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segunda-feira, 16 de junho de 2025

(Espaço Aberto Igaratá) Figuras notáveis de Igaratá: João Pretinho

João Batista dos Santos, mais conhecido como “João Pretinho”, nasceu em Lavras (MG), a 24 de Junho de 1948, tendo completado mais de 73 anos.
Ainda jovem, deixou Minas Gerais com destino a Jacareí para trabalhar em uma empresa que havia se transferido da sua cidade natal para o Vale do Paraíba. Em meados de 1962, com o fechamento da firma, conheceu Igaratá Velha e resolveu mudar-se para o local, onde conheceu Tereza Souza de Moraes (em memória), com quem foi casado por 48 anos e teve um filho (Fábio).
Muito querido por todos, João Pretinho, santista de coração, sempre foi apaixonado por futebol e chegou a jogar em diversos times da cidade, inclusive em Igaratá Velha, hoje submersa pelas águas da Represa do Jaguari, e a treinar crianças, jovens e adultos em diversas equipes igarataenses.
Na cidade nova, abriu um bar que levava o seu nome, na Rua José Alves de Almeida, que funcionou por 28 anos, não tinha hora pra fechar e deixou muitas saudades: “Em Igaratá, construí muitas amizades e é um prazer fazer parte desta grande família”, disse.

quarta-feira, 15 de setembro de 2021

A catira

A catira tem uma origem muito discutida. Alguns dizem que ela veio da África junto com os negros, outros acham que é de origem espanhola, enquanto estudiosos afirmam que ela é uma mistura com origens africana, espanhola e também portuguesa - já que a viola se originou em Portugal, de onde nos foi trazida pelos jesuítas.
A dança da catira é considerada a mais antiga manifestação da cultura caipira. Como dito, as versões sobre a origem do catira são muitas; a mais aceita é de que a catira é uma hibridização ocorrida entre os europeus e os índios nativos, remontando nos tempos da catequese, quando os jesuítas associavam as danças indígenas ao som da viola, de origem portuguesa, que aperfeiçoada, viera a formar a nossa afamada viola caipira para promover a pacificação e integração do índio através do entretenimento. Mas não nos esqueçamos que muitas vezes isso ocorria de forma violenta.
O catira era conhecido pelos indígenas como cateretê, que no tupi significaria algo como "dança religiosa".
Apesar de serem figuras violentas, os bandeirantes podem ser tratados como os primeiros caipiras do Brasil. E uma das bandeiras levantadas foi a expansão do território brasileiro. Com o contato deles, indígenas e jesuítas, o estilo foi difundido pela antiga Paulistânia (cultura, língua e tradições com origens em comum, que compõem o estado de São Paulo, parte dos estados de Minas Gerais, Mato Grosso, Goías e Paraná). Tudo isso, não só através deles, mas também com boiadeiros e tropeiros.
Pois em seus lugares de repouso e descanso, era costumeiro praticar a dança.
Os ritmos mais antigos dela são o recortado e a moda de viola:
  • o recortado é dançado ao mesmo tempo em que a música toca. Como no caso da música Jogo da Douradinha;
  • já no moda de viola é dançado apenas entre os intervalos de uma parte da música para outra. Como em Peão de Tanabi. 
Tião Carreiro popularizou o ritmo do pagode, que é mais frenético e que mistura o recortado e a moda de viola na dança. 
Vieira e Vieirinha são tratados como os "reis da catira", popularizando essa dança.
A dança catira não se limita apenas em bater palma e sapatear, constituindo-se num estilo de vida de quem está dançando. Naquele momento o dançador se esquece de coisas ruins, trazendo assim muita alegria e descontração, além da dança servir também como identidade familiar para os integrantes do grupo.

sexta-feira, 28 de maio de 2021

Sóco: de onde vem essa expressão?

Talvez tenha ouvido isso de alguém na cidade, "sóco" ou "ahh sóco". Mas o que significa? E de onde se origina? Bem, por incrível que pareça não veio de Santa Isabel, na verdade, nem surgiu no estado de São Paulo talvez. Ainda assim, se tornou algo corriqueiro, especialmente entre os mais velhos. Para tentar descobrir mais, entrei em contato com o professor João Paulo Munhoz Arantes, também conhecido como Pão. Ele é formado em Letras.
Como dito, João comentou que a expressão não é genuinamente isabelense. Algumas cidades no interior de Minas Gerais, utilizam essa expressão popular por lá.
"Sóco" é uma expressão, como se fosse uma representação sonora para as pessoas mais antigas, de uma exclamação. Onde a palavra é usada para situações onde a pessoa está espantada, ou ela quer enfatizar, ou querendo chamar alguém em uma forma de vocativo. 

