O Banco Noroeste foi a primeira instituição bancária a se instalar em Santa Isabel em 1927, originalmente pertencente às famílias Simonsen e Cochrane, era dirigida por Mário Wallace Simonsen. O banco fazia parte de um conglomerado que incluía a PANAIR (companhia aérea) e a COMAL (maior exportadora de café do Brasil à época).
A agência central do banco, em São Paulo, contava com muitos correntistas de Santa Isabel, sobretudo capitalistas, comerciantes, fazendeiros e grandes empresários como: Albino dos Santos Ferreira, Cel. Ramos, Firmino da Cunha Lobo, Major Bicudo, Chico Porto, Nhô-Nhô Pimenta, Augusto da Costa Leite, Maximino de Camargo, Benedito Vieira de Paula, Cel. Bertoldo, Pascoal Júdice, Joaquim Grande, Fernandes Cardoso, Totó de Assis e Cel. Zacharias Ramos de Moraes, dentre muitos.
Em meados dos anos 20, a viagem dos correntistas à São Paulo tornou-se perigosa, suscetível a assaltos, de tal sorte que os isabelenses já não procuravam os serviços bancários da capital, as economias eram guardadas em casa, até que, certo dia, Joaquim Grande teve sua casa invadida por um assaltante na sua fazenda, no Bairro do Varadouro, atual Educandário do Redentor, os meliantes levaram toda a sua economia e fugiram.
Temendo que o episódio se repetisse, o Cel. Zacharias liderou um grupo de correntistas para convencer os diretores do Banco Noroeste a abrir uma agência bancária em Santa Isabel, e foi assim que em 1927, os diretores do banco alugaram um imóvel do Cel. Bento Augusto de Camargo, no centro, para receber a pioneira casa de crédito, o gerente da agência foi o próprio Cel. Zacharias, o contador veio de São Paulo, Augusto Baptista Pinto, experiente funcionário do banco.
O Coronel Zacharias era filho da aristocracia isabelense, latifundiário, dono de extensas terras férteis e produtivas, capitalista e proprietário de imóveis, tinha um comercio próspero na cidade onde se vendia de tudo desde secos e molhados, calçados, tecidos, armarinhos, ferramentas agrícolas e acessórios para animais, o armazém ficava no centro, próximo à Agência Postal.
Para escoar a produção, ele mantinha quatro tropas de muares que, também servia aos amigos mediante pagamento modesto para mantença dos animais e dos tropeiros, o bem-sucedido empresário construiu em São Paulo e Jacareí dois armazéns para distribuir a sua produção na capital e no vale do paraíba, os quais serviam, também, para guardar as mercadorias que comprava para abastecer seu comércio.
Em meio a vida agitada de produtor e empresário, ainda sobrava tempo para praticar a política e patrocinar as festas religiosas da cidade. Zacharias, influenciado pelo pai, iniciou a vida pública em 1892, ocupou cargos de relevância, o primeiro foi de delegado polícia, depois, em 1897, foi coletor de rendas, juiz de paz, membro do diretório do Partido Republicano Paulista, vereador e vice-prefeito.
Nas eleições municipais de 1915 que elegeu o Prefeito Manuel Antônio Mendes, o Dr. Tancredo do Amaral, Juiz de Direito, devido ao aumento de eleitores no nosso colégio eleitoral, resolveu desmembrar a seção única de votação em três seções eleitorais, de sorte que o Cel. Zacharias foi designado a participar da mesa receptora da 1ª seção eleitoral.
Nas comemorações do natalício do Dr. Tancredo do Amaral, em 1919, o Cel. Zacharias, com a saúde comprometida, levou o seu abraço ao magistrado, mas no retorno ao lar, sentiu-se mal e foi medicado pelo Dr. Deodato Wertheimer que veio de Mogi das Cruzes exclusivamente para atendê-lo.
Na Câmara, em 1926, o Vereador Zacharias costurou um acordo com seus pares de sorte a premiar com isenção de impostos municipais à empresa do Senhor Ítalo Terlera, uma Indústria de Tecidos, a pioneira da cidade que produzia tecidos de algodão e seda, ficava na Rua Monte Serrat (atual Casa de Ração), a empresa criou dezenas de empregos.
Na campanha eleitoral de 1928, o Cel. Zacharias preparou uma recepção ao Dr. Euchasio Rebouças de Carvalho, brilhante advogado e orador de Taubaté que pretendia renovar seu mandato de Deputado Federal, o almoço aconteceu na bela vivenda do Senhor Levino de Camargo, tabelião do primeiro cartório da cidade.
Em primeiro de Fevereiro de 1929, o Cel. Zacharias tomou posse na cadeira de vice-prefeito de Santa Isabel. A cerimônia de posse foi nos salões da Câmara Municipal, também foram empossados o Prefeito Joaquim de Sousa Lima, reeleito, e os vereadores. Após cumprir o mandato, idoso e cansado, abandonou a política.
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