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segunda-feira, 20 de julho de 2026

O ZabéCon, o evento de RPG e história em quadrinhos de Santa Isabel

Santa Isabel Recebe a 1ª ZabéCon - Feira de Quadrinhos e RPG  
No dia 25 de Janeiro de 2025, a cidade de Santa Isabel foi palco da 1ª ZabéCon, um evento imperdível para todos os amantes da arte e da criatividade. 
O evento aconteceu na Escola Oscar Ferreira de Godoy, localizada na Rua Fernandes Cardoso, 240, em Santa Isabel - SP. A entrada foi
gratuita, tornando a ZabéCon acessível para todos que desejam aproveitar um dia repleto de cultura e diversão! 
A ZabéCon é fruto de um projeto contemplado pela Lei de Incentivo à Cultura Aldir Blanc, que fomenta o acesso às manifestações artísticas e culturais em todo o Brasil. 
O que você vai encontrar na ZabéCon? Feira de Quadrinhos: Descubra talentos locais e nacionais!, RPG, workshop e palestras 

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

O Dia do Quadrinho Nacional e como isso não influencia Santa Isabel


No dia 30 de Janeiro se comemora o Dia do Quadrinho Nacional. Essa data se refere a quando teria ocorrido a primeira publicação da história brasileira desse gênero. As Aventuras de Nhô-Quim, ou também chamado de Impressões de uma Viagem à Corte, do ítalo-brasileiro, Ângelo Agostini, em 1869.
Muitos sites, blogs e outras redes de informação virtual só repetem que esse é o primeiro quadrinho da história no Brasil. Só que essa não é uma realidade fundamentada em fatos, já que Agostini não foi o primeiro brasileiro a produzir quadrinhos. Só um dos mais conhecidos. As vezes, existem informações passadas sem serem verificadas. Apontam para um específico momento histórico e o determinam como o marco fundador e ponto. Gerando uma data comemorativa.
De qualquer forma, a data não comemora apenas o acontecimento no ano de 1869, mas os trabalhos em histórias em quadrinhos com origem nacional. Mas o que seria isso então?
Uma obra produzida em solo brasileiro? Um quadrinho feito por brasileiros? E se ele for lançado antes em território estrangeiro e depois no Brasil? Ele continua sendo nacional? Se a produção for uma colaboração de um brasileiro com um estrangeiro? Ainda tem caráter tupiniquim?
Para tentar chegar a minha resposta, usarei uma fala do ator Denzel Washington e o filme Turista como exemplo.
Em uma entrevista onde promove seu filme "Fences", Denzel explica o motivo de ser tão importante o fato de ter um diretor negro nele. Não era uma questão de cor, mas de cultura. Steven Spielberg fez A Lista de Schindler e Martin Scorsese fez Os Bons Companheiros. Tanto Spielberg poderia dirigir o filme de Scorsese, quanto o contrário seria possível. Só que suas experiências culturais são diferentes. 
Só deixando claro, Spielberg é descendente de judeus, povo perseguido antes e durante a Segunda Guerra Mundial, que trata de quando diversos judeus foram salvos por um único empresário, também judeu. Já Scorsese trata de uma história real sobre como foi uma história envolvendo italianos da máfia nos Estados Unidos, sendo um diretor italo-americano.
Isso demonstra meu ponto sobre como é necessário que exista alguém inserido nesse universo da nona arte, para tratar sobre ela. Agora, através do filme Turistas, eu demonstro como ter um diretor que não está envolvido pode gerar um problema para diversos setores culturais.
"Antes mesmo da estréia, o filme Turistas causou uma polêmica sem igual, sob a acusação de retratar o Brasil como um país hostil que tortura seus visitantes roubando seus órgãos. A faladeira começou desde o lançamento do trailer – que começa com a frase 'Num país onde vale tudo, tudo pode acontecer! Num país onde tudo é permitido!', – e ganhou força impressionante quando o programa global Fantástico exibiu uma matéria sobre o longa. Entre ameaças da Embratur – órgão responsável pelo turismo no Brasil – de banir o lançamento do filme no Brasil, campanhas de boicote via email e orkut, o filme chegou[...]
O longa-metragem traz seis jovens que, após sofrerem um acidente de ônibus no local que eles achavam ser 'no meio do nada', descobrem uma cidadezinha onde resolvem passar o resto dia e festejar à noite. Isso corresponderia às férias perfeitas, se não fosse pelo fato que no dia seguinte eles acordam e descobrem que foram drogados e roubados. Então, enquanto tentam descobrir onde estão, cada vez mais vão entrando na floresta e, a cada passo que dado, mais longe ficam de conseguir escapar dessas férias.
[...]Marcos Rangel, que faz parte do elenco do filme. 'Fomos enganados', afirma Marcos, em entrevista ao G1 por telefone, 'nos usaram e ainda denegriram a imagem do nosso país'."
Isso sem contar que o filme, que é de terror foi muito ruim. O que parecia ir para uma temática de terror pesado, na verdade é um suspense bem fraco. Ao ponto de chamar mais atenção, apenas pela polêmica. O que não sustentou o longa-metragem. Ao ponto de usarem a música Fico assim sem você de Adriana Calcanhoto, que não combina em nada com o clima do filme até então.
Foi considerado um fracasso.

