Mostrando postagens com marcador água. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador água. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 9 de março de 2026

(Espaço Aberto Igaratá) Cidade das águas

Para quem pretende aproveitar Igaratá em suas maravilhas naturais, há muitas opções. Mas se for pela diversão aquática e de adrenalina, existe muita coisa relacionada a represa. Um exemplo é o passeio de banana boat, com os participantes sendo puxados por uma lancha em uma grande e inflável banana. Com sua vista na água, deslumbrante, o espaço oferece passeios da lancha e jet ski.
Em meio a beleza natural e às atividades emocionantes oferecidas em Igaratá, os visitantes podem encontrar conforto nas diversas pousadas pela cidade. Além de descanso, as localidades complementam o dia de diversão dos turistas querendo aproveitar as atrações de Igaratá. Desde trilhas para caminhadas até passeios de bicicleta e pescaria, há sempre algo para manter os visitantes ocupados e entretidos durante sua estadia.

terça-feira, 20 de maio de 2025

Vazamento em estação de tratamento de água provoca deslizamento de terra e interdita rodovia, e como esquecer do passado cria problemas futuros

Para escrever sobre esse assunto, na verdade, eu vou usar três fontes: o Portal G1 (o portal de notícias pela internet da Globo), o Jornal Bom Dia e o Jornal Ouvidor. Começarei colocando o que o G1 colocou sobre o assunto.
Um vazamento em uma estação de tratamento de água provocou um deslizamento de terra que interditou uma estrada em Santa Isabel. De acordo com a Prefeitura, o vazamento na Estação de Tratamento de Água do bairro 13 de maio aconteceu na manhã desta segunda-feira (19).
O deslizamento de terra atingiu a Rodovia Albino Rodrigues Neves. A Defesa Civil foi acionada e esteve no local, avaliando a situação. Por volta das 21h, a via foi liberada.
A Prefeitura informou que o deslizamento não atingiu nenhuma casa e não houve registro de vítimas. A Secretaria Municipal de Trânsito orienta os motoristas com destino a Arujá a utilizarem a Rodovia Presidente Dutra.
[...]A Sabesp informou que conteve o vazamento de água na rede de distribuição próximo à Estação de Tratamento de Água (ETA) 01. "O reparo na tubulação estará concluído até o final da tarde desta segunda-feira. O abastecimento na região ocorre normalmente."
A Companhia informou ainda que trabalha na limpeza da pista, em conjunto com a Prefeitura e Defesa Civil, com previsão de reabertura da pista até o final do dia.
Essa é a situação que o G1 mostrou, assim como depois foi repassado pelo jornal da TV Diário. E o Jornal Bom Dia, que acompanhou desde o começo, disse o seguinte, em notas:
A Secretaria de Meio Ambiente e a pasta de trânsito da prefeitura já foram acionadas.
A via pública foi interditada e a alternativa para quem segue para a cidade vizinha de Arujá, e a Rodovia Presidente Dutra.
João Buosi,  secretário de Meio Ambiente da prefeitura,  informou que o rompimento do reservatório que causou deslizamento de terra é de competência da Sabesp que já foii acionada.
"Não vamos fazer a limpeza agora porque ainda está vazando água, e a via continua interditada. Já isolamos a área e a prefeitura está dando todo suporte. Assim que parar o vazamento,  iniciaremos a limpeza para liberação da via", disse.
E ainda quando o estrago foi sanado, o Jornal Bom Dia escreveu:
A Rodovia Vereador Albino Rodrigues Neves (SP-56),[...] foi liberada ao tráfego agora pouco após maos de 13 horas de interdição devido a um deslizamento de terra provocado pelo rompimento da tubulação do reservatório da Estação de Tratamento de Água (ETA), no bairro 13 de Maio.
Imagens aéreas feitas por drones no início da manhã mostraram a extensão dos estragos causados pelo acidente, que comprometeu parte da encosta às margens da rodovia. O volume de terra que deslizou sobre a pista forçou o bloqueio imediato do trecho, gerando transtornos para motoristas e moradores da região.
O Jornal Ouvidor, além de tratar desse assunto, relembrou de algo que ocorreu em 2013:
ARQUIVO | Há exatos 12 anos, uma fissura no filtro que abastecia o reservatório da Estação de Tratamento de Água (ETA-1) da cidade de Santa Isabel provocou um grande vazamento e o consequente desmoronamento de aproximadamente 1,2 mil metros cúbicos de terra. O incidente ocorreu na madrugada do dia 20 de março de 2013. Os serviços de água e esgoto na época não eram geridos pela Sabesp e sim de responsabilidade da Prefeitura.
A lama resultante do desmoronamento bloqueou os dois sentidos da rodovia SP-56, na altura do quilômetro 58, trecho que liga Santa Isabel a Arujá.  Na época o transporte público ficou afetado e as aulas ficaram suspensas em cinco unidades da rede municipal: Emei Bairro Cafundó, Emei e Emfef Bairro do Retiro, Emei e Emef João Antônio Mineiro, além da Emef Francisco Beraldo Filho.
O abastecimento de água da cidade foi parcialmente interrompido para permitir os reparos na estrutura danificada. A prefeitura recomendou que os moradores dos bairros localizados em áreas mais altas economizassem água. Não havia previsão imediata para a retomada do fornecimento, embora a liberação da estrada tenha ocorrido no início da noite do mesmo dia. 
Bem, dados que não aparecem nos textos. Ao que parece, esse problema começou as 7:30. Segundo os jornais, falava que a estrada estava liberada as 20:00 hrs, o que configuraria pouco mais de 13 horas de transtornos. Mas, em comentários o pessoal falava de só ter sido liberada a estrada depois das 21:00. Então notemos que a prefeitura não ajuda a população, pois, em entrevista a TV Diário, o prefeito Carlos Chinchilla falaram que a ideia era liberar a via às 15:00 hrs. Que diferença é essa de tempo?
Dito isso, se sabemos, mesmo que não tenha sido a Sabesp a culpada anterior, por qual motivo nossa gestão não tomou cuidado com isso? Uma frase que falo ao meus alunos, "aqueles que esquecem do passado, estão fadados a cometer os mesmos erros".

