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sexta-feira, 1 de novembro de 2024

Lendas de Santa Isabel: Beber o morto

"Beber o morto" é uma expressão que se refere ao hábito de beber cachaça (ao que parece, não se era bebido nem cerveja, nem vinho nessas situações) e contar histórias e anedotas sobre o falecido durante a noite do velório. Geralmente, o ritual era acompanhado de algum tipo de comida, como sopa ou petiscos diversos. 
A expressão é típica de um estilo de vida interiorano e nordestino, e já foi parte da vida de muitas gerações. No entanto, para os jovens, essa gíria é quase inexistente. 
Parece que o hábito tem certa origem africana. O que faz sentido, sendo que em diversas comunidades diversas da África, há tradições variadas para lidar com o luto, sem ser de forma triste. E sim, ocorreu algumas vezes aqui, em Santa Isabel, esse costume. Mas isso não acontece hoje em dia, devido aos espaços funerários já criados. Entretanto, pode ainda acontecer, se depender da família.
Só não confundam com o Caixão e Cachaça. 

quarta-feira, 28 de agosto de 2024

Lendas de Santa Isabel: simpatia para andar

Existem duas simpatias nesse caso:
A primeira foi me falada por Benedita Caraça da Costa, minha tia. Deixe um pouco de terra solta, próximo de onde a criança tenta andar. Ela deve pisar nela e deixar o sinal de seu pé ali, uma pegada. 
Em seguida, se pega um machado e corta-se em cruzado esse sinal. Em seguida, fale "Corta o medo dessa criança, para essa criança andar". De forma repetida.
Há outra simpatia, dita por minha mãe, Teresa Caraça. Nela, uma pessoa caminha, ajudando a criança. E outra, toda vez que passa por uma porta, faz um risco. Que tem de ser na altura da criança.

segunda-feira, 1 de julho de 2024

Lendas de Santa Isabel: simpatia para a criança falar

Essa simpatia teria sido usada em mim por dona Ilidia Sousa Godoy (ao que parece esse era o nome, pelo que minha mãe se lembra). Essa mulher era tia e madrinha do meu tio-avô, Benedito Sousa, um caminhoneiro que viveu na Rua da Feira.
Como ela funcionaria? Simples: a criança teria que tomar a primeira água de janeiro. Ela esperou a primeira chuva daquele mês, pois eu ainda não falava, guardou essas águas e me deu de beber. Tempos depois, parece que eu comecei a falar. Se foi a simpatia ou não, o que importa é que se manteve essa tradição.
Ao que parece, ela gostava muito de mim. Por isso, ela usou essa simpatia. 
Eu inicialmente achei que poderia ser a questão de ter a "língua presa", um problema que faz que troque as letras quando não tomo cuidado. R por L, por exemplo. Mas isso não influenciaria na fala de uma criança.