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quinta-feira, 13 de março de 2025

O grande incêndio na Karibê em 1974

Em 21 de Março de 1974, ocorreu um grande incêndio na Karibê. O incêndio se iniciou as 11h20m e durou até as 17 horas do dia posterior, destruindo totalmente o depósito de matérias primas da indústria têxtil.
Na então, Indústria Karibê de Confecções e Tecelagem Ltda., deve um prejuízo com toneladas de lã industrializada, fios sintéticos e viscose, além de produtos químicos que foram queimados.
Doze pessoas que trabalhavam no local na hora do fogo, saíram ilesas, com apenas queimaduras e princípio de intoxicação, graças a pronta intervenção da Brigada Especial Interna de Combate a Incêndios. Era formada por 40 empregados treinados semanalmente, para este tipo de acidente. Nos primeiros 30 minutos, eles atacaram o foco inicial e conseguiram isolar a ala industrial, onde existiam dezenas de máquinas. Mil e quinhentos metros quadrados da empresa arderam em chamas até a chegada dos bombeiros de Arujá, Guarulhos e Jacareí.
Disse o diretor técnico da Karibê, Henrique Cytrynowicz, que "o maior problema não é o prejuízo (avaliado em vários milhões) mas sim a renovação do estoque, pois estamos atravessando séria crise no setor de fibras sintéticas".
Ocorreu até mesmo uma reportagem no Jornal Folha de S. Paulo, na época. Especificamente no dia seguinte, em 22 de Março. Na época, minha mãe, Teresa Caraça, saiu mais cedo, devido ao incêndio. Mas na manhã seguinte, já deve que voltar a trabalhar. Isso se deve, pois não foi o setor dela que queimou, mas outro, que poderia ter muito algodão.

segunda-feira, 28 de junho de 2021

Juta: a primeira fábrica de Santa Isabel

Na década de 1930 instala-se na cidade sua primeira indústria, o que ocasionou uma leve modernidade e a transformação da pacata vila rural em um município vibrante.
Foi ele que doou o terreno para a construção de uma escola onde é agora a EE Professora Gabriela Freire Lobo. Na verdade, ali era o campinho da Fábrica de Juta.
Localizada em todo o quarteirão, onde hoje é a Galeria Central, a Fiação e Tecelagem de Juta Santa Isabel Ltda. era responsável pela fiação e tecelagem da fibra de juta para a confecção de sacos de estopa.
Os empreendedores vieram da cidade de Santos, em busca de uma mão de obra mais barata. Era afetada pela precariedade da energia elétrica, pela enchente e falta de chuva. 
A vinda da fábrica muda drasticamente a vida da cidade, trazendo o progresso para as famílias e comerciantes locais.
A firma tinha o nome de F. de Maggi Fábrica de Tecidos Santa Izabel e o gerente era o senhor Antônio Gonçalves de Mello. 
Os proprietários sucessivamente foram: senhor Ítalo Tellera, Manoel da Costa e o senhor Francisco Pereira de Souza. E por último assume a direção o senhor Guilherme Alfieri e seu escritório ficava em São Paulo. 
Nos anos 30,40 e 50 a tradição da fabrica era o apito de sua sirene no dia 31 de dezembro de cada ano. 
Em 15 de outubro de 1944, construído pelos próprios operários é fundado o Juta Esporte Clube, com seu grande campo (localizado onde hoje é a Escola Gabriela Freire Lobo) e o seu salão social onde acontecia os eventos e bailes, como o de carnaval. O clube teve como primeiro presidente o diretor da fábrica, Fernando Lopes (que hoje dá o nome a praça onde justamente era localizada a indústria).
A Fabrica contava com um escritório local onde trabalhava o senhor Manoel Fratini que se mudando para São Paulo foi substituído pelo senhor Joao Pio Ferraz. 
Nos anos 40 vieram mecânicos de São Paulo e um destes marca presença na cidade, o senhor Benedito Joaquim Pires, que ficou conhecido como Ditinho da Fiação. 
Incidentes aconteciam e um incêndio ocorreu à noite na seção da fiação e foi anunciado por uma pessoa que passou na rua e avisou o porteiro. Então o fogo foi controlado. 
A fabrica se interessava na instrução de seus operários e cede uma sala para que os professores da rede oficial dessem aulas aos operários que vinham da cidade e de Mogi das Cruzes. Também doa um terreno para a construção da Santa Casa. 
Em 1962 há uma greve de operários pelo atraso de pagamento de salário. 
A Grande Enchente de 1965 e o desenvolvimento tecnológico que colocou no mercado uma fibra sintética mais barata fizeram que no dia 28 de julho de 1967, a fábrica fechasse suas portas.

