sábado, 31 de outubro de 2026

A Festa do Divino Espírito Santo em 1920

A Festa do Divino Espirito Santo, em Santa Isabel, era concorridíssima, a cada ano se superava, o festeiro era sorteado no final da comemoração para o próximo ano. A bandeira, a pomba e o mastro são usados nos festejos, que hoje tem caráter mais folclórico e menos religioso.
Em 1920, o festeiro sorteado para a comemoração do Divino foi o professor das Escolas Reunidas de Santa Isabel, Francisco de Almeida Santos, natural de Cananéia, litoral sul de São Paulo.
A comemoração se dava no mês de junho, cinquenta dias após a páscoa, o auge da festa acontecia no dia de pentecostes.
O Velho Testamento no livro de Levíticos menciona que é apresentada como a Festa das Semanas que o povo de Deus celebrava a Festa de Pentecostes, nessa festa, o SENHOR ordenava ao seu povo que celebrasse a provisão de divina através dos frutos da colheita, uma das três festas do povo hebreu.
No Novo Testamento, a narrativa do Pentecostes está no livro dos Atos dos Apóstolos, segundo a Bíblia, neste dia, os discípulos de Jesus se reuniam em Jerusalém.
Em 1920, a festa do Divino, em Santa Isabel, foi comemorada nos dias 4, 5 e 6 de junho, o professor Francisco de Almeida Santos acumulava a função de promotor público interino, juiz de paz, tratava-se, também, de um próspero produtor agrícola, por isso presidia a comissão municipal de agricultura.
Para atrair a comunidade cristã, Francisco enviou cartazes com o programa da festa às prefeituras e paróquias da região.
A festa constou de novenas, cavalgada, leilões e cinema ao ar livre durante todas as noites no Largo do Rosário, os filmes exibidos eram escolhidos a dedo pelo festeiro para agrado geral.
A agenda previa, ainda, divertimentos profanos como sambas de roda, danças folclóricas relacionadas à religiosidade. A cavalgada aconteceu no último dia da festa, os cavalos traziam na testa e no pescoço cordões de flores.
O leilão de prendas aconteceu após a procissão com animação da Banda Musical regida pelo Maestro Avelino Alvim Pinto, executava dobrados rápidos com compasso binário 2/4 ou 6/8 e canções populares adaptadas para a ocasião no Coreto da Praça.
Deram prosseguimento à festa: a missa cantada e a solene procissão, sendo os andores carregados por senhoritas da nossa sociedade, nela figurava a bela imagem do Espírito Santo, de 80 centímetros de altura, adquirida na capital e oferecida pelo festeiro Francisco Almeida Santos à igreja.
O império achava-se ornamentado com muito gosto, vale dizer que o Império é uma figura que comanda as festividades e tem poderes de rei. O Imperador pode ser uma criança ou adulto escolhido para presidir a festa, e tem alguns direitos, como a libertação de presos comuns.
Na procissão tomaram parte cerca de três mil pessoas da região urbana, zona rural, capital e municípios vizinhos que chegaram em aranhas (charretes cobertas), automóveis, carroças, carros de boi e a cavalo. A iluminação elétrica da Igreja, da casa da festa, do coreto e império era profusa e bela.
O festeiro distribuiu aos romeiros, a imagem em metal branco do Espírito Santo. A festa foi considerada pelos presentes uma das melhores que se tem notícia na região, primando pela ordem e o bom gosto apresentado pelo festeiro.
Na casa da festa foi obsequiado aos romeiros bom café com biscoito, vinho e licores de diversos sabores, sendo distribuído à pobreza carne, víveres, pão e roupas, sobretudo agasalhos. 
Assim a imprensa da capital registrou a Festa do Divino de 1920, em Santa Isabel. É isso....

ISAIAS B. BUENO, janeiro de 2024.

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