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sábado, 30 de outubro de 2021

Lendas de Santa Isabel: Como ser um bom violeiro?

Minha tia comentou sobre como meu avô fazia para que seu som saísse bem. Como um homem de fazenda, ele sempre gostou de tocar seu violão. E sempre o fazia em festas, como os shows no Viola Dourada. Para que ele obtivesse uma sonoridade boa de seu instrumento era bem simples: ele ia atrás de uma cascavel. 
É que dizia-se, nas superstições, que deveriam se arrancar dessas serpentes o chocalho (a parte da cauda que faz um barulho bem característico), para se colocar nos instrumentos. O violão ficaria melhor para ser tocado e teria uma sonoridade boa. É ao menos o que alguns falam.

segunda-feira, 3 de maio de 2021

Causos de Santa Isabel: A teimosia de Chico Bicudo

Sempre falei que minha família, os Caraça, é formada por pessoas teimosas. Mas achava que isso era só na nossa atual geração. Meu avo, Francisco Bicudo Caraça é a prova viva disso.
Do começo de sua vida, até o final dela, ele sempre foi um homem trabalhador. Até onde sei, sempre foi esforçado e fez vários serviços. Um deles era o de levar burros para comer. Parece algo simples, mas é extremamente complicado, visto que esse animais podem "empacar" no meio do caminho.
O problema no caso, não eram os burros. Mas sim seu cavalo. Quando guiava os animais determinada vez, enquanto subia um morro em cima de sua montaria, ela teria desequilibrado. Então, os dois caíram. Mas o equino não caiu longe de seu dono, mas em cima de sua perna.
Ao se tratar do machucado, foi dito que ele teria que se ausentar e descansar um pouco. O problema é que isso teria acontecido no começo da semana, e no sábado seria seu casamento com Ana Ferreira. Acha que ele desistiu? Não. Ele usou um porrete para caminhar na semana, e assim, sua noiva passou a se chamar Ana Ferreira Caraça.
Francisco usaria porrete várias vezes na sua vida, mas isso seria mais por uma questão de apoio mesmo, pois se recuperou bem da queda.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2021

Figuras notáveis de Santa Isabel: Francisco Bicudo Caraça, o Chico Bicudo

Francisco Bicudo Caraça nasceu em 6 de Maio de 1918, no Bairro do Funil, em Igaratá. Viveu o começo de sua vida com os familiares no Redentor. Perto de onde seria a futura escola Joaquim Simão.
Viajava mais para Santa Isabel, pois a estrada para Igaratá passava pelo Monte Negro. Porque antes não existia a estrada do Ouro Fino como a conhecemos hoje. Mas com a inundação da represa isso mudou.
Ele morou por lá e depois veio para Santa Isabel, três anos depois do falecimento de sua mulher Ana Ferreira Caraça, devido a problemas no parto de uma das filhas. Ela também faleceu.
De filhos com Ana deve Benedita, Teresa, José e Luiz. Era para ter duas filhas (Maria e Maria Aparecida), mas morreram muito cedo.
Sempre trabalhou na lavoura e foi retireiro de leite, trabalhando até com Zico Machado.
Gostava de tocar no Viola Dourada, ao qual era sempre trazido pelo seu filho José ou pelo sobrinho João. Tocava até de madrugada modas de viola como Tonico e Tinoco, Tião Carreiro, entre outros. 
E viveu boa parte do fim de sua vida no sítio dele, ao ponto de, na véspera de sua morte estar trabalhando. Carpinando.
Deve três netos. Dois são irmãos. Reinaldo (formado em física) e Ricardo (formado em direito). O outro é Luis Eduardo (formado em história). Se ainda estivesse vivo, ainda teria um bisneto, John.
Era um homem forte do campo. E se acreditasse que temos as características de nossos ancestrais, como um Caraça, eu falaria que puxamos dele a teimosia. Que nos faz ter sucesso no que queremos.