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quinta-feira, 15 de dezembro de 2022

Minha opinião sobre como a política isabelense trata a história da esquerda local

Uma das coisas que notei recentemente sobre a cidade de Santa Isabel é a vontade política em esconder "os fatos históricos da esquerda", dos cidadãos locais.
Vejam bem, nós temos muitos dados da cidade. Tais como a história de figuras importantes como Maxíminio Antônio de Camargo, Maria Helena Marcondes, Major Guilhermino Mendes de Andrade, Coronel Bertoldo, Major José Francisco Mineiro, entre outros. Mas nada significativo é demonstrado pela prefeitura quando se refere a esquerda dentro da região.
Um exemplo são os casos de Picida e Machadinho. A primeira foi uma professora e diretora competente especialmente dentro do Bairão, que foi a primeira vereadora de Santa Isabel. Além de ter sido a primeira prefeita da cidade, fato que tratarei mais a frente, mas que demonstra o coronelismo ainda reinando aqui. Já Armando Machado, também sendo um professor de história, que fomentou o teatro local, muitas vezes tem parte de sua contribuição política apagada. Pois, além de diversas feitas por ele aqui, é o fundador do PT no nosso município.
De onde vem essa mania dos governos de querer esconder os fatos? A história é o estudo da verdade, não importa como ela seja. E isso fica mais triste quando nós notamos que pessoas dentro da prefeitura, que se autointitulam de esquerda, não correm atrás desses fatos. Especialmente quando eles fazem partes de pastas como Cultura, Turismo ou Ações Sociais. 
O Espaço Aberto SI tem que ser escrito para manter essa parte (além de outras) do passado de nossa cidade viva!

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

A trajetória do teatro em Santa Isabel


O teatro em Santa Isabel possuiu vários interessados em criar grupos dessa arte. Desde muito tempo.
No bairro, 13 de Maio, próximo de onde se ergueu o obelisco da comemoração a Abolição da Escravatura. Naquela área, os livros de Ata da Câmara Municipal - cujo início remonta ao ano de 1833 - dão pistas que ali seria uma região de vanguarda, com ideais de abolicionistas. Então, com isso surgiram ideias de construir um teatro. Porém, por muito tempo sua construção foi paralisada.
Depois disso, o lugar que seria usado para isso, muitos anos mais tarde, se tornaria a Câmara Municipal e Salão Nobre de Santa Isabel.
Através de Iuri Rodrigues, vi uma notícia do Jornal Tribuna de Santa Isabel. Era de 1978. Nela, fala sobre a iniciativa de um grupo em fazer uma peça, mesmo se tratando de amadores, mas que fizeram isso com grande afinco. Ao que parece Armando Machado foi o responsável pelo texto da peça, além de participar dela. Alguns dos nomes que participaram do espetáculo, além de "Machadinho", foram Adail Souza, Nathan, Maria da Graça, Agnelo e Luiz Chiquinho de Assis. 
Lembrando que Armando já contribuiu de outros modos com peças de teatro.
Muito é dito sobre Netto Maia também.
Mas voltemos um pouco no tempo. Um dos primeiros grupos de teatro que se tem notícia é justamente o grupo do Armando Machado que se apresentou pela primeira vez em 1978, com a peça “Linha de Fundo” de autoria do próprio Machadinho. Faziam parte do grupo Adail Souza, Maria da Graça, Nathan, Agnelo e Chiquinho de Assis.
Em meados dos anos 80 e 90, o agitador cultural Homero Vallone reunia alguns jovens da época para realizar performances, peças de teatro e desfile de modas em uma espécie de agência, a Natural Tipos & Tipos.
O poder público foi responsável por fomentar a arte dos palcos ministrando diversas oficinas criativas. Dessas oficinas nasceram três Mostras teatrais e grupos como o Perséfone, que se apresentou no Cine Teatro Montenegro com enorme sucesso as peças “Rua São Luiz, 27 8o andar”, “Morte em 4 atos” e “Lar doce lar” todas com direção de Luciene Barduchi.
Já nos anos 2000 surgiram grupos independentes do poder público quais se destacaram as ações da ONG Metrosejos dirigidos pela isabelense e atriz Amabile Luz e o Subteatrágicos que sob a direção de Horn, experimentavam e criavam a partir do teatro físico, como na peça “Paixões” apresentada no Auditório da igreja Matriz.
Além deles tivemos também os grupos e oficinas de teatro. Mas aqui enfoco o esforço de Iuri Rodrigues, com o grupo teatral Manceira. Lembrando que ele é sobrinho de Armando Machado. Ou seja, o amor pela arte é algo de família. Ele já foi encarregado da Paixão de Cristo dois anos seguidos (2014 e 2015), além de participar, dirigir e até escrever algumas peças. Como Badaroska, Fragmentos de Maria, Valsa nº 6 entre outros. Lembrando que esse último foi exibido na Bolívia. Incluindo alguns trabalhos para a prefeitura de Santa Isabel, em escolas do município.