MELO, Luiz Claúdio. A Vila de Santa Izabel.14 de Janeiro de 2019.

segunda-feira, 6 de julho de 2020

Karibê: sua história

Originária da Alemanha onde, em 1947, os irmãos Cytrinowics - Arthur, Leopold, Gustav, Henrich e seu cunhado Josef Dori - formaram uma pequena fábrica. Inicialmente com três empregados, a Karibê S/A Indústria e Comércio instalou-se no Brasil. Em fins de 1954, estabelecida na Avenida Celso Garcia, número 3.404, em São Paulo, bairro do Tatuapé, em edifício com 700 m2, empregando 100 operários. 
Crescendo, já em 1956, a Karibê transferia suas instalações para sede própria, à Rua dos Chavantes, número 719.
A partir de 1969, os diretores da empresa compraram 1.200.000 m2 de terras em Santa Isabel, para onde foram transferidos os departamentos de produção. A fábrica contava com 2000 empregados. O que significava o sustento de 6000 pessoas, contribuindo efetivamente para o desenvolvimento sócio-econômico do município.  
Entre tantas vertentes a serem abordadas quando o tema é a influência exercida pela Karibê em Santa Isabel, o nome de Jean se destaca dentre muitas figuras importantes do contexto. Ex-funcionário da também empresa têxtil Paramount, Collard era um dos trabalhadores mais reconhecidos da filial paulista de tecelagem e teve papel decisivo na vinda da Karibê para Santa Isabel.
Jean já havia escolhido uma chácara tranquila de Santa Isabel para passar seu pouco tempo de lazer quando um dos sócios da unidade de São Paulo da Karibê manifestou a Collard seu desejo de abrir uma filial da tecelagem em Santa Isabel e lhe deu a missão de encontrar um terreno espaçoso que preenchesse os requisitos para abrigar a nova filial da empresa.
Na época em que desenvolvimento não era um atrativo do qual Santa Isabel pudesse se gabar, é de se espantar que uma empresa tão importante em seu cenário de atuação escolhesse construir uma unidade em um município que tinha o mínimo de estrutura para oferecer a aquele empreendimento que entraria na história.
Mesmo assim, um italiano de nome Gustavo que havia conhecido Santa Isabel através de Jean Collard, teve a iniciativa de trazer para o município um novo polo da empresa Karibê. A tarefa não seria fácil, já que por aqui não havia mão de obra suficiente para ocupar todos os cargos disponíveis pela empresa na oportunidade.
Após encontrado o espaço adequado em um ponto próximo ao centro de Santa Isabel, após o período de obras finalizado, teve início a difícil missão de encontrar mão de obra para atuar nos cargos específicos oferecidos pela empresa.
Quando a mão de obra isabelense já estava esgotada, empregados de outros municípios da região e de outros estados ainda precisaram ser contratados a fim de atender toda a demanda empregatícia da Karibê. Hoje pode parecer surreal, mas Santa Isabel teve o período em que sobravam oportunidades de trabalho.
Para atender aos trabalhadores que vinham de fora para atuar na tecelagem da Karibê, a empresa construiu três edificações que se parecem com pequenos prédios. Os quartos disponibilizados aos empregados, eram chamados de alojamentos e serviam de moradia durante a semana para aqueles que moravam longe de Santa Isabel.
Enquanto isso, Jean Collard geria o setor de tecelagem da Karibê, ficando responsável pela produção local. Ele conhecia a fio todos os detalhes da empresa, cada funcionário e suas peculiaridades
A amplitude das instalações da Karibê permite que se denomine o local como Vale Karibê.
No município, o setor têxtil local começou a despontar ainda na década de 50, quando em 1956, a Indústria Paramount comprou a Fiação Cianflone, de Santa Isabel. Após incorporações, mudanças de nome e diversas passagens que culminaram no fechamento da empresa, ocorrido já na década de 80.
Em 1988, o Grupo Bunge comprara a Karibê e no final dos anos 1980, a demanda por produtos de fibra longa crescia. O grupo enfrentava um gargalo e todo esse tipo de produto era produzido na Unidade Belenzinho, em São Paulo, que operava no limite de fios para tricô, crochê e malharia.
A solução foi adquirir a Karibê, um dos maiores fornecedores de fibra longa do mercado nacional. A unidade isabelense fabricava cerca de 230 toneladas por ano de fios e confecções voltadas ao inverno. A unidade Belenzinho se concentrava nos produtos de verão, desafogando a produção. A Santista Têxteis (divisão do grupo Bunge) transferiu a produção do Belenzinho para Santa Isabel em 1992, antes de encerrar as atividades da unidade de SP.
Em 1995, a Paramount adquire a Karibê, de Santa Isabel. Em 31 de dezembro de 2004, houve uma reorganização societária que resultou na incorporação da Paramount Lansul pela sua controladora integral, a Karibê teve sua denominação social alterada para Paramount Têxteis Indústria e Comércio.