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quarta-feira, 4 de maio de 2016

Cultura gótica: uma visão através de conhecimento NÃO empírico

Novamente falo sobre esta tribo urbana. O motivo de escrever é que conheço uma parcela de pessoas que moram aqui e fazem parte desse grupo. E como parte dessa cidade, fazem parte de sua cultura.
Além disso quando citar determinadas bandas, muitas vezes posso errar ou esquecer uma. São tantas que nem sempre estou a par de tudo. Levei um mês para fazer mais uma vez a pesquisa sem ajuda em nada. Então POR FAVOR coloque se eu falhei ou não coloquei determinada banda X. E POR FAVOR critiquem o texto, não descontem sua raiva em mim!

Bauhaus
Primeiro, já devo ter falado que odeio o termo subcultura. Mesmo vendo isso em textos como o de Kipper em seu livro A Happy House In a Black Planet: Introdução a Subcultura Gótica, eu acho esse termo ralo, ou seja sem tanto sentido. Pelo outro texto que coloquei aqui falando sobre subcultura "[...]Na antropologia e sociologia, a subcultura é normalmente associada com grupos de pessoas. Quase sempre uma parcela minoritária que representaria uma subdivisão de uma cultura que lidera sua comunidade. E podem se unir quase sempre por motivos de diversos tipos: etnias, idade, religião, filosofia, estética, conceitos, entre tantas outras coisas. Muitas vezes, uma subcultura defini-se como oposta a cultura dominante. Mas nem sempre é esse o caso". Só que em minha sincera opinião "O que me faz ser contra o termo subcultura esta nisso: se analisarmos, os grupos são rebaixados no uso da referência "subcultura". Afinal, estão a margem de uma "cultura maior". Não existe, na minha concepção, cultura "que tenha maior ou menor importância". Todas tem sua relevância, variando da região". Sub é um prefixo que quase sempre significa inferior ou substituição o que não faz sentido para isso. Apesar de muitos tratarem ela como um "subcultura", eu prefiro colocar ela como uma cultura, visto que ela possui uma grande e vasta quantidade de conhecimentos, além de traços únicos.
Edgar Allan Poe
A origem do nome é ligada (não exatamente ligada, mas recebe influência) do povo godo, um dos povos bárbaros que deve grande importância histórica a partir de 98 d.C. mas sua origem parece ter sido em 1490 a.C. Existem muitos poucos registros sobre esse povo, tanto por parte deles, quanto de seus inimigos. Como uma tribo nômade, constantemente mudavam sua localização, além de serem conhecidos por possuírem mais de um grupo com essa origem (como os visigodos e ostrogodos) que tiveram costumes, caminhos e influências diferentes. Entretanto, certos aspectos nunca mudavam. Isso na verdade, é só para mostrar a fonte do nome.
É como quando nós falamos sobre arianismo, que possui mais de um significado. Sempre é bom termos pleno conhecimento de sua origem.
O termo gótico, como seria usado séculos, foi empregado para classificar uma tendência arquitetônica no Renascimento (Idade Moderna). Muito comum em catedrais, iniciando pela França e se espalhando pelo Velho Mundo. Fugindo dos padrões romanos, seguindo o estilo considerado "bárbaro". Entre algumas das maiores obras desse estilo esta a Cadetral de Notre Dame.
No século 18, ele mais uma vez surgiu como um termo para uma das variedades da literatura romântica. Normalmente se associando a textos que fossem mais medievais, sombrios ou macabros. O que é engraçado, vendo que os godos, o povo que seria a origem do nome, veio lá da Idade Antiga. Quase no fim dela... Ainda assim... Muitas vezes inspirados em construções de origem gótica do renascimento. Lembrem que o período chamado Idade Moderna esta quase acabando. Existiam quase sempre histórias criadas com personagens como bruxas, espíritos, monstros dos mais diversos tipo e torturas.
Em resumo, o termo foi tomando uma forma que poderíamos chamar como medieval, fantasmagórico e sombrio. O que eu como professor de história discordo plenamente. A Idade Média, não foi como muitos acreditavam uma "Idade das Trevas". Na verdade, isso foi um pensamento usado pelos Iluministas do Renascimento, querendo demonstrar que estavam em uma "Idade de Iluminação". No período dos feudos, existiam sim problemas, mas houve uma grande aumento demográfico na época. De qualquer forma, isso NÃO tem nada a ver com a tribo urbana mencionada no texto.
Este grupo, surgido mais ou menos na década de 80 tem um começo
Os góticos, assim como os punks e os hippies, surgiram devido a outro grupo. Aos beats que tiveram influência entre 1940 a 1950. Também conhecidos como beatniks, jovens de cabelos longos e se reuniam em bares (isso não era tão comum para muitos na época). Escutavam jazz underground, mas depois mudariam para o rock. Aos poucos, sub-gêneros do rock surgiam como o glam rock (onde os integrantes das bandas se vestiam com roupas extravagantes com letras amorosas). Estas seriam grande influência para bandas de pós-punk como Bauhaus, The Sister of Mercy e The Damned ("Mas peraí Luis, você falou que The Damned era punk?" As coisas podem mudar...), já que se preocupavam mais com seus visuais e letras mais sombrios. 
London After Midnight
No final dos anos 90 e início dos anos 80 surgem bandas como The Shroud, Rosetta Stone e London After Midnight, que tiveram influência dos grupos anteriores. Seriam algumas das primeiras a se caracterizarem e serem chamadas de góticas. Eles com certeza influenciaram bastante seus fãs tanto na forma de pensar e agir, como outras coisas.
Muitas vezes um membro dessa tribo se caracterizam por serem passivas, tranquilas e amigáveis. Eles não tem nenhuma doutrina religiosa específica, ou seja, se o cara é desse grupo ele pode ser católico, budista... ou qualquer que seja a fé do sujeito. Por isso, não use o termo GOTICISMO, sério. Acho que é quase tão perigoso que chamar um membro de moto-clube de motoqueiro(Dica: é motociclista). Isso soa com um teor "místico" e é algo que não esta atrelado a isso. Alguns deles se atraem por cemitérios, devido ao fato de se tratarem de lugares quietos, onde ajudam a reflexão. Muitas vezes por compreenderam a morte, não como um mal ou algo definitivo, e sim como uma passagem. Entre algumas características do estilo temos a apreciação da dicotomia, a divisão de um conceito em dois elementos. 
Muitas bandas hoje em dia pegam grande influência do estilo sonoro. Entre algumas bandas influenciadas e que são influências temos The Cure, Siouxsie and the Banshees, Lacrimosa, The Gazette e X-Japan (essas duas últimas são bandas de j-rock, e possuem muita influência no começo de carreira). Elas mostram sua fonte de inspiração, não só pela sonoridade, mas seus pensamentos nas letras. Hoje em dia temos algumas bandas como Diva Destruction, The Birthday Massacre, Lacrimas Profundere, 69 Eyes e Sopor Aeternus. Lembrando que esse estilo musical teria influenciado sub-gêneros (Gêneros! Não cultura) como o EBM (Electronic Body Music).

