Deusinho que se congratulou com a justa e merecida promoção, augurando em nome dos colegas advogados, e com palavras repassadas de sentimento, despediu-se do homenageado, por sua vez, o Dr. Quartim de Moraes, em nome do fórum, fez entrega ao homenageado de 3 (três) coleções de obras jurídicas.
Em seguida, a Sra. Maria de Lourdes de Almeida Pires entregou-lhe uma cesta de flores, oferta dos servidores da justiça local.
Por fim, em agradecimento, o homenageado discursou sob visível emoção, dissertou das ótimas qualidades de caráter, compreensão e respeito da população de Santa Isabel, da cooperação que sempre encontrou nas pessoas do fórum e nas autoridades administrativas, encarecendo as facilidades que disso decorreram para as funções de Juiz.
No encerramento, o desembargador Dr. Paulo Costa congratulou-se com a promoção do homenageado, felicitou a Comarca de Santa Isabel pela nomeação de seu novo Juiz, Dr. Vercingetorix de Castro Garms (Dr. Vercinho, como era chamado), cujas qualidades o recomendavam sobremaneira para substituir o Dr. Mauro Muniz Barreto, agradeceu a presença de todos e deu por encerrada a sessão de homenagem. 

quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

Dr. Antônio de Castro Freitas: Juiz que levou energia elétrica à Igaratá

O magistrado nasceu em São Luiz do Paraitinga em 1887, filho de Antônio de Lourenço de Freitas e de Maria Diniz de Castro Freitas, era casado com Marieta de Camargo Calazans de Freitas, progênita do comerciante e influente político de Paraibuna, Major João Elias Calazans e Sra. Maria Francisca Calazans.
O eminente juiz deixou São Luiz do Paraitinga aos 16 anos para ganhar a vida na capital e matriculou-se no curso preparatório para ingressar na Faculdade de Direito do Largo São Francisco, o ingresso ocorreu em dezembro de 1903.
A formatura ocorreu em 1907.
Em 20 de Janeiro de 1908, recebeu a nomeação para assumir a Promotoria Pública da cidade de Jambeiro, no Vale do Paraíba.
Numa visita que fez à Paraibuna, conheceu a esposa Marieta Calazans com quem se casou em 1910, o casal teve 11 filhos, cinco homens e seis mulheres.
Em 1913, as filhas Suzana de 2 anos e Hortência de 1 ano foram acometidas da bactéria “Bordetella pertussis”, popularmente conhecida como “tosse comprida” ou coqueluche, uma doença respiratória altamente contagiosa que as levou à óbito, a vacina foi desenvolvida em 1926.
A perda precoce das filhas abateu profundamente o casal, o jovem Promotor, depressivo, solicitou seguidas licenças para tratamento de saúde, até que em 1918, para fugir do ambiente que trazia lembranças das filhas, resolveu permutar a Promotoria de Jambeiro para Cunha com o Dr. Adriano Mendonça, titular daquela cidade.
Em 1922, pediu remoção para a cidade de Itu, tão logo chegou foi convidado a participar de uma comissão para comemorar o primeiro centenário da independência, a celebração se prolongou por três dias.
Após 15 anos de promotoria, buscando novos desafios, o Dr. Antônio de Castro Freitas, foi nomeado Juiz de Direito da comarca de Avaré, dois anos depois, em 1925, procurando aproximar-se dos parentes da esposa em Paraibuna, solicitou remoção para São Sebastião.
Em 27 de abril de 1927, foi removido para substituir o Dr. Norberto Francisco de Oliveira, Juiz de Direito de Santa Isabel, por tal transferência o Dr. Antônio de Castro Freitas enviou ao Secretário de Justiça um ofício de agradecimento.   
O togado encantou-se com a cidade, o clima saudável, a exuberância da flora, a fauna e a hospitalidade, tudo era fascinante, de tal sorte que nas primeiras semanas foi convidado a participar do natalício do tabelião do registro civil e presidente do PRP local, o Sr. Bernardino Nascimento Gonçalves, ao chegar a festa foi recebido pela consorte do aniversariante, a encantadora e virtuosa, Profa. Ana Moutinho Gonçalves, dona de uma beleza singular.
Após a recepção, o Juiz foi convidado pelo Dr. Domingos Castelo Branco, Promotor Público, a proferir uma saudação ao dono da festa. No discurso, ele enalteceu as qualidades do chefe político, do cidadão, do marido e do pai de família exemplar, terminou por agradecer a acolhida e por conhecer pessoas tão amáveis, após as palmas, foi abraçado pelos presentes.
A Banda Musical “Lyra Isabelense” executou inúmeras peças musicais, enquanto os comensais se deliciavam com as iguarias que foram servidas e trocavam conversas.
Na sala de visita, abriu-se um espaço para as contradanças, o Juiz e sua Marieta demonstraram destreza com a dança.
Ao final, as senhoritas Fina, Pequetita, Feia, Carmelina e Brasilisia incumbiram o médico Dr. Marcondes Cesar para falar em nome delas, saudar o aniversariante e o novo Juiz.
Com isso terminou aquela manifestação, sendo o Dr. Castro Freitas, a convite do Sr. Bernardino, acompanhado até a sua residência pelas pessoas presentes.
Com efeito, desde o início da sua passagem pela nossa comarca, o Dr. Castro empenhou-se pessoalmente em levar à Igaratá o benefício da Luz Elétrica, a cidade fazia parte da Comarca e sofria o flagelo da escuridão.
Foi assim que em 08 de setembro de 1928, acompanhado do Promotor de Justiça, Dr. Nestor da Fonseca Barbosa Pinto, do Sr. Firmino da Cunha Lobo, delegado de polícia, Dr. Pedro de Luca, médico, do Padre Américo Endrisi se dirigiram à vizinha Igaratá para a assinatura do contrato com o Sr. José Clau, responsável pelos serviços de instalação da Força e Luz daquela localidade.
A esposa Marieta Calazans, acometida de grave doença, faleceu precocemente em Jacareí, aos 25 de janeiro de 1932, com 42 anos.
O Dr. Castro Freitas permaneceu viúvo e faleceu em São Paulo, 1959, aos 72 anos de idade.