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terça-feira, 25 de outubro de 2022

Post-Scriptum por Mavie S. Rosa

E quando penso: chega, buscarei o completo desapego!
Eis que toca nossa música, procuro refúgio
em meu travesseiro, e adivinhe
Lá encontro o seu cheiro, vou para a rua
Um drink ou dois deve matar essa fome
Mas no caminho os outdoors me lembram seu sorriso
E a menina do mercado tem o seu nome
Procuro uma sombra, peço a Deus que me livre
Abro um livro, Dostoiévski me dê um auxílio
Mas as letras dançam e não entram na cabeça
Amar assim deve ser um crime, penso
Viver sem notícias tuas, o meu castigo
Ver-te vertiginosamente em todos os lugares
Menos comigo não é bem o que eu esperava
Do destino, mas quem afinal espera o pior
De quem se quer tão bem?
Que desatino.
Por fim, percebo meio desolado que não há como
Escapar de algo tão violentamente impregnado
Dentro de mim.
Em minha mente, em meu coração
Em meus rins. Desejaria eu expulsar-te assim
Rápido e indolor, uma execução sumária
Uma injeção letal em nosso amor
Um belo verso em nossa lápide
Inda teria a consideração de compor
Uma pena isso não ser possível
Esse tipo de coisa não morre fácil, que problema!
Sentimento que se transmuta
Primeiro em dor
Depois em poema.

segunda-feira, 8 de novembro de 2021

Poesia de Valdevino Coutinho

Santa Isabel, cidade querida,
Um pedacinho da minha vida 
Da Grande São Paulo és o Paraíso,
Recebe os visitantes com abraços e sorrisos.

Com pessoas bondosas e hospitaleiras,
Desta nação és a primeira,
Com água pura nas fontes
Jorrando noite e dia, 
Ela desce dos montes
Para nossa alegria.

As cachoeiras tal como a do Ouro Fino
Não podemos esquecer
A mulher vira menina
E passa a correr, 
Pelas águas cristalinas
Sem perceber.

A garoa e a serração,
Da mais prazer na vida,
Enche-me de emoção,
Essa terra querida.

O ar puro da montanha
Não há coisa igual, 
Quem conhece não estranha
A Beleza da mata natural

Cidade abençoada por Deus,
Nunca devemos te deixar,
Receba abraços dos filhos teus
E daqueles que queiram te amar.

Poesia de Valdevino Coutinho dos Santos

domingo, 5 de setembro de 2021

Texto de Érika Gatti

Quem me dera ao menos uma vez
Não me sentir um fardo, um peso...
Mas todas as vezes que fecho meus olhos,
Eu me lembro que sou um eterno talvez.

Me dói os ombros,
Me falta o ar.
Eu não sinto mais meus pés
E me falta ar para respirar.

Às vezes penso que posso ser grande.
Às vezes penso que posso voar…
Mas sempre alguém me lembra de que eu,
Definitivamente não sou capaz!

E quem sou eu?
Quem sou eu quando a porta se fecha?
Quem sou eu, quando ninguém vê as lágrimas rolarem?

A incompetente.
A demente.
A destrambelhada.
A alma condenada.

Talvez, só por um momento se eu não tivesse...
Enfim, existido…
Talvez eu tenha tido um pouco de paz...
No grande vazio da minha existência
A falta de coerência é o que me satisfaz.

sábado, 10 de julho de 2021

Poesia "Milagre das Rosas" (da Rainha Santa Isabel)

O que mais caracteriza a vida admirável de Santa Isabel, Rainha de Portugal, é o suave e maravilhoso milagre das rosas. Isso está descrito também na seguinte poesia.

Mas ela el-rei que aparece
que vinha de passear,
com sua corte brilhante
e vilo a rainha a saudar:
que fazeis, senhora minha,
com essa gente a gritar?

Porque saiste sozinha,
que vos podem fazer mal?
Que esconde vosso regaço,
rainha de Portugal?
E a rainha que não queria
sua humildade mostrar,
a el-rei responde logo:
eu ia pelos caminhos,
ia só a passear;
Talhou-me este pobre povo
que me estava a festejar;
e o que levo no regaço
são flores de bom cheirar

Logo se abriu o regaço 
por milagre de pasmar,
e do ouro, prata ou cobre
não havia nem sinal
Eram tudo lindas flores
as mais lindas do lugar,
que por milagre divino
ali vieram brotar

Lá vai a Rainha Santa
com el-rei de Portugal;
na cabeça da Rainha
um resplendor a alumiar.
E feito de ouro e de prata
com que ela andava a esmolar
o resplendor brilha tanto;
sua lua é de cegar
Lembra a Rainha uma Santa
postinha agora no altar!

quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

Em dor fina por Mavie S. Rosa

Me ensina a querer-te menos, a ignorar distâncias
Livra-me dessa ânsia, síndrome de abstinência
Ajuda-me a abstrair, diz como preencher os espaços
Deixados vazios ou não diga nada, quem sabe assim
Te deixo ir, sem querer pensar onde estás, sem querer 
Sumir, quem sabe assim eu volto a respirar sem te perguntar
O que faço de mim, talvez até consiga dormir
Sem ninguém me abraçar e ao acordar sem ter a quem cobrir.
Eu não sinta essa estranheza, uma certa ausência de cores ou
Excesso de silêncios ou a presença dessas dores que não deixam marcas mas lesam, pesam e me fazem querer afundar nesses lençóis até que não haja mais eu, nem você e nem nós.
Ou simplesmente volta e me dopa com seu amor ate eu entrar em coma
Na cama, anestesiado, me remova a ilusão de me sentir amado pra sempre
E de que o pra sempre só existe ao seu lado