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

"Pelos Estreitos Becos da Vida" de Armando Machado

Esse é um dos livros de um escritor isabelense Armando Machado, o “Machadinho”. Selecionou cento e uma crônicas escritas por ele nos jornais Voz Ativa e Novo Tempo. Tudo isso ao longo de dez anos, entre 1985 e 1995.
Com um teor regional e isabelense, após muito lermos, notamos que seu trabalho é mais abrangente. Suas histórias ocorreriam em qualquer cidade. Só que como membro da cidade, ele cria belos contos por toda a Santa Isabel. De sua época.
Entre outras de suas obras estão Sem Prorrogação (1978) e Linha de Fundo (1986) da categoria teatro.
Foi publicado pela Editora Terra Brasilis, com prefácio de Gilberto Antônio Batista Neve, “Giba”. Com 228 páginas.
A seguir uma das crônicas desse livro, O bailarino:
“A autoridade de plantão foi informada pelo telefone, de que havia um elemento estranho dançando na Avenida Brasil. As coisas não andam bem, se sabe. Está todo mundo, como diria o meu amigo seu Werneck, chamando urubu de meu louro, mas dançar de madrugada, em plena Avenida Brasil, só poderia ser coisa de louco. A fim de tranquilizar a população daquele ordeiro bairro, uma Rádio Patrulha dirigiu-se para o local indicado pelo denunciante anônimo e, de fato, lá estava o sujeito que se movimentava de um lado para outro numa atitude característica de quem ensaiava passo de balé clássico. A primeira impressão que os policiais tiveram foi a mesmas de qualquer pessoa normal, policial ou não.
-O cara é doidinho de pedra. – disse um deles
-Não tenho dúvidas. – concordou o outro.
-E agora o que é que a gente faz? O cara está na dele. Dançar não é crime. Não vejo embasamento legal para prendê-lo.
Pareceu mais lógico para os policiais tentar um contato. Afinal, é conversando  que a gente se entende.
-Algum problema aí, cavalheiro? – perguntou o motorista da viatura.
A misteriosa figura não respondeu e continuou no seu leve bailado. Movimentava-se concentrado numa música que, possivelmente, só ele ouvia. Em circunstâncias normais, à luz do dia, por exemplo, os policiais iriam embora e deixariam o bailarino envolto em sua arte. Mas um deles observou que, caso o bailarino parasse de se movimentar, congelaria. A umidade e a friagem da noite estavam mais propícias para um congresso de pinguins do que para um espetáculo de balé. A coisa estava nesse pé quando um dos policiais sugeriu que fossem embora e deixassem o sujeito em paz:
-O cara não está perturbando ninguém. Muito pelo contrário, ele é quem deveria estar aborrecido, pois propicia um espetáculo à luz do poste e não tem sequer uma platéia que o aplauda.
-Espetáculo? Você disse espetáculo? – Questionou um outro policial.
-Claro! Pode até não ser dos melhores, mas eu já vi coisa pior.
-Onde?
-Não interessa. Qual a sua idéia?
-Muito simples. O que espera o artista, quando se apresenta em público?
-O reconhecimento da plateia.
-E de que forma a plateia manifesta esse reconhecimento?
-Aplaudindo, é claro.
-Então, vamos aplaudi-lo. Ele entenderá que o espetáculo terminou e irá embora.
Não deu outra. Os policiais juntaram-se diante do bailarino e o aplaudiram fervorosamente. O artista curvou-se duas ou três vezes como se agradecendo à entusiasta plateia e retirou-se. Sem violência, com bom senso e inteligência os componentes daquela viatura policial resolveram e, é claro, também foram embora.
Coisa de uma hora depois, quando as altas e sonolentas horas da madrugada se faziam ainda mais úmidas e frias, a autoridade de plantão pelo telefone, que havia um elemento estranho dançando na Avenida República, próximo à Praça da Bandeira.

Junho/93”

Há um vídeo inspirado nessa crônica.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Artes cênicas em Santa Isabel


Devia ter feito muito mais... Porém, contemplem esse humildes videos de quem escreve sobre esses talentos.
Fragmentos de Maria. Peça escrita por Bertho Horn, adaptada e dirigida por Iuri Rodrigues em 2014. Performance por Regiane Mello.


Texto pelos Pelos Estreitos Becos da Vida do escritor isabelense Machado. Performance e leitura feita por Iuri Rodrigues, Emerson Bicudo e João Oliveira.
Esses fragmentos das peças foram interpretados por membros do Grupo Teatral Manceira. Além de colegas e grandes amigos.