Não teria surgido em grandes gabinetes nem de decisões políticas grandiosas. Nasceu da inquietação de um homem comum, dono de uma visão incomum.
O ano era 1986. Em um pequeno comércio na Avenida Coronel Bertoldo, nº 57, no início da Variante, começava a ser escrita uma das páginas mais marcantes da história isabelense.
Anos antes, em uma temporada morando em Goiás, Gaspar conheceu de perto os rodeios. Encantou-se com aquele universo de coragem, tradição e espetáculo. O sonho ganhou forma definitiva quando visitou a grandiosa Festa do Peão de Festa do Peão de Barretos. Ali, a ideia deixou de ser admiração e virou propósito.
Mas todo grande sonho precisa de um impulso. Foi José Diniz, o querido Zezito, quem sugeriu que Gaspar realizasse um rodeio no espaço ao lado da loja. A experiência aconteceu por dois anos e mostrou que Santa Isabel estava pronta para algo maior.
Proprietário do City Camping, Gaspar enxergou naquele terreno não apenas um espaço vazio, mas a oportunidade de construir algo capaz de unir a cidade em torno da emoção. E assim, em 1988, Santa Isabel conheceu sua primeira Festa do Peão.
Logo na estreia, um espetáculo inesquecível com show de Chitãozinho & Xororó. A cidade se encantou. Prova do tambor, montarias, cavalgada — tudo era novidade. Tudo era brilho nos olhos.
O sucesso foi imediato. Vieram os anos de crescimento, as arenas lotadas, o orgulho estampado no rosto do povo. Durante pelo menos duas décadas, a festa foi considerada a melhor da região e figurou entre as maiores do Estado. Já não era apenas um evento — era tradição viva, patrimônio afetivo da cidade.
Gaspar não construiu essa história sozinho. Reuniu amigos apaixonados pelas montarias e contou com o apoio de lideranças que acreditaram no projeto. O então prefeito Nenê Simão cedeu o espaço. Zé da Costa colaborou com maquinários para preparar o terreno. Dorival Painha, Zé da Hípica, Joel Batista, João Maia, Izilda Barbosa, José Siqueira Gato Preto ajudaram a erguer cada detalhe dessa construção coletiva.
Com o tempo, surgiram personagens que se tornaram símbolos eternos da festa. Alonso Pimentel eternizou-se como a voz oficial da arena. Zizo, com sua elegância e seus cavalos impecáveis, transformava cada entrada em espetáculo. A família Schweter representava glamour e sofisticação. Capitão Bastos marcava presença imponente. Zé Paraguai, com sua companhia de cavalos, protagonizava cenas épicas na captura dos animais após as montarias.
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