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domingo, 5 de fevereiro de 2023

Banque de Paris empresta cem contos de réis à prefeitua

Foi nos idos de 1912: Santa Isabel começava a dar seus passos para o progresso, a cidade era ocupada por poucas residências; as ruas eram abauladas, com guias, sarjetas e calçadas de pedras; no subúrbio rural, trilhas e estradas mal conservadas serviam os roceiros; a Igreja Matriz estava em construção; o ensino já era obrigatório às crianças, e a escola reunia muitos matriculados; existia um jornal mensal, O Isabelense, que era de propriedade de Totó Assis; havia ainda o mercado municipal; possuía uma cadeia pública, um fórum e uma delegacia; existia a farmácia do Francisco da Costa Novaes; cartório de notas e registro; correios; pousadas e estalagens assistiam a chegadas de tropeiros que vinham do Vale do Paraíba e do sul de Minas; uma tipografia; um telefone público da Cia Telefônica de Pindamonhangaba; algumas indústrias de beneficiamento acudiam os desempregados e engordavam o tesouro municipal.
A economia se concentrava na agricultura e no rebanho bovino. Muitos esperavam a construção de uma usina elétrica. 
A água do ribeirão Araraquara era farta e ainda tínhamos abundantes fontes de água potável.
O prefeito Major Guilhermino pediu licença para cuidar da saúde. Quem assumiu seu cargo foi seu genro e vice-prefeito, Benedito Vieira de Paula.
Ele tinha um plano audacioso. Para obter eletricidade, faria um empréstimo alto. Pois com isso, teríamos progresso através da instalação de comércio, indústrias e serviços.
Ele pediu um empréstimo bancário em torno de 100:000$000 (cem contos de réis) - alguns milhões de reais -, para a edificação, iluminação e distribuição da força e luz. O penhor era a própria Usina Hidrelétrica.
O prefeito Vieira sabia que apesar das restrições existentes, o mercado hipotecário crescia no país. As mudanças institucionais e à expansão do mercado através de bancos estrangeiros provocou um avanço do sistema financeiro.
A Câmara aprovou a Resolução n 27, em 24 de Novembro de 1911, munido da carta, Vieira foi a São Paulo confiante, bateu às portas do Banque Immobilere e Industrielle de Paris e voltou exitoso, conseguiu o auxílio bancário a juros baixíssimos. O município deve que pagar 500$000 (quinhentos mil réis) para socorrer as despesas com o consulado francês que traduziu, no bom português, o contrato e os documentos que acompanhavam o empréstimos. Benedito Vieira de Paula, é bisavô de Fábia Porto, que também já foi prefeita. 
Além da interinidade, ocupou a cadeira de prefeito de 1931 a 1937.

terça-feira, 15 de novembro de 2022

Antiga Rua de Cima: A Avenida Manoel Ferraz de Campos Salles

As vias públicas até a Proclamação da República eram nomeadas de acordo com suas particularidades: Lavradio (agricultura); Tesouro; Assembleia; Matriz; Direita; Da Sé; Batata; Comércio; Fábrica, etc. identificavam as ruas.
Com Santa Isabel não foi diferente: adotou como Largo do Rosário, que depois seria Largo da Matriz, o que nós chamamos da Praça da Bandeira. Esses nomes antigos se deviam a primeira igreja quando ainda era vila, construída com mão de obra escrava. Da mesma forma, a Rua Cônego Bicudo era conhecida como Rua de Baixo; a Praça Rui Barbosa como Largo Santo Antônio (em referência a Igreja de Santo Antônio, já demolida); a Avenida da República era conhecida como Rua do Meio e assim por diante.
A Rua Campos Salles era chamada de Rua de Cima, porém, com a emancipação do município foi dividida em três trechos: o primeiro até a Casa Paroquial era chamado de Rua da Câmara, uma referência a Câmara Municipal; o segundo trecho a partir da Casa Paroquial até Chácara do Bertholdo (atual Leite Paulista) era conhecida como Rua do Correio, uma referência à Agência Postal instalada em 1850; já, o terceiro trecho recebeu o nome de Rua São Lázaro, em referência ao santo padroeiro dos enfermos, desamparados e animais doentes, homenageado naquela capela quase no final dele. 
Com a Proclamação da República, o Coronel Bertholdo, prefeito do novo regime, resolveu homenagear as vias públicas da seguinte maneira: a Rua do Meio passou a se chamar Avenida da República e as demais receberam nome dos presidentes republicanos de origem paulista, Prudente Morais (natural de Mairinque, SP); Rodrigues Alves (Guaratinguetá, SP) e; Campos Salles (natural de Campinas) emprestaram seus nomes às vias públicas.
O Major Guilhermino, segundo prefeito do período republicano, seguiu o exemplo de seu antecessor e deu o nome de Totó de Assis à Rua do Correio; Fernandes Cardoso à Rua 13 de Maio; Praça da Bandeira ao Largo do Rosário que se mostrava como Praça da Independência desde 1822; Rua Cônego Bicudo à Rua de Baixo. Os homenageados: Antônio Pinto de Assis fora titular do Cartório de Órfãos; José Fernandes Cardoso fora o primeiro professor público que se tem registro na cidade (1873) e: Antônio Pereira Bicudo, nascido em São José dos Campos, fora vigário da Paróquia de Santa Isabel e instrutor escolar no período imperial.
Por fim, em 1971, o prefeito Gabriel Cianflone resolveu denominar Avenida Manoel Ferraz de Campos Salles as ruas Campos Salles, Totó de Assis e São Lázaro. A medida recebeu crítica contundente da maioria dos isabelenses.