sexta-feira, 14 de março de 2025

Figuras notáveis de Santa Isabel: José Porfírio

Em 1979, ele vinha de uma campanha que havia começado a pouco mais de um mês antes, quando jogando, emplacou um dos oitos gols marcados pela equipe em jogo contra o AA Verde, de Vila Carrão.
No dia 21 de Abril ele entrou em campo contra o E.C. de São José dos Campos, jogo que o SIEC venceu por 2 x 1. O desempenho de Porfírio sempre chamou a atenção, como relata Zinho (JBBarbosa), por seus dribles em velocidade e potência nos arremates à meta adversária. Disciplinado, Porfírio jamais foi problema para a direção e técnicos de seu time. Até que uma séria contusão o tirou definitivamente do campo.
Em sua carreira, Porfírio marcou 97 gols. Sua atuação mais lembrada foi em um jogo que o SIEC estava perdendo sua invencibilidade de quase 100 jogos. Três a um era o placar para o adversário quando, quase ao final do primeiro tempo, José em duas arrancadas espetaculares marcou dois gols, mantendo a série invicta do alvi-verde isabelense.

quinta-feira, 13 de março de 2025

O grande incêndio na Karibê em 1974

Em 21 de Março de 1974, ocorreu um grande incêndio na Karibê. O incêndio se iniciou as 11h20m e durou até as 17 horas do dia posterior, destruindo totalmente o depósito de matérias primas da indústria têxtil.
Na então, Indústria Karibê de Confecções e Tecelagem Ltda., deve um prejuízo com toneladas de lã industrializada, fios sintéticos e viscose, além de produtos químicos que foram queimados.
Doze pessoas que trabalhavam no local na hora do fogo, saíram ilesas, com apenas queimaduras e princípio de intoxicação, graças a pronta intervenção da Brigada Especial Interna de Combate a Incêndios. Era formada por 40 empregados treinados semanalmente, para este tipo de acidente. Nos primeiros 30 minutos, eles atacaram o foco inicial e conseguiram isolar a ala industrial, onde existiam dezenas de máquinas. Mil e quinhentos metros quadrados da empresa arderam em chamas até a chegada dos bombeiros de Arujá, Guarulhos e Jacareí.
Disse o diretor técnico da Karibê, Henrique Cytrynowicz, que "o maior problema não é o prejuízo (avaliado em vários milhões) mas sim a renovação do estoque, pois estamos atravessando séria crise no setor de fibras sintéticas".
Ocorreu até mesmo uma reportagem no Jornal Folha de S. Paulo, na época. Especificamente no dia seguinte, em 22 de Março. Na época, minha mãe, Teresa Caraça, saiu mais cedo, devido ao incêndio. Mas na manhã seguinte, já deve que voltar a trabalhar. Isso se deve, pois não foi o setor dela que queimou, mas outro, que poderia ter muito algodão.

terça-feira, 11 de março de 2025

A importância da micro-história em Santa Isabel

Não há como estudar história de forma isolada, sem analisar fatos que podem repercutir de forma direta ou indireta em determinado assunto político, econômico, civil, etc. Esses acontecimentos são complexos, mas tem raízes estruturadas em fatores menores.
Então, temos a tendência, nos últimos anos de estudar a micro-história. Pequenos acontecimentos que podem ter uma grande riqueza de detalhes, trazendo novas narrativas para fatos já estudados ou que não tiveram tanto esmero em suas pesquisas. Desde que nessa narrativa, demonstre que ela trata de um micro de um todo, que revela muito mais sobre o assunto tratado. Em como, desse conjunto de articulações, forma-se toda a estrutura histórica que conhecemos hoje.
Esse movimento surgiu nos anos 70, na Itália, por Carlo Ginzburg e Giovanni Levi. Seria um estudo da história, em escala reduzida. Seria olhar para um determinado cenário ou personagem real, para entender um contexto maior. Levi falava que era como dar um zoom em uma imagem, mas não podemos ignorar toda a paisagem nela contida.
Um exemplo de estudo de micro-história é O Queijo e os Vermes. Ele trata do cotidiano e as idéias de um moleiro perseguido pela Inquisição, é um livro do historiador judeu-italiano Carlo Ginzburg publicado em 1976. Ginzburg vai esmiuçar a mentalidade inquisitorial, do que ela pensava sobre as antigas práticas de cultivo, tratadas como bruxaria. Portanto, condenadas pela Igreja da época. A partir de estudos sobre aquele caso, ele vai traçando um panorama daquela época.
Há pesquisas, que tratam o aumento abusivo do preço dos pães que influenciou a Revolução Francesa. 
E onde isso se conecta com Santa Isabel? Prestem bem atenção agora. Nos últimos anos, eu tenho caminhado por toda a cidade, indo até em áreas rurais. E em diversos pontos, eu tiro fotos. Eu uso muito as frases da socióloga, Senhorita Bira, "treine seus olhos desatentos".
As que tiro ultimamente são de tampas de bueiros. Muitas das que ficam pelo centro estão com logo da Sabesp. Isso é normal, afinal, ela é responsável pela água de toda a cidade, desde a administração de Gabriel Bina, pelo que me consta. Entretanto, eu notei algo bem peculiar em alguns lugares.
Especialmente na Vila Guilherme, há uma tampa de bueiro com os dizeres, Solis Fundição, S. J. R. Preto, na sua frente. O que a difere de diversos lugares, em especial no Centro. E existem tampas na Avenida Brasil, com a mesma logo, em número até maior, algumas até que não tem nada escrito. Há até, uma delas, no Monte Serrat.
Mas afinal, o que é essa tal Solis? Bem, em pesquisa na internet, encontrei isso: A empresa Solis Fundicao de CNPJ 59.961.052/0001-77, fundada em 19/07/1966 e com razão social Ecydir Denys Giacchetto, está localizada na cidade São José do Rio Preto do estado São Paulo. Sua atividade principal, conforme a Receita Federal, é 24.51-2-00 - Fundição de ferro e aço. Sua situação cadastral até o momento é Baixada. E o que é uma empresa baixada? A situação cadastral baixada significa que o CNPJ da empresa foi encerrado na Receita Federal. Isso pode acontecer por solicitação do próprio empresário ou por determinação da Receita Federal. Ou seja, não existe mais. 
Então, podemos notar que nas áreas tratadas como periferia, há essas tampas de uma fundição de 1966. Seja a Avenida Brasil ou Vila Guilherme. Talvez por conta de uma falta de empenho de prefeitos ou vereadores anteriores. Pode ser coincidência, mas note essa notícia do Jornal Bom Dia, em sua página no Facebook:
Moradores da Vila Guilherme e do Jardim Eldorado, em Santa Isabel, têm vivido uma situação de abandono e degradação ambiental nas ruas Projetada e Terezinha de Lima Bueno. O que antes eram vias tranquilas e de acesso, agora se transformaram em verdadeiros cemitérios de veículos. Dezenas de carros abandonados, muitos depenados, estão espalhados pelo local.
Carros em estado de sucata tomam conta de espaços extensos  Esses veículos não apenas bloqueiam a passagem, mas também contribuem para a proliferação de focos de doenças, com a água acumulada servindo como criadouro para o mosquito Aedes aegypti, transmissor de doenças como dengue, zika e chikungunya. Além disso, a vegetação descontrolada e o lixo acumulado criam um ambiente propício para o aumento de animais peçonhentos, como cobras e escorpiões.
Além da questão ambiental, muitos desses carros, que em sua maioria estão depenados e sem condições de circulação, representam um estorvo para a comunidade.
“É um verdadeiro cemitério de carros. Alguns veículos estão ali há meses , sem nenhuma previsão de remoção. Isso está prejudicando a qualidade de vida de todos”, afirmou uma moradora que preferiu não ser identificada.
O impacto ambiental também é evidente. As peças dos carros, muitas vezes enferrujadas e expostas, podem liberar substâncias nocivas ao solo e à água. Óleos, combustíveis e outros produtos químicos podem contaminar a terra e prejudicar a flora e fauna local, além de representar um risco à saúde dos moradores.
"Principalmente aos finais de semana, vemos veículos serem depenados e alguns até incendiados em plena luz do dia. É preciso uma ação urgente das autoridades", pontuou outra moradora.
Ironicamente, não há muitas dessas tampas no Eldorado. Por qual motivo? Eu posso chutar, mas isso se deve muito simplesmente ao número de eleitores. Mesmo que o Eldorado, tempos atrás não tivesse muitas áreas regulamentadas com seus terrenos, como há um número muito grande de pessoas morando até hoje por lá, isso fez com que prefeitos e vereadores se interessassem pelo local. Isso é uma opinião, mas pode ser uma realidade. Pois há muitas coincidências, não acha?

https://www.facebook.com/jbomdia/posts/pfbid02PL6q2wxtwewDose3rJnGd7W1tREj9pf5YHsQxt2u1YjLJEGik3dLvcJzYWikBXFwl
https://ficcontabilidadesp.com.br/situacao-cadastral-baixada-o-que-e-e-como-regularizar-sua-empresa/
https://cnpj.biz/59961052000177

(ATUALIZADO em 19 de Março de 2025): Notem nas imagens a seguir: nelas, vemos uma área da Avenida República que cruza com a Rua Conselheiro Rodrigues Alves, após uma reforma no local. Independente de qual foi a obra no local, vejam que foi colocada uma tampa de bueiro nova, também com a logo da Sabesp.

sexta-feira, 7 de março de 2025

Figuras Notáveis de Santa Isabel: Agenor Corrêa da Silva (parte 1)

Era filho de José Corrêa da Silva, Maria Benedita de Sales, nasceu no então bairro do Putim, hoje bairro da Cachoeira, em Santa Isabel em 16 de Fevereiro de 1905. Desde cedo com seu pai, começou na lida do gado, que era o ramo da família, como criadores e comerciantes da espécie. Ali aprendeu a dura vida de lidar com o gado e a vida de peão de boiadeiro, pois constantemente levava as manadas para os frigoríficos da Capital do Estado onde eram comercializados e prontos para o abate. Essa jornada era longa e exaustiva, tornando assim Agenor um rapaz de complexão forte, robusta e duro no trabalho. Jovem ainda, com seu pai montou um açougue na cidade, onde permaneceu até os dezessete anos de idade. Logo depois foi a Força Pública do Estado de São Paulo, se tornando corneteiro de seu regimento.
Ainda como soldado participou das revoluções de 1924, 1930 e na Revolução Constitucionalista de 1932, sendo o seu batalhão destacado para a divisa do Estado com o Mato Grosso. Depois desses acontecimentos, que conseguiu sair ileso, voltou para cá, dando baixa na Força Pública, montando outro açougue, agora de sua inteira propriedade. Tempos após deixou em definitivo a vida de açougueiro, tendo sido nomeado escrivão de polícia. Lá permaneceu até ser nomeado para o cargo de escrivão do cartório do Registro Civil, onde veio a se aposentar pela Lei da Compulsória, ou seja, aos setenta anos de idade.