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quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

Dr. Antônio de Castro Freitas: Juiz que levou energia elétrica à Igaratá

O magistrado nasceu em São Luiz do Paraitinga em 1887, filho de Antônio de Lourenço de Freitas e de Maria Diniz de Castro Freitas, era casado com Marieta de Camargo Calazans de Freitas, progênita do comerciante e influente político de Paraibuna, Major João Elias Calazans e Sra. Maria Francisca Calazans.
O eminente juiz deixou São Luiz do Paraitinga aos 16 anos para ganhar a vida na capital e matriculou-se no curso preparatório para ingressar na Faculdade de Direito do Largo São Francisco, o ingresso ocorreu em dezembro de 1903.
A formatura ocorreu em 1907.
Em 20 de Janeiro de 1908, recebeu a nomeação para assumir a Promotoria Pública da cidade de Jambeiro, no Vale do Paraíba.
Numa visita que fez à Paraibuna, conheceu a esposa Marieta Calazans com quem se casou em 1910, o casal teve 11 filhos, cinco homens e seis mulheres.
Em 1913, as filhas Suzana de 2 anos e Hortência de 1 ano foram acometidas da bactéria “Bordetella pertussis”, popularmente conhecida como “tosse comprida” ou coqueluche, uma doença respiratória altamente contagiosa que as levou à óbito, a vacina foi desenvolvida em 1926.
A perda precoce das filhas abateu profundamente o casal, o jovem Promotor, depressivo, solicitou seguidas licenças para tratamento de saúde, até que em 1918, para fugir do ambiente que trazia lembranças das filhas, resolveu permutar a Promotoria de Jambeiro para Cunha com o Dr. Adriano Mendonça, titular daquela cidade.
Em 1922, pediu remoção para a cidade de Itu, tão logo chegou foi convidado a participar de uma comissão para comemorar o primeiro centenário da independência, a celebração se prolongou por três dias.
Após 15 anos de promotoria, buscando novos desafios, o Dr. Antônio de Castro Freitas, foi nomeado Juiz de Direito da comarca de Avaré, dois anos depois, em 1925, procurando aproximar-se dos parentes da esposa em Paraibuna, solicitou remoção para São Sebastião.
Em 27 de abril de 1927, foi removido para substituir o Dr. Norberto Francisco de Oliveira, Juiz de Direito de Santa Isabel, por tal transferência o Dr. Antônio de Castro Freitas enviou ao Secretário de Justiça um ofício de agradecimento.   
O togado encantou-se com a cidade, o clima saudável, a exuberância da flora, a fauna e a hospitalidade, tudo era fascinante, de tal sorte que nas primeiras semanas foi convidado a participar do natalício do tabelião do registro civil e presidente do PRP local, o Sr. Bernardino Nascimento Gonçalves, ao chegar a festa foi recebido pela consorte do aniversariante, a encantadora e virtuosa, Profa. Ana Moutinho Gonçalves, dona de uma beleza singular.
Após a recepção, o Juiz foi convidado pelo Dr. Domingos Castelo Branco, Promotor Público, a proferir uma saudação ao dono da festa. No discurso, ele enalteceu as qualidades do chefe político, do cidadão, do marido e do pai de família exemplar, terminou por agradecer a acolhida e por conhecer pessoas tão amáveis, após as palmas, foi abraçado pelos presentes.
A Banda Musical “Lyra Isabelense” executou inúmeras peças musicais, enquanto os comensais se deliciavam com as iguarias que foram servidas e trocavam conversas.
Na sala de visita, abriu-se um espaço para as contradanças, o Juiz e sua Marieta demonstraram destreza com a dança.
Ao final, as senhoritas Fina, Pequetita, Feia, Carmelina e Brasilisia incumbiram o médico Dr. Marcondes Cesar para falar em nome delas, saudar o aniversariante e o novo Juiz.
Com isso terminou aquela manifestação, sendo o Dr. Castro Freitas, a convite do Sr. Bernardino, acompanhado até a sua residência pelas pessoas presentes.
Com efeito, desde o início da sua passagem pela nossa comarca, o Dr. Castro empenhou-se pessoalmente em levar à Igaratá o benefício da Luz Elétrica, a cidade fazia parte da Comarca e sofria o flagelo da escuridão.
Foi assim que em 08 de setembro de 1928, acompanhado do Promotor de Justiça, Dr. Nestor da Fonseca Barbosa Pinto, do Sr. Firmino da Cunha Lobo, delegado de polícia, Dr. Pedro de Luca, médico, do Padre Américo Endrisi se dirigiram à vizinha Igaratá para a assinatura do contrato com o Sr. José Clau, responsável pelos serviços de instalação da Força e Luz daquela localidade.
A esposa Marieta Calazans, acometida de grave doença, faleceu precocemente em Jacareí, aos 25 de janeiro de 1932, com 42 anos.
O Dr. Castro Freitas permaneceu viúvo e faleceu em São Paulo, 1959, aos 72 anos de idade.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2023

