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segunda-feira, 25 de abril de 2022

O concurso A Mais Bela Voz de Santa Isabel em 1973

Em 1973 realizou-se pela primeira vez um concurso que visava conhecer A Mais Bela Voz de Santa Isabel, o melhor cantor ou cantora da região.
Foi uma noite especial e inesquecível realizada nas dependências do Cine Teatro Yara.
Os resultados foram os seguintes:
1° lugar Categoria Infantil - João Batista Brunelli Barbosa
1° lugar Categoria Juvenil - Ana Lúcia Ferreira
1° lugar Categoria Adulta - Reinaldo Salgado
1° lugar Conjunto - Otávio e João
Melhor da Noite - Reinaldo Salgado
Revelação da Noite - Benedito Rodrigues de Camargo, que ficou conhecido como o Roberto Carlos Isabelense.
O concurso teve ainda outras edições nos anos seguintes até se extinguir e ser reativado na década de 1990 pelos produtores da Natural Tipos & Tipos, no prédio do então CineTeatro Montenegro.

quarta-feira, 20 de abril de 2022

Mais sobre os teatros e cinemas de Santa Isabel

Segundo um artigo de Luiz Antonio Murta, lá pelos idos do final do século XIX no Bairro Treze de Maio, próximo ao Largo 20 de Novembro, na sede do Clube Republicano-Abolicionista, haviam algumas manifestações culturais. 
Mas quem contribuía com as artes na cidade foi sem dúvida a figura do então prefeito Gabriel Cianflone, persona culta, procurou trazer para os moradores da cidade esse contato com o teatro, patrocinando a vinda de peças teatrais com atores consagrados, como um monólogo com a reconhecida atriz Fernanda Montenegro, no antigo Cine Teatro Yara. Era tanta predileção pelo teatro, que Gabriel Cianflone junto a sua esposa Dona Ofélia Cianflone, construiu, particularmente o primeiro teatro da fase contemporânea da cidade.
O Teatro Gabriel Cianflone, que ficava na Galeria Central foi cenário por exemplo, da primeira apresentação de uma ópera na história da cidade. Com a morte de seu patrono o prédio veio a tornar-se sede da Secretaria de Educação e Cultura e hoje infelizmente encontra-se alugado para depósito de uma rede de lojas.
Voltando a história do Cine Teatro Yara, localizado na Rua João Pessoa e inaugurado em 1959 foi palco de diversas apresentações teatrais, filmes de faroeste e do Mazzaropi e festivais de música como o “A mais bela voz”.
O prédio foi reinaugurado na década de 1990 como Cine Teatro Montenegro tornando-se o epicentro teatral da cidade. Foi palco para diversos grupos de teatro que surgiram através de cursos livres oferecidos pela prefeitura da época, de onde surgiram grupos como o Grupo Teatral Perséfone e Acalanto dirigidos pela agitadora cultural Luciene Barduchi.
O Teatro recebia mensalmente peças de teatro de sucesso do circuito nacional trazidas pelo produtor Maciel Fama. A cidade tinha contato com comédias e dramas de relevância , como as peças “Camila Baker” e o dramático monólogo “Donana”
No início dos anos 2000 o prédio foi infelizmente fechado, permanecido abandonado até ser adquirido pela Prefeitura e esta em vias de ser reformado e tornar-se Auditório Santa Isabel e sede da Secretaria da Educação. O que é uma pena.

