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sexta-feira, 17 de julho de 2026

Dr. Francisco da Silva Almeida, o "Chico Escrivão": Ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil – Subseção de Santa Isabel

Dr. Francisco da Silva Almeida nasceu em São Luiz do Paraitinga, onde construiu as bases de uma trajetória marcada pelo trabalho, pela disciplina e pelo compromisso com a comunidade. Casado com dona Eunice Santos de Almeida, foi pai dedicado de cinco filhos, sempre equilibrando a vida familiar com a missão profissional.
Iniciou sua carreira na vida pública como policial militar, servindo entre 1951 e 1960 nas cidades de Redenção da Serra e sua terra natal. Em 1960, mudou-se para Santa Isabel, onde passou a atuar como escrivão de polícia, função que exerceu até 1972 com reconhecida responsabilidade e zelo.
Ao longo da carreira na área de segurança pública, também trabalhou no Degran e no 29º Distrito Policial, na Vila Mangalo, onde chefiou o cartório. Posteriormente, desligou-se da Polícia Civil enquanto exercia suas funções em Guarulhos, encerrando um ciclo de relevantes serviços prestados ao Estado.
Movido pelo desejo de ampliar sua atuação na defesa dos direitos e da justiça, formou-se em 1975 pela Universidade de São José dos Campos. No ano seguinte, iniciou sua trajetória na advocacia, estabelecendo seu primeiro escritório na Rua João Pessoa, no antigo prédio do cinema de Santa Isabel — local que se tornaria referência para muitos cidadãos em busca de orientação jurídica.
Na década de 90, assumiu a presidência da OAB de Santa Isabel, conduzindo a subseção com espírito público e visão de futuro. Entre suas metas estavam a continuidade do atendimento às pessoas que não tinham condições de custear honorários advocatícios, o fortalecimento estrutural da subseção, sua informatização e a aquisição de equipamentos como televisão e vídeo para a realização de palestras e conferências — iniciativas modernas para a época, que demonstravam seu compromisso com a valorização da classe e com o acesso à informação.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

Dr. Antônio de Castro Freitas: Juiz que levou energia elétrica à Igaratá

O magistrado nasceu em São Luiz do Paraitinga em 1887, filho de Antônio de Lourenço de Freitas e de Maria Diniz de Castro Freitas, era casado com Marieta de Camargo Calazans de Freitas, progênita do comerciante e influente político de Paraibuna, Major João Elias Calazans e Sra. Maria Francisca Calazans.
O eminente juiz deixou São Luiz do Paraitinga aos 16 anos para ganhar a vida na capital e matriculou-se no curso preparatório para ingressar na Faculdade de Direito do Largo São Francisco, o ingresso ocorreu em dezembro de 1903.
A formatura ocorreu em 1907.
Em 20 de Janeiro de 1908, recebeu a nomeação para assumir a Promotoria Pública da cidade de Jambeiro, no Vale do Paraíba.
Numa visita que fez à Paraibuna, conheceu a esposa Marieta Calazans com quem se casou em 1910, o casal teve 11 filhos, cinco homens e seis mulheres.
Em 1913, as filhas Suzana de 2 anos e Hortência de 1 ano foram acometidas da bactéria “Bordetella pertussis”, popularmente conhecida como “tosse comprida” ou coqueluche, uma doença respiratória altamente contagiosa que as levou à óbito, a vacina foi desenvolvida em 1926.
A perda precoce das filhas abateu profundamente o casal, o jovem Promotor, depressivo, solicitou seguidas licenças para tratamento de saúde, até que em 1918, para fugir do ambiente que trazia lembranças das filhas, resolveu permutar a Promotoria de Jambeiro para Cunha com o Dr. Adriano Mendonça, titular daquela cidade.
Em 1922, pediu remoção para a cidade de Itu, tão logo chegou foi convidado a participar de uma comissão para comemorar o primeiro centenário da independência, a celebração se prolongou por três dias.
Após 15 anos de promotoria, buscando novos desafios, o Dr. Antônio de Castro Freitas, foi nomeado Juiz de Direito da comarca de Avaré, dois anos depois, em 1925, procurando aproximar-se dos parentes da esposa em Paraibuna, solicitou remoção para São Sebastião.
Em 27 de abril de 1927, foi removido para substituir o Dr. Norberto Francisco de Oliveira, Juiz de Direito de Santa Isabel, por tal transferência o Dr. Antônio de Castro Freitas enviou ao Secretário de Justiça um ofício de agradecimento.   
O togado encantou-se com a cidade, o clima saudável, a exuberância da flora, a fauna e a hospitalidade, tudo era fascinante, de tal sorte que nas primeiras semanas foi convidado a participar do natalício do tabelião do registro civil e presidente do PRP local, o Sr. Bernardino Nascimento Gonçalves, ao chegar a festa foi recebido pela consorte do aniversariante, a encantadora e virtuosa, Profa. Ana Moutinho Gonçalves, dona de uma beleza singular.
Após a recepção, o Juiz foi convidado pelo Dr. Domingos Castelo Branco, Promotor Público, a proferir uma saudação ao dono da festa. No discurso, ele enalteceu as qualidades do chefe político, do cidadão, do marido e do pai de família exemplar, terminou por agradecer a acolhida e por conhecer pessoas tão amáveis, após as palmas, foi abraçado pelos presentes.
A Banda Musical “Lyra Isabelense” executou inúmeras peças musicais, enquanto os comensais se deliciavam com as iguarias que foram servidas e trocavam conversas.
Na sala de visita, abriu-se um espaço para as contradanças, o Juiz e sua Marieta demonstraram destreza com a dança.
Ao final, as senhoritas Fina, Pequetita, Feia, Carmelina e Brasilisia incumbiram o médico Dr. Marcondes Cesar para falar em nome delas, saudar o aniversariante e o novo Juiz.
Com isso terminou aquela manifestação, sendo o Dr. Castro Freitas, a convite do Sr. Bernardino, acompanhado até a sua residência pelas pessoas presentes.
Com efeito, desde o início da sua passagem pela nossa comarca, o Dr. Castro empenhou-se pessoalmente em levar à Igaratá o benefício da Luz Elétrica, a cidade fazia parte da Comarca e sofria o flagelo da escuridão.
Foi assim que em 08 de setembro de 1928, acompanhado do Promotor de Justiça, Dr. Nestor da Fonseca Barbosa Pinto, do Sr. Firmino da Cunha Lobo, delegado de polícia, Dr. Pedro de Luca, médico, do Padre Américo Endrisi se dirigiram à vizinha Igaratá para a assinatura do contrato com o Sr. José Clau, responsável pelos serviços de instalação da Força e Luz daquela localidade.
A esposa Marieta Calazans, acometida de grave doença, faleceu precocemente em Jacareí, aos 25 de janeiro de 1932, com 42 anos.
O Dr. Castro Freitas permaneceu viúvo e faleceu em São Paulo, 1959, aos 72 anos de idade.