Em 1919, o governador Altino vem para Santa Isabel

Com a inauguração da energia elétrica em 1914, pelo Prefeito Manoel Antônio Mendes, Santa Isabel passou a conviver com o desenvolvimento da cultura, turismo, educação, serviço, comercio e indústria. A Tecelagem Maggi, o Hotel do Comercio, hospedarias e pousadas, as Escolas Reunidas sendo 1 urbana e 5 rurais, 2 cinemas: Cine Oriente e Cine e Teatro Iris, Associação Recreativa Sete de Setembro, Banda Sete de Setembro e Banda Municipal, tudo contribuía para a alegria dos isabelenses e turistas.
Em 1916, assumia o Poder Judiciário de Santa Isabel o Doutor Tancredo do Amaral que atraído pelo encanto da cidade trouxe a esposa Maria Rita do Amaral e os filhos Florêncio e Marina, professores formados na Escola Normal de Pirassununga, para lecionar na cidade.
A professora Marina do Amaral, logo, conheceu o professor Benedito Ferreira da Costa que lecionava no Bairro da Figueira, foi amor à primeira vista, namoro, noivado e casamento agendado para 15 de maio de 1919 na Igreja Matriz do Rosário que outrora acolheu a Padroeira Santa Isabel até a inauguração da Matriz em 24 de outubro de 1929.
O Dr. Tancredo do Amaral era bem relacionado com o governo do estado, já havia ocupado o cargo de Secretário Estadual da Educação no governo de Albuquerque Lins e Chefe de Gabinete do Deputado Federal Carlos de Campos, assim convidou o Governador Altino Arantes para paraninfar a filha Marina.
No dia do enlace um forte esquema de segurança organizado pelo Coronel Ricardo Arantes tomou conta da cidade para conforto do governador e seus ajudantes de ordem comandado pelo Tenente Herculano de Carvalho, Santa Isabel nunca viu tanto carro oficial na cidade.
Junto com o Governador Altino Arantes veio o Deputado Carlos de Campos e esposa Maria de Lourdes de Souza Campos que paraninfaram a noiva no civil, pelo lado do noivo foram paraninfos o Comissário Nicanor Leite do Amaral e esposa Castorina do Amaral.
A cerimônia religiosa foi presidida pelo Padre Albino Frederico, vigário da paróquia, os paraninfos da noiva Gov. Altino Arantes e Sra., do noivo Major Antônio Benedito de Vasconcelos e esposa Maria de L. Vasconcelos Amaral.
Após o enlace, os convidados se dirigiram a elegante vivenda do Dr. Tancredo do Amaral, ornamentada de flores e engalanada com adereço de apurado bom gosto de Lídia de Assis, ali foi servido um lauto almoço na mesa em forma de T, onde, além dos noivos, seus pais e padrinhos, assentaram os ajudantes de ordem do governador, os Deputados Freitas Valle, Francisco Junqueira e Paulo Arantes acompanhados das esposas, sentaram, ainda, o delegado de polícia local Dr. Edmundo Pereira da Fonseca, o Pref. Manoel Antônio Mendes, Lídia de Assis, mestre do cerimonial e acompanhante das senhoras convidadas.
Ao champanhe, o Governador Altino Arantes brindou os noivos e familiares, agradeceu ao Dr. Tancredo do Amaral que levantou sua taça pela felicidade pessoal do Governador, paraninfos e todos os presentes.
Por volta das 20:00 horas a comitiva governamental regressou à capital. Assim noticiou o Jornal Correio Paulistano do dia 20 de março de 1919.