terça-feira, 5 de abril de 2022

Coisas que Santa Isabel tem que explicar

A prefeitura de Santa Isabel é conhecida por diversas pastas que dificilmente respondem perguntas na mente de pessoas da cidade (aquelas que se importam com a história e cultura do município). Então, eu cataloguei algumas:
-Se o vereador Sebastião Claudiano, o mesmo que dá nome a uma das principais ruas de Santa Isabel, é mesmo o primeiro vereador negro a ser presidente, por qual motivo não havia foto dele na Câmara Municipal, antes de 2022?
Como podem ver na lista ao lado, até mesmo Joaquim Simão, antigo prefeito (e pai de outro famoso prefeito, Nenê Simão, reeleito várias vezes) já foi presidente da câmara. Mas não aparece o citado Sebatsião Claudiano, como presidente. Então, onde está a foto dele ali?
Bem, então podemos considerar algumas coisas: a primeira é a que Sebastião Claudiano nunca foi presidente. O que seria um crime histórico, cometido na cidade, divulgado pela Secretária de Cultura e a de Turismo, para demonstrar que a cidade era mais "inclusiva". A segunda uma falha da Câmara Municipal de Santa Isabel, o que demonstra incompetência de todas as últimas administrações em não colocar e ressaltar essa figura histórica. Há uma terceira, mas duvido que tenha sido essa. Um erro histórico da própria cidade, mas ai que falha causou tanta coisa errada nesse caso?
Recentemente, foi colocado um quadro. Seria bom que a Câmara admitisse suas falhas. Pois no site da Câmara, isso não mudou ainda.
-A idade da Igreja do Rosário é dita como de 1723. Mas qual documento comprova isso? Existem muitas pessoas que falam e tratam sobre isso. Como uma certeza. Mas quais documentos comprovam isso?
Ainda assim, o doutor Isaias Bueno diz que na verdade, a igreja mais antiga da cidade é a do Monte Serrat. Isso devido a um tijolo, que data daquela época, encontrado durante uma das reformas do local. O problema é que o tal item nunca foi mostrado a público. Se não se perdeu durante os anos, devido as falhas das diversas administrações, onde ele está? E as secretárias sempre mostram vídeos dele falando isso. Mas se for assim, não seria melhor mostrar o tijolo também? 
Seja uma ou a outra, a cidade falha com sua história, sem comprovar o que diz a todos. 
-Os prédios abandonados na cidade são muitos. Podemos falar de pelo menos cinco deles só descendo o morro da antiga fábrica de farinha, até perto da matriz. Sem contar o próprio casarão da família Machado, que muitos querem reformar. O certo seria restaurar algo tão antigo, mas para quem iriamos falar isso? A vice-prefeita de 2021, Terezinha, que mesmo sendo arquiteta, mandou demolir o Cineteatro Monte Negro? Isso, pois o prédio ainda estava em boas condições de uso.
Mas podemos colocar isso em outras localidades. Na Praça da Bandeira, perto da padaria, quase ao lado da Igreja do Rosário, existe um prédio de comércio abandonado. Onde o mato e as plantas já cobriram boa parte do local. A Rainha Santa, que era seu nome antigamente, e seu letreiro era possível ser lido alguns anos atrás ainda na fachada. Pelo que é dito, ocorreu um desentendimento entre pessoas, e teria ocorrido um assassinato ali. Mas como deixam um lugar assim, no centro da cidade, ficar abandonado? Será que alguma entidade, como a OAB, terá que fazer o serviço que deveria ser da prefeitura? 

quarta-feira, 18 de agosto de 2021

Patrimônio histórico e como Santa Isabel não os conserva

A palavra patrimônio vem do latim “patrimonium”, na junção das palavras pater (pai) e monium (sufixo que indica condição, estado, ação). Por meio dessa etimologia, entende-se a relação do termo com a ideia de herança, daquilo que era transmitido de geração para geração.
De uma concepção individual e privativa, com o passar do tempo, – mais precisamente no período entre guerras –, o conceito de patrimônio adquiriu uma abordagem abrangente, passando a ser aplicado em diferentes áreas.
Dentro da história e da arquitetura, o patrimônio se divide em duas categorias: os bens considerados materiais e os imateriais que juntos representam a identidade, cultura e história de um determinado povo. Segundo a legislação brasileira, o patrimônio cultural pode ser definido como:
“O conjunto de bens móveis e imóveis existentes no país e cuja conservação seja de interesse público, quer por sua vinculação a fatos memoráveis da história do país, quer por seu excepcional valor arqueológico ou etnográfico, bibliográfico ou artístico”.
Ou seja, o que determina se um bem cultural é ou não patrimônio é a sua relevância histórica para a formação identitária da cultura de um povo.
O patrimônio cultural pode ser Material e Imaterial.
O Patrimônio cultural material são todos os bens físicos classificados em quatro categorias: Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico; Histórico; de Belas Artes; e das Artes Aplicadas.
Dentro dessa categoria, os bens de natureza imóvel são as cidades históricas, sítios arqueológicos e paisagísticos e/ou bens individuais; já os móveis podem ser caracterizados como coleções arqueológicas, acervos museológicos, documentais, bibliográficos, arquivísticos, videográficos, fotográficos e cinematográficos.
A paisagem de uma cidade, arquitetônica ou natural é considerada um patrimônio cultural material e sua preservação, de extrema relevância para a criação de laços de pertencimento de um povo e sua identidade.
Esse texto está no Instagram do Centro de Memória Francisco Sanches Baptista. E que se Chico Fotografo visse o que ocorreu com o Cineteatro Monte Negro, talvez ficasse extremamente triste. Pois aqueles que conservam seu trabalho hoje em dia, se calam diante da destruição de um patrimônio histórico de Santa Isabel. 
Muitas são as supostas justificativas para derrubar o lugar na época disso (2021). Mas todas fracas. Que era de um interesse particular, mas ainda assim, a prefeitura estava sempre em contato com o dono. Isso é claro, quando notamos que ocorreram ao menos duas tentativas de revitalizar o lugar (uma no governo Hélio Buscariolli, através de um projeto da ETEC e outra no governo de Fábia Porto).
Alguns falam pela falta de segurança na estrutura. Nós poderíamos notar a fiação de frente ao antigo prédio, que não traz segurança nenhuma a anos. Ou podemos ver as antigas estruturas da cidade, maiores e com mais tempo de construção. Se for por isso, já deveríamos demolir prédios daqui faz tempo.
E falaram que demoliram o lugar para fazer um prédio que será um auditório da Educação Municipal. E precisava destruir toda a fachada? Poderiam tombar ao menos a frente do lugar. Que demorou mais que o normal para ser demolida. As fotos que tirei da demolição são ao menos de 3 a 4 semanas.
Então, nos lembrando que figuras como o próprio Seu Neco passaram por lá, deveríamos pelo menos ter um respeito por esse lugar. Mas não, entra gestão, sai gestão, vemos pessoas destruindo os lugares para "mostrar que fizeram algo pela cidade". Pedimos isso, em um período de pandemia mundial? Assim como campos de futebol? 
Ainda digo mais: entre os tipos de registros da história estão os escritos, visuais, orais sonoros, imateriais e materiais. Quando eles destroem um prédio como esse, eles acabam com um arquivo material de nossa história. Então, esse texto é para confrontar os supostos defensores da história em Santa Isabel: onde estavam quando "matavam" parte de nossa cultura, com martelos e o fazendo cair em pedaços, literalmente?

