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terça-feira, 5 de maio de 2026

Como surgiu um dos maiores eventos isabelenses?

Não teria surgido em grandes gabinetes nem de decisões políticas grandiosas. Nasceu da inquietação de um homem comum, dono de uma visão incomum.
O ano era 1986. Em um pequeno comércio na Avenida Coronel Bertoldo, nº 57, no início da Variante, começava a ser escrita uma das páginas mais marcantes da história isabelense.
Anos antes, em uma temporada morando em Goiás, Gaspar conheceu de perto os rodeios. Encantou-se com aquele universo de coragem, tradição e espetáculo. O sonho ganhou forma definitiva quando visitou a grandiosa Festa do Peão de Festa do Peão de Barretos. Ali, a ideia deixou de ser admiração e virou propósito.
Mas todo grande sonho precisa de um impulso. Foi José Diniz, o querido Zezito, quem sugeriu que Gaspar realizasse um rodeio no espaço ao lado da loja. A experiência aconteceu por dois anos e mostrou que Santa Isabel estava pronta para algo maior.
Proprietário do City Camping, Gaspar enxergou naquele terreno não apenas um espaço vazio, mas a oportunidade de construir algo capaz de unir a cidade em torno da emoção. E assim, em 1988, Santa Isabel conheceu sua primeira Festa do Peão.
Logo na estreia, um espetáculo inesquecível com show de Chitãozinho & Xororó. A cidade se encantou. Prova do tambor, montarias, cavalgada — tudo era novidade. Tudo era brilho nos olhos.
O sucesso foi imediato. Vieram os anos de crescimento, as arenas lotadas, o orgulho estampado no rosto do povo. Durante pelo menos duas décadas, a festa foi considerada a melhor da região e figurou entre as maiores do Estado. Já não era apenas um evento — era tradição viva, patrimônio afetivo da cidade.
Gaspar não construiu essa história sozinho. Reuniu amigos apaixonados pelas montarias e contou com o apoio de lideranças que acreditaram no projeto. O então prefeito Nenê Simão cedeu o espaço. Zé da Costa colaborou com maquinários para preparar o terreno. Dorival Painha, Zé da Hípica, Joel Batista, João Maia, Izilda Barbosa, José Siqueira Gato Preto ajudaram a erguer cada detalhe dessa construção coletiva.
Com o tempo, surgiram personagens que se tornaram símbolos eternos da festa. Alonso Pimentel eternizou-se como a voz oficial da arena. Zizo, com sua elegância e seus cavalos impecáveis, transformava cada entrada em espetáculo. A família Schweter representava glamour e sofisticação. Capitão Bastos marcava presença imponente. Zé Paraguai, com sua companhia de cavalos, protagonizava cenas épicas na captura dos animais após as montarias.

quarta-feira, 3 de setembro de 2025

Figuras notáveis: Alonso Pimentel

Há mais de 39 anos, Alonso Pimentel desbrava as arenas e torneios de todo o Brasil. Locutor de rodeios premiado, passou por festas de São Paulo a Goiás, Espírito Santo, Mato Grosso, e muitas outras. Por onde passa, deixa a voz inconfundível que, há 38 anos, também acompanha as Festas do Peão de Santa Isabel.
Natural de Ribeirão Preto, Engenheiro Químico de formação pela Universidade São Paulo (USP) e amante da comunicação, Alonso relembra que a apreciação pelo  rodeio sempre esteve presente, mesmo quando não imaginava atuar no ramo. Porém, ele conta que o emprego na cidade de São Paulo foi o que o levou à escolha da vida.
Em 1985, foi encarregado de um serviço em Bebedouro, município do interior de São Paulo. No local, foi convidado ao  rodeio da cidade vizinha, Taiúva. Contudo, um problema de garganta sofrido pelo então locutor do torneio havia desfalcado a equipe naquela noite. “Ele não estava bem e não tinha mais ninguém para substituí-lo. Foi aí que meu amigo me encorajou e falou que eu seria capaz de apresentar”, recordou.
Com uma camisa de seda e calça de linho, adentrou na arena e apresentou, pela primeira vez, o  rodeio para a cidade. Da forma “teatral”, que conta uma história à medida em que os touros e peões entravam na disputa, caiu no gosto do público, que adotou a maneira cômica de narrar a situação.
Decidiu que era com a comunicação que queria lidar: “Desde então, montei um ‘trio elétrico’ e segui no ramo”. Nos primeiros anos como locutor, passou por diferentes cidades do Estado, como Santa Isabel, em 1986, quando escolheu a cidade que chama de lar.
“Estava em um  rodeio de Arujá, e a arquibancada tinha caído. Precisei vir a Santa Isabel e conheci o ‘Nenê Bolacha’, chefe de gabinete do então Prefeito ‘Nenê Simão’. À procura de uma arquibancada, conversamos sobre estruturas e, nisso, também trouxemos o  rodeio para cá, junto com o organizador Isaías e a Cia São Francisco”, contou.
Além disso, se lembra das milhares de experiências que viveu ao longo dos anos. Destas, o reconhecimento na edição de 1989 da Festa do Peão de Barretos – a maior da América Latina. Ele destaca que a maneira natural de se comunicar rendeu o Troféu Sela de Ouro como “locutor revelação”, premiado pela emissora Band.
“Na época, o peão Tião Procópio era recém-chegado dos Estados Unidos. Comecei a misturar inglês e português e brincar com o ‘touro hollywoodiano’. O público de Barretos gostou e pediu para eu continuar narrando todos assim!”, destacou o Locutor.
Da jornada até a atualidade, ele ressalta o trabalho em equipe que sempre o acompanhou. “O que seria de mim sem aqueles que cruzaram meu caminho ao longo dos anos? Nada. O prêmio mais nobre que o ser humano pode ganhar é um amigo”, disse com olhar emocionado.
Em 2024, Alonso esteve presente no Santa Isabel Rodeio Fest, em sua 39ª participação, que aconteceu entre os dias 6 a 9 de julho. Alonso Pimentel deixou, em sua mensagem para o futuro, o pedido: “Busquem, com humildade e simplicidade, os estudos, o trabalho, a perseverança e a fé”, finaliza.