Então vemos a necessidade de ter pessoas em determinado grupo cultural, para que o mínimo seja feito com competência. E não podemos ver isso na atual gestão cultural de Santa Isabel.
Houveram esculturas feitas de papercraft de um artista arujaense, nos últimos anos, a partir do Dia do Quadrinho Nacional. O problema nem está em ser um artista de fora do município, mas que boa parte de seus trabalhos se relacionam com personagens de filmes, séries e games, com poucas obras ligadas aos quadrinhos. Podemos usar um exemplo como a obra de Luciano, o artista em questão. Ele fez uma versão do Homem-Aranha, do Universo Cinematográfico Marvel. Notem: para o cinema, filmes.
Isso não incentiva o uso de histórias em quadrinhos, de forma apropriada, para leitura. Poderíamos citar obras brasileiras que ficaram famosas, como a HQ, Umbrella Academy, que tem ilustrações de Gabriel Bá. Sim, se tornou uma série pela Netflix, mas há maior liberdade criativa nas páginas de uma revista. Do mesmo modo, existem novos escritores e ilustradores com trabalhos como da Universo Guará. Quase todas baseadas na cultura brasileira, como Santo, Cidadão Incomum, Eu sou Lume, Pérola, entre outros. Ignorados até agora.
Aqui mesmo em Santa Isabel, vemos essa "cegueira seletiva". Temos trabalhos como os fanzines do Cidão, Wesley Hudson, os diversos trabalhos em livros de Jack Azulita e os trabalhos para RPG de Luis Eduardo Caraça Tavares. O próprio Jack participou da Comic-Con, o maior evento nerd do Brasil, no ano de 2022 e anos posteriores. Então, enquanto não valorizarmos nossa cultura, nossas obras, como poderemos passar isso as futuras gerações de forma competente?

terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Figuras notáveis de Santa Isabel: José Coelho Porto

José Coelho Porto era filho de Joaquim de Souza Porto e Etelvina Maria da Conceição, tendo nascido em Santa Isabel em 5 de Dezembro de 1908, falecendo em 22 de Março de 1988. 
Casado com a senhora Celina Vieira Porto, teve três filhos: Everaldo, José Carlos e Clóvis Vieira Porto, que já foi vice-prefeito de Santa Isabel. Coelho, como era tratado por todos, passou sua vida contando dinheiro que entrava e saia da Prefeitura Municipal, onde por mais de trinta e cinco anos, onde exerceu o cargo de tesoureiro. Coelho viu passar pelo comando da prefeitura diversos prefeitos, diante de um caráter incorruptível e amigo de todos, segundo o que Virgílio Frúgoli escreve sobre ele.
Ele tinha um hábito interessante. Gostava de ler o Gibi, revistinha de crianças, surgida na época, permanecendo muitos anos com suas histórias de aventuras. Virgílio Frúgoli, ao escrever sobre esse Gibi, comenta sobre o "caráter de fazer coisas que não prestam das revistas do gênero". Mas o próprio não sabia o sobre o assunto

Um dicionário de português brasileiro hoje certamente trará a definição de gibi como “nome dado às revistas em quadrinhos” — ou algo parecido com isso. Nos anos 1930, contudo, o verbete tinha cunho racista: era “menino negro”, “negrinho”, “tipo feio e grotesco”.
Em 12 de abril de 1939, há exatos 85 anos, a editora O Globo lançou uma revista em quadrinhos chamada Gibi. Na capa, como um símbolo, todos os números traziam uma representação estereotipada negativamente de um menino negro, o tal “gibi”, mascote que emprestava nome à publicação.
Os traços eram carregados de um viés pejorativo e discriminatório. Em conversa com a BBC News Brasil, a cartunista Laerte definiu essa ilustração como “um menino negro como se desenhava em tempos de racismo livre”.

A verdade é que Virgílio Frúgoli e diversos adultos (como funcionários da Cultura e Turismo, assim como da Prefeitura de Santa Isabel) sempre viram histórias em quadrinhos como uma arte infantil. Esquecem obras que tratam de histórias reais de forma mais simples (como Maus de Art Spielgman), ficções mais sérias (como Soldado Desconhecido de Garth Ennis, ou O Eternauta de Héctor German Oesterheld), obras fantasiosas mas sérias (como Sandman de Neil Gaiman), ou que revisitam personagens clássicos com novas perspectivas (como Patrulha do Destino ou Homem-Animal de Grant Morrison), entre tantas outras obras. Enquanto eles caracterizarem apenas como coisa de crianças, essa arte será marginalizada ao se tratar sobre ela.
Sobre Coelho, ele exerceu o cargo de prefeito interino, no ano de 1947.