No seu visual de roupas, eles normalmente usam quase sempre tons escuros. Muitas vezes variando do branco ao roxo em outras. Sobretudo muitas vezes é usado por eles. Tons de pele bem pálido muitas vezes, além de usarem maquiagens para isso. Ironicamente, muitas pessoas confundem o estilo com punks. É engraçado, visto que na verdade os góticos tem influência do pós-punk, um sub-gênero do punk. Só deixando claro, um gótico (assim como são tratados na Idade Média, um curandeiro, alquimista ou até mesmo um estudioso. Tá, nem tão pesada, mas compreendam o contexto), muitas vezes se sente atraído por assuntos diferentes: lendas sobre fantasmas, vampiros e assuntos fora do comum. As pessoas da sociedade enxergam isso de modo errado muitas vezes. Como algo "maligno". E não tem nada a ver com isso. As vezes só é algo para leitura ou estudo.
Bem, muitas vezes as pessoas que não conhecem esse estilo acreditam que um membro dessa tribo só escuta um estilo musical. O que não é verdade. É certo que muitas vezes são influenciados na sonoridade mais clássica, mas isso não é prerrogativa máxima. Podendo escutar muitas vezes bandas da vertente do rock e metal. Assim como não é uma "verdade absoluta" que as pessoas são tristes sempre. É impossível algo assim! Eu poderia colocar uma brincadeira aqui, mas alguma pessoa mais rígida nessa tribo poderia ficar bravo. Sério.
Antes que alguém me xingue, vejam que não sou membro dessa tribo. "Então, não deveria se meter a escrever sobre isso". Okkk. Então, para falar de uma cultura eu devo participar dela? Sou formado em história e como tal não participei da cultura celta ou germânica. Só por não ser conhecimento empírico, ele não deixa de ter seu valor.

