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sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

A inauguração do crucifixo no Salão do Júri do Fórum de Santa Isabel

Em 1902, no governo estadual de Rodrigues Alves, Santa Isabel comemorou a construção do Fórum, Delegacia de Polícia, Destacamento da Polícia Militar e Cadeia Pública, todos no mesmo edifício que hoje abriga o Paço Municipal Prefeito Joaquim Simão. Prédio suntuoso, dois pavimentos, frente ajardinada com quatro palmeiras imperiais. O piso térreo abrigava uma sala para o comandante do destacamento, presídio com quatro celas, nos fundos um espaço fechado com muros altos para o banho de sol. No piso superior, o fórum, salão do júri, gabinete do juiz, do promotor e do delegado de polícia. 
De rigor, o episódio que marcou indelevelmente o edifício do fórum foi a inauguração da Imagem de Cristo Crucificado na sala do tribunal do júri, o fato ocorreu num domingo, às 18,00 horas, do dia 09 de Junho de 1918, a doação veio da Diocese de Taubaté, através do Padre Albino Frederico, vigário da nossa paróquia e representante do Bispo Dom Epaminondas Nunes de Ávila. 
A cerimônia ocorreu após o encerramento das solenidades do Mês de Maria, o Padre Albino Frederico organizou uma procissão com a participação da Irmandade do Santíssimo Sacramento, alunos do catecismo, senhoras e senhoritas, alunos das Escolas Reunidas e grande massa popular que acompanharam a bela Imagem do Cristo Crucificado, de um metro de altura e conduzida pelo Prefeito Manuel Antônio Mendes até o Edifício do Fórum.
Ao chegar em frente ao prédio, ostensivamente iluminado, foram queimadas baterias de fogos de artifício, girandolas, rojões e dezenas de foguete, a estátua adentrou a casa da justiça, o Destacamento da Polícia Militar posicionado em continência, sob as ordens do comandante Cabo Benedito Amaro de Oliveira, reverenciou a Figura do Cristo nas mãos do prefeito, ao fundo se ouvia a Banda Musical entoando hinos e canções de piedade e fé.
O juiz, Dr. Tancredo do Amaral, encarregou o Promotor Público, Dr. Plínio Lacerda de Oliveira, e todos os escrivães e funcionários do judiciário a receberem no alto da escadaria o Sr. Vigário, prefeito e demais pessoas, e, em pé, junto a sua cadeira de presidente do Tribunal do Júri, achava-se o Juiz na sala das sessões, ornamentada de flores, onde já se encontravam o presidente da câmara, vereadores, chefes políticos, professorado e corpo de jurados. Então o padre Albino Frederico, representando o Bispo da Diocese de Taubaté, Dom Epaminondas Nunes D’Ávila e Silva, pronunciando conceituoso discurso enaltecendo a sociedade civil e religiosa, reafirmando a necessidade de se intensificar a fé.
O vigário discorreu, ainda, sobre a ordem e a liberdade que devem ser os esteios de uma e de outra, referiu-se, sobretudo, a necessidade do respeito às leis e às autoridades, sem as quais não há ordem, nem paz, nem progresso. Asseverou que a igreja condena a desordem e a anarquia, que são resultados da falta de compreensão de tais deveres por parte daqueles a quem a vaidade pessoal cega, terminando por oferecer a imagem conduzida pelo Sr. Prefeito. Uma calorosa salva de palmas foi ouvida.
Em seguida, o Dr. Tancredo do Amaral ao receber a imagem pronunciou um longo discurso que se resumiu no seguinte: Reverendíssimo padre Albino Frederico, digno representante do Venerando Bispo da nossa Diocese, Sr. Prefeito Municipal, ilustre colega Representante do Ministério Público, senhoras e senhoritas, senhores jurados, meus senhores. “Benedictum qui venti in nomine domine” (Bem-aventurado aquele que sopra em nome do Senhor), sejam as minhas primeiras palavras do mais respeitoso agradecimento ao exmo. Padre Albino Frederico e representante do Bispo, Dom Epaminondas de Ávila, que solenemente veio trazer ao Templo da Justiça a Sagrada Imagem do Cristo Crucificado, d’aquele que foi pelas suas obras, pelo seu exemplo e pela sua sublime doutrina, consagrado pelo maior sofrimento humano e pela mais humilhante e horrível morte, o maior apóstolo dessa mesma justiça.
Prosseguiu, dizendo, essa imagem representa um estímulo à justiça, o cumprimento do dever e um conforto para os infelizes e desgraçados, de piedade, mas, também, de justiça, amparando as crianças, socorrendo os enfermos ante as mais inomináveis injurias, finalmente, dando a cada um o que é seu, perdoando o bom ladrão, expulsando os vendilhões do templo, ordenando pelos seus mandamentos, consubstanciando a lei divina, à propriedade, à honra, à mulher do próximo, à infância desvalida e a velhice desamparada, tudo simbolizado na seguinte fórmula “amai-vos uns aos outros”, princípios que hoje se condenam em todos os códigos do mundo.     
Com a construção de um novo prédio do Fórum, em 1965, é possível que a imagem do Cristo Crucificado seja outra, mas por mais de 40 anos o crucifixo doado pela Diocese de Taubaté permaneceu na sala do Tribunal do Júri. 

