quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Minha opinião sobre as eleições municipais em 2024

Vamos ver, por onde começo.
Atualmente, o que a gente vê é uma galera enorme atacando um ao outro dentro da cidade, por questões políticas. Uma coisa que é comum dentro de Santa Isabel é uma "endemonização" das pessoas da esquerda, para um pretexto de ataque. Resumindo, "não posso atacar X ou Y, vou atacar a esquerda, pois tem muita gente que não gosta". Só que isso, dentro do nosso município não faz sentido algum. Os maiores escândalos atuais da cidade são sobre políticos de direita, como Luizão Arquiteto, Clebão do Posto, Alencar Galbiatti e Nabil. Enquanto políticos como Picida e Edson Machado, o Machadinho, só nos trouxeram benefícios e direitos estruturados.
Mas vamos colocar aqui, algo com relação federal.
Muitas das pessoas, nos dias atuais, sempre coloca as figuras de Bolsonaro representando a direita e a do atual presidente, Lula representando a esquerda. E independente de qual lado político você segue, esse é um dualismo que acontece muitas vezes, um maniqueísmo que beira o infantil, para não falar o pré-histórico. 
Então, peguemos uma figura como Luis Inácio "Lula" da Silva. Mesmo que você não ame a personalidade, vamos notar os crimes colocados na conta dele e notar que nem sequer fazem sentido. Um exemplo, está na famosa história do triplex. Ao qual, nem sequer era dele. Associaram ele a esse crime, pois teria visitado o local, mas nem sua assinatura encontraram em qualquer documento. Sua prisão foi arbitrária e anticonstitucional, coisa que o próprio STF admitiu, mas que é ignorado pela direita de forma vexatória. E quando ocorreu essa detenção, ninguém foi lá atacar o regime judiciário na época.
Já no caso de Jair Messias Bolsonaro, vemos uma lista de mais de 100 imóveis comprados por ele, com mais de 50 deles sendo obtidos em dinheiro vivo. De onde um parlamentar, antes ou depois de virar presidente, conseguiria grana para isso? Ele estimulou o não controle da Covid-19, sendo contra o uso da máscara, e usando remédios que não eram para vírus e sim para outros problemas. Ao ponto de causar mais de 700 mil mortes! Nem a Nigéria com nível populacional parecido com o nosso, deve seis dígitos de morte. Sem contar a obtenção de relógios e joias de origem árabe. E por fim, a invasão dos prédios dos três poderes, que foi estimulada por Bolsonaro, por debaixo dos panos, já que isso foi claramente um ataque da extrema-direita brasileira. 
Se não combatermos isso agora, não teremos uma cidade melhor. Pois se no macro causou problemas que durarão, imagina no micro?

terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