terça-feira, 18 de maio de 2021

Um projeto de revitalização do Cineteatro Monte Negro que nunca viu a luz do dia

O texto a seguir é um texto com base no que Wener Gouveia (um amigo que aceitou algumas perguntas sobre o assunto) me respondeu, sobre um projeto que envolvia o Cineteatro Monte Negro ou Cine Yara.
Seu projeto tratava-se da Revitalização/Reinauguração do cinema de Santa Isabel. Ele não se recorda exatamente o título que usaram. Mas foi apresentado em Dezembro de 2008.
O projeto fez parte da sua formação em Técnico em Administração pela primeira turma da  ETEC Santa Isabel.
O Cineteatro (ao qual tiveram da permissão para adentrar o lugar) inha o aspecto de abandonado mas ainda estavam lá as poltronas e equipamentos. Ele se lembra de subir na sala de projeção e encontrar o projetor e um rolo de filme. Conseguiu ver algumas imagens desse rolo mas não identifiquei de qual filme se tratava. "Na época não me recordo de  tomarmos grandes medidas de segurança, apenas o cuidado com onde andávamos/pisávamos." disse Wener.
"Era um misto de tristeza por ver o estado do local com nostalgia por relembrar de momentos em que estive naquela sala e euforia, pois tínhamos esperança de que nosso projeto fosse visto, avaliado e, talvez, utilizado para revitalizar o cinema."
Em nenhum momento ele ficou com medo em relação à estrutura, por estar lá dentro, mas tinha ciência de que, em caso de reinauguração, seria necessária uma avaliação e reforma estrutural sim.
Seu projeto foi apresentado à banca em Dezembro de 2008, com a presença do então prefeito Hélio Buscariolli. Alguns anos depois soubemos que o projeto foi revisitado por outro  prefeito, o Pe. Gabriel Bina, porém nunca saiu do papel.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

A história do Cine Teatro Monte Negro

Uma das coisas ao qual poucos sabemos é sobre o cinema que um dia tivemos na cidade. Talvez isso tenha espantado um leitor desavisado, mas é verdade. Nós já tivemos.

Antes de tudo, Santa Isabel já possuiu um outro teatro, em outra área da cidade. Era chamado Cine Santa Isabel. Era da década de 40 (talvez 41, mas sem certeza, e foi idealizado por Miguel Turco. Ainda assim, não foi para frente.
Até que um empreendimento criado por João Pires Filho, José Basílio Alvarenga e Deoscore Marcondes dos Santos Freire surgiria. O Cine Teatro Iara. Exato, ainda não se chamava Cine Teatro Monte Negro. Além de já ter pertencido a Jorge Simão também. 
O espaço possuía 658 lugares para os espectadores, além de possuir camarins. Sim, pois como o nome mostra, possuía também espaço para espetáculos. Era um fenômeno na época, já que não existia outros cinemas na região, inclusive em Mogi das Cruzes. Um fato curioso, é que o próprio Mazaroppi filmou aqui na cidade, pousou aqui, e conferiu um de seus filmes (costume dele na época de ver as obras na localidade).
Porém, com a TV surgindo com força nas casas brasileiras, isso meio que fez o cinema ter um baixo rendimento. 
Anos depois, na época da administração da prefeita Angela, surgiria o Cine Teatro Monte Negro. Ao menos, como a maioria conhece. Ainda assim, com o grande avanço dos cinemas nas outras cidades, quase sempre com grandes franquias, acabou falindo.
E isso é algo que até hoje, aqueles que conheceram sobre isso, comentam e desejam que um dia seja reaberto aquele espaço.
Agradeço em especial o doutor Isaias Bueno e Bene "Gainha" por boa parte dessas informações.