terça-feira, 30 de julho de 2024

Figuras notáveis de Santa Isabel: Alcino Acacio Camargo

Nascido em 9 de Abril de 1917, era filho de Júlio de Camargo e Filomena Arouca de Camargo. Foi o primeiro oficial de justiça da cidade, comissário de menor e comerciante. Se casou Maria Francisca Acácio de Camargo, com quem deve os filhos Silvio de Camargo, Eunice Benedita Camargo Barbosa, Filomena de Camargo, Alcides de Camargo, Luis de Camargo e João de Camargo. Viúvo em 1960, casa-se com Guiomar Machado de Camargo com quem teve mais três filhos Maria Conceição de Camargo, Dalva de Camargo e Alcina de Camargo.
Ele gostava muito das festas da cidade. Tais como a festa junina, Páscoa, São Gonçalo e Natal. Na Páscoa, era tradicional fazer uma feijoada. No Carnaval ele costumava fazer com barro o famoso boi pintado, urso, anãozinhos para os filhos, netos e amigos. Ficava contando diversas histórias por horas.
Como oficial deve grandes amizades com juízes, promotores, advogados e outras pessoas influentes da cidade. Era uma pessoa muito querida no Fórum. Muitas vezes acolhia pessoas sem moradia fossem crianças, jovens ou idosos.
Morreu em 3 de Abril de 1988. Um domingo de Páscoa.

quinta-feira, 6 de julho de 2017

O significado por de trás das construções


Existem nomes dentro da cidade que nem imaginamos. Pode ser o de uma rua ou avenida. Mas os mais importantes, normalmente, são de construções. E que possuíam, ou possuem, alguma importância histórica, religiosa ou política. Aqui coloco alguns desses lugares.
Confiram:
  • Fábrica de Juta: A antiga fábrica de juta ficava no meio da cidade praticamente. E onde ela se localizava? A famosa Galeria, que abriga diversos comércios da cidade, é a localidade do qual trato aqui. Pertencia ao senhor Guilherme Alfieri, proprietário da primeira linha telefônica da cidade.
  • Fórum: Pode não parecer, mas aquela região não era só um prédio relativo ao judiciário. Foi construído em 1960, no governo estadual de Carvalho Pinto. O local era, anteriormente o mercado municipal.
  • Igreja do Rosário: Construída e inaugurada em 1723 (aproximadamente), já foi a igreja Matriz de Santa Isabel. Foi feita pelas mãos de escravos, antes mesmo do surgimento da cidade de Santa Isabel.
  • Rua Vereador Sebastião Claudiano: Essa área da cidade foi denominada em homenagem ao primeiro vereador negro da cidade, que nasceu depois da Lei do Ventre Livre. O rapaz foi adotado por uma família de italianos.
  • Praça da Bandeira: O local era chamado inicialmente como Praça do Rosário, em homenagem a Igreja de Nossa Senhora do Rosário. Depois da Proclamação da Independência, levou esse nome por mais um tempo, até ser alterado para Praça da Bandeira.
  • Casa Paroquial: Inicialmente era a antiga sede da família Fernandes Cardoso, foi transformada em uma pousada e doada para a diocese. E a igreja então a transformou na Casa Paroquial que conhecemos até os dias de hoje.
  • Casarão dos 13 de Maio: O lugar, na época atual, é uma pizzaria. Inicialmente o prédio foi construído para a instalação de uma escola municipal. O primeiro professor foi o senhor Benedito Mathias, popularmente conhecido como "Sinhô". O nome como é conhecido, se deve ao bairro onde fica, que tem esse nome devido ao 13 de Maio de 1888, quando ocorreu a Abolição da Escravidão
  • Avenida República: Sendo hoje em dia, o "centro urbano" da cidade, era uma área de várzea às margens do Ribeirão Araraquara. Foi inaugurada, oficialmente, em 1900, 32 anos após a Proclamação da República.