segunda-feira, 8 de junho de 2020

As experiências do farmacêutico Benoni Silva

Talvez poucos saibam, mas antes de existir médicos e enfermeiros, boticários faziam as vezes de farmacêuticos. Assim, como mais para frente, muitas vezes os farmacêuticos eram como enfermeiros.
O senhor Benoni Silva, se tornou um farmacêutico conhecido na cidade. Com boas histórias para contar, vendendo e criando seus remédios.
Em 1954, o ônibus da Eroles parou de frente ao Bar do Amadeu e ali Benoni Silva desceu, vindo da Capital. Trazendo só algumas peças de roupa, anos atuando como profissional da área de farmacêutica e a disposto da primeira farmácia da velha Igaratá.
Viveu seus últimos anos na XV de Novembro, Centro de Santa Isabel. Caminhava de bengala, mas ainda possuía a fala firme e coerente tudo que viveu em Minas Gerais e São Paulo.
Nasceu em São José dos Campos e mudou-se para Rio Piracicaba. Essa cidade é do interior de Minas Gerais, com oitos anos, acompanhando seu pai que era ferroviário da Central do Brasil. A mãe de Benoni morreu quando ele era jovem e ele, irmão do meio, com nove anos de idade deve que trabalhar na limpeza de uma farmácia próxima de sua casa. Não demorou para que Benoni manipulasse os remédios do lugar.
O menino Benoni deixou o ensino médio para trás, pois seu pai queria coloca-lo no seminário. Eu não queria ser padre, queria era namorar, diz ele ao Jornal Ouvidor. Rio Piracicaba fica a 710 km de Belo Horizonte e quase 800 km de Ouro Preto, e com essa distância de grandes centros urbanos no estado, impediram Benoni de entrar na faculdade. Ainda assim, teria se formado na primeira turma do Curso de Oficiais de Farmácia de 1952, licenciado pelo Departamento de Saúde de Rio Piracicaba, anos mais tarde. Com este curso, não me tornei um farmacêutico de formação, mas consegui a licença para atuar como profissional de farmácia.
Quando adulto, ele trabalhou em farmácias próximas da rua São Bento e Praça da Sé, em São Paulo. Lá conheceu o dono de uma farmácia em Igaratá. E vendeu o ponto para Benoni.
Na Velha Igaratá, ele se tornou proprietário da farmácia Nossa Senhora das Graças. Por lá ficou seis anos. Lá ele atendia pessoas com receitas médicas. Entretanto, ainda assim ele era procurado para indicar remédios a alguns. Além de muitas vezes, acordar na madrugada indo até pacientes de charretes ou a cavalo. Lembrava até histórias clássicas de aventura.
Ele saiu de Igaratá, antes da represa Jaguari cobrir a antiga cidade. Em 1960 se mudou para Santa Isabel, onde montou a Farmácia São Pedro, que existiu na rua João Pessoa, no centro da cidade. Na cidade conheceu Isabel, com quem deve os filhos Valesca, Adauani e Osni. Além de estar na área farmacêutica, foi atleta. Para ser exato, centroavante nos times da cidade, além de representar a cidade em jogos de vôlei. Tem um troféu de 1993 em terceiro lugar de uma competição em Nazaré Paulista.
Benoni teria deixado de vez a farmácia em 2000 e junto com sua mulher dividiu sua atenção entre seus netos e bisnetos.
Falando sobre como via a farmácia Benoni disse: É capaz que a profissão de farmácia esteja melhor que no meu tempo, mas é certo uma coisa, ela não te permite as mesmas aventuras que um dia eu vivi.
Benoni morreu na semana que se comemora o dia do farmacêutico, em Janeiro de 2018.
A bisneta dela, Isadorah, me perguntou se eu o conhecia. Eu sabia pouca coisa sobre ele, mas era um nome conhecido da cidade. Mal sabia eu e ela, que já encontrei com ele duas vezes. Uma antes de nascer e depois quando mais velho.
Aqui vem uma parte pessoal: meu pai era alcoólatra e minha mãe trabalhava na fábrica Karibê. Ela era a única que trazia dinheiro para casa e tinha que tomar uma vacina em jejum. Só que ela não jejuou. Isso a fez ficar tonta e quase desmaiar na farmácia. Benoni a ajudou e lhe deu um café, para melhorar. Minha mãe contou isso e me passou um detalhe: nessa época, ela estava grávida de mim.
Anos depois, não me lembro o motivo, eu conversei com aquele senhor. Sem saber quem era. Pois precisava encontrar alguém, pelo que me recordo. Sem saber, conversei com alguém que foi tão carinhoso com minha mãe.

http://jornalouvidor.com.br/noticia/as-experiencias-de-um-farmaceutico---benoni-silva/7082
http://jornalouvidor.com.br/noticia/despedida-do-farmaceutico-/12497