domingo, 15 de novembro de 2020

História e polêmica sobre a captação das águas da Represa Jaguari

Em Março de 2014, o então governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, tinha apresentado proposta para interligação da Represa do Jaguari com a represa de Atibainha (Sistema Cantareira) através de um túnel. Tal sistema levaria água para o sistema da segunda, que atravessava a pior seca desde que foi criada. 
O projeto não tem apoio do estado do Rio de Janeiro, pois o estado achava que ele, o retirar água do rio Jaguari, iria diminuir a vazão do Rio Paraíba do Sul em épocas de seca (tal rio abastece o estado do Rio de Janeiro).
Como podemos notar, a tal captação ocorreu. O que causou problemas claros em 2020.
A prefeita Fábia Porto informou em Outubro que defenderia o reservatório da Represa Jaguari direto no Ministério e contaria com o apoio do vice-presidente da República na época, o General Hamilton Mourão. De acordo com dados divulgados no dia 15 do mesmo mês, a Agência Nacional de Água (ANA) disse que o Reservatório do Jaguari perde 390% mais água do que recebe. Enquanto a represa capta 10m3/s, é bombeado 7m3/s para Atibainha (pertencente ao Sistema Cantareira) e 41m3/s é mandado para o estado do Rio de Janeiro.
No dia 15 do mês de Outubro, a prefeita esteve no programa De Frente com o Ouvidor e falou que desde 2017, anualmente solicita para a Agência Nacional de Água a redução do volume de água para o Rio de Janeiro. Ela lembrou que o município não é o gestor do volume que sai do reservatório, pois essa função é da União. A Sabesp informa que a Represa de Jaguari correspondendo atualmente entre 50% a 65% do abastecimento de água das moradias do município de Santa Isabel.
Mas qual a história dessa represa? Bem, primeiro devemos deixar claro que existem duas dessas estruturas, de nome Jaguari. A que mudou Igaratá de endereço é aquela administrada pela CESP (Companhia Energética de São Paulo).
A CESP é a maior empresa geradora de energia do estado de São Paulo e a segunda maior produtora e a segunda maior produtora de energia hidráulica do Brasil. A companhia implantou e opera seis usina hidrelétricas, assim como seus respectivos reservatórios, entre eles o Jaguari.
Depois da barragem de Santa Branca, construída pela Light em 1960, e destinada à regularização do Alto Paraíba, a CESP construiu, com a mesma finalidade, uma barragem do Rio Jaguari, afluente do Paraíba, no município de São José dos Campos.
Iniciada pela Comepa, Cia. de Melhoramentos de Paraíbuna, em 1963, foi terminada pela CESP em 1971, sendo a primeira usina integralmente nacional, pois todos os seus equipamentos foram construídos no Brasil.
O UHE Jaguari tem 27,6 MW de potência instalada e, além da regularização do rio, responde pelo suprimento de energia, em épocas de estiagem, a outras usinas próximas.
Com a formação do reservatório de Jaguari, foram inundadas terras utilizadas para pecuária leiteira e agricultura, totalizando 7.000 ha. O núcleo urbano de Igaratá foi integralmente demolido e a cidade mudou para áreas acima do nível do reservatório.
Ainda hoje, moradores da Velha Igaratá relembram com nostalgia o som dos machados e serras cortando e matando as árvores nativas que ornavam os cenários de características coloniais na cidade demolida.
"As árvores frutíferas da minha chácara eram lindas e foram todas cortadas. O barulho da serra era triste. Quando elas caíam o barulho das folhas pareciam lágrimas. E eu chorava junto com elas", lembra Nancy Aparecida dos Santos.
A CESP contabiliza que 200 famílias viviam na área urbana que foi inundada. Os mais antigos contam que era preciso demolir tudo, e era necessário que a população testemunhasse aquela cena triste. Para que, mais tarde, ninguém buscasse no fundo do Jaguari uma espécie de cidade fantasma.
De acordo com estudo feito em 2007 pela AGEVAP, há registro de que as famílias mais carentes de Igaratá receberam, cada uma NCr$200,00. Quantia que, embora adequada para o valor dos imóveis desapropriados, era insuficiente para a construção de outra moradia no novo núcleo urbano. Assim, estas famílias receberam também material para construção de novas moradias.
De acordo com Jair Simão, representante da Apasian (Associação de Pescadores Amadores de Santa Isabel - Africa Nilo), com a redução diária do nível do Reservatório Jaguari, os espécimes de peixe que hoje habitam a Represa estão em alto risco.
Além dos peixes nativos (traíra, bagre e jacundá), o reservatório ainda é habitat de espécimes exóticas (como tucunaré, corvina, tilápia-do-nilo, e tilápia africana, carpa-cabeçuda e carpa-capim, entre outros).
"Estamos na piracema (Novembro de 2020), que é o período de desova dos peixes. Nesta época, eles se aproximam das margens para deixar seus ovos. O problema é que as margens estão baixando muito rápido, expondo em terra uma parte dos filhotes que acabam não sobrevivendo", descreve Jair.
A Apasian já observou que até o caramujo que habitam as margens estão virando um rastro de conchas secas nas encostas. Os peixes ficam mais vulneráveis, tanto aos predadores naturais, quanto aos pescadores que desrespeitam a piracema.
No dia 6 de Novembro de 2020, de acordo com a Agência Nacional de Água (ANA), o nível da Represa do Jaguari estava 608,48m, em relação ao nível do mar, apenas 5,48m acima da cota mínima citada no Plano de Recursos Hídricos da Bacia do Rio Paraíba do Sul.
No começo de Novembro de 2020, a secretária de Meio Ambiente de Santa Isabel, Sandra Igarasi, entre outros participantes, esteve em reunião virtual com representantes do Governo do Estado de São Paulo.
"Esclarecemos o impacto do baixo nível do reservatório na nossa região e solicitamos apoio para solicitar uma mudança unificada da cota mínima, para que seja 614m para todos os orgãos: Sabesp, ANA e demais entidades interligadas a gestão do Jaguari", explica Sandra.
Hoje, no Comitê de Bacias Hidrográficas, Santa Isabel representa também os municípios de Igaratá, Arujá e Guarulhos.
O dia 20 de Outubro de 2020, foi o último dia em que a ANA publicou em seu site o volume de água que é bombeado da Represa do Jaguari para o reservatório Atibainha. Ela, a Sabesp e até o Operador Nacional do Sistema Elétrico passaram a publicar e exclusivamente o volume de água destinado ao Rio de Janeiro.
No dia 12 de Novembro de 2020, o Jornal Ouvidor solicitou ao DAEE (Departamento de Água e Energia Elétrica) informações sobre o motivo pelo qual o volume de água enviado ao Sistema Cantareira se tornou um dado oculto. Ainda assim, ele pediu que a pergunta fosse enviada a Sabesp.
Os totais bombeados pela concessionária nos últimos anos foram:
  • 2018: 145 milhões de m3;
  • 2019: 150 milhões de m3;
  • 2020 (até o Boletim de 6/11/20): 155,2 milhões de m3.
(EDITADO: 21/11/2020)
O volume do Jaguari subiu 45 cm, entretanto os dados divulgados pela ANA são discrepantes. De qualquer forma, era necessário ter um meio de lidar com esse problema urgentemente. Lembrando que Santa Isabel é protegida pela Lei dos Mananciais.

ALCÂNTARA, Érica. Muito Prazer, Represa Jaguari. Jornal Ouvidor. Igaratá. 7 de Setembro de 2020. p. 15.
ALCÃNTARA, Érica. Dados da Represa do Jaguari desaparecem. Jornal Ouvidor. Igaratá. 13 de Novembro de 2020. p. 11.
VOLUME do Jaguari volta a subir. Jornal Bom Dia. Santa Isabel. 21 de Novembro de 2020. p. 12.