quinta-feira, 7 de abril de 2016

Outra visão da contra-cultura e subcultura


Já escrevi que cultura é uma grande variedade de traços, costumes e conhecimentos dentro de uma sociedade. E que não necessariamente precisa surgir de um grupo letrado, altamente “civilizado”. Assim como os indígenas, astecas, maias e incas americanos ou aborígenes australianos. Eles não possuem uma escrita, como a conhecemos ou não a utilizam mesmo, só que de qualquer forma possuem uma simbologia, crenças e outras coisas que notamos parte de uma cultura.
Bem, já que vimos isso, recentemente li em um livro que o termo subcultura seria uma fusão de culturas dentro da sociedade. O que eu considero, sinceramente, sem sentido. Um exemplo que li são as “subculturas regionais” no Brasil sendo cada uma diferente da outra. Mas esses fatos nas culturas (sim para mim SÃO culturas) variam por região, costumes, geografia e história, entre outras coisas.
Se vamos tomar isso como verdade, então a religião católica é uma subcultura. Ela une as filosofias do mazdaísmo, mistraísmo, judaísmo, gnoticismo e maniqueísmo, por uma visão dos romanos, antigo povo pagão. Sem contar salmos na bíblia que foram claramente inspirados em preces egípcias. E isso pode ser usado para todas as religiões, povos, etnias e grupos de todo o mundo e definir assim.
Além disso, podemos falar sobre a contra-cultura. Ela simboliza um repúdio a ordem vigente que impera na sociedade atual. Mesmo assim, ainda usa de artifícios da cultura comum como a conhecemos. Em diversos pontos vemos isso nas suas ações. Dentro dos meios usados por seus praticantes temos show, passeatas, festivais, discos, livros, jornais, revistas, panfletos e grafite. Bem, boa parte do que foi escrito aqui, me lembra eventos artísticos comuns. Talvez não com a mesma finalidade, mas de qualquer forma usam o mesmo caminho.
Desde já digo que não sou contra os “diferentes tipos de cultura”. Quero só mostrar diferentes visões sobre o assunto. Quem só elogia, sem demonstrar críticas necessárias para a melhor compreensão de um assunto... Ou é por falta de conhecimento OU realmente não gosta daquilo. Duvidar as vezes é necessário.

sábado, 5 de março de 2016

Subcultura: um grupo diferente de cultura?


Sub é um prefixo que significa, normalmente, inferioridade, aproximação ou substituição. também pode significar falta de algo. Normalmente os textos em que aparecem palavras com esse traço, remetem a algo mais baixo, de categoria menor, ou abaixo.
Na antropologia e sociologia, a subcultura é normalmente associada com grupos de pessoas. Quase sempre minoritário que representaria uma subdivisão de uma cultura que lidera sua comunidade. E podem se unir quase sempre por motivos de diversos tipos: etnias, idade, religião, filosofia, estética, conceitos, entre tantas outras coisas.
Muitas vezes, uma subcultura defini-se como oposta a cultura dominante. Mas nem sempre é esse o caso.
É comum que alguns traços sejam compartilhados por pessoas desses grupos, ou tribos urbanas, como gostos, visuais (tanto em vestuaria, como no caso de góticos ou penteados diferentes, no caso dos punks), e traços de pensamento. Cada uma, normalmente possuindo signos diferentes. 
O que me faz ser contra o termo subcultura esta nisso: se analisarmos, os grupos são rebaixados no uso da referência "subcultura". Afinal, estão a margem de uma "cultura maior". Não existe, na minha concepção, cultura "que tenha maior ou menor importância". Todas tem sua relevância, variando da região.
Recentemente, o uso desse termo por pessoas dentro de um grupo gótico deixou-me incomodado. Primeiro, pois preferiram comentar lá sobre meu texto. Sim, ele esta errado sobre a "cultura gótica", mas prefiro ouvir as críticas do que só ouvir pelas costas. Como isso me entristece. A cultura brasileira, africana, japonesa, delta, egípcia, muçulmana, judaica, budista, shaolin, atlante, whovian, DCiana e marveliana é rica, não importa o que os de fora digam. E até mesmo os de dentro. Quando vejo que as pessoas, mesmo esclarecidas sobre seu padrão cultural esquecem disso... Me dá um aperto no coração. E só voltando a aquele debate no Facebook. Se acham que eu seria defendido por alguém, meu blog nem é tão comentado. Colocarei aqui uma imagem do meu fluxo de visitantes e a quantidade de comentários nela. Quase sempre quando tem 2 ou 4 comentários, o segundo sempre é minha resposta.
Não gosto de tomar lados. Mas se fosse o caso, sou bem mais a favor da contra-cultura, visto que ao menos se colocam em uma posição mais firme.