Filho de um comerciantes e de uma dona de casa, Valdemir foi criado em um lar simples, e desde cedo entendeu a importância de trabalho. Aos dezoito anos se alistou na Aeronáutica, atividade que se tornaria sua grande paixão. Servia com orgulho a carreira militar e se destacava, por seu empenho cada vez mais servindo o país, mas seu ideal foi interrompido. A morte de seu pai fez com que ele renunciasse aquela trajetória. Ele precisou assumir a responsabilidade por sua família, mesmo sendo tão jovem.
Aos vinte e sete anos, morando em Guarulhos, São Paulo, Valdemir foi pai pela primeira vez. A primogênita foi Bruna. Ele não sabia, mas sua segunda filha, Vanessa, viria de um misto de tragédia, com esperança, dando início a uma história de amor, que mudou a vida de muita gente, e reescreveu histórias.
A mãe biológica de Vanessa, quando a menina era pequena, adoeceu. Ela procurou Valdemir e sua então esposa Marineis Maria de Jesus, e pediu que se o pior acontecesse, que eles cuidassem da criança. Semanas depois ela faleceu, e Vanessa ganhou uma nova família.
Cinco anos se passaram do caso de Vanessa, quando uma adolescente de dezessete anos, deu a luz uma menina. A jovem não tinha qualquer condição de assumir a responsabilidade pela criança e decidiu entregar a filha aos cuidados de Valdemir. Foi assim que ele assumiu a criação de Deborah.
Três anos depois, a esposa de Valdemir engravidou, e Bárbara nasceu. A alegria da família eram as quatro filhas (duas adotivas e duas biológicas). Nessa mesma época que o sonho de morar em um lugar sossegado e ao comprarem uma propriedade, montaram um pesqueiro.
Com o término do casamento, Valdemir passou a dividir o trabalho do pesqueiro com as meninas. As mais velhas ajudavam no cuidado com as mais novas. E os trabalhos da casa eram compartilhados com todos. Era algo extremamente tocante.
Porém, um incidente ocorreu.
Em uma tarde, após a saída da faculdade, Bruna, estava com amigas no Centro de Santa Isabel, quando um motoqueiro armado atirou na pessoa que estava próxima ao grupo delas e fugiu. As meninas se assustaram e correram para se proteger.
Demorou para Bruna perceber que havia sido baleada. Mas o quadro se agravou rapidamente. Ela foi socorrida e os médicos chegaram a desenganar a garota. Valdemir chegou a ouvir dos médicos que sua filha havia morrido. Ele rezou, para que sua filha saísse daquela situação sem nenhuma sequela.
Em agradecimento ao milagre da vida de Bruna, Valdemir decidiu que iria ajudar os mais necessitados. A ideia era levar crianças carentes para passar o Natal em seu pesqueiro, mas sua missão era maior e ele acabou adotando quatro das sete crianças que conheceu no ano da festa natalina. Marcelo, Samuel, Vitor e Denis, entraram para a família, com idades entre doze e quinze anos.
Meses depois, vieram outros filhos de Valdemir: Luiz, Jonathan, Matheus, William, frutos de adoções tardias. E pouco tempo depois, vieram as meninas, Rayane, de doze anos e Rayara de seis e o caçula Richard, de quatro anos
COM mais de 10 filhos adotivos, Valdemir recebe título de cidadão isabelense. Jornal Bom Dia. Santa Isabel. 18 de Dezembro de 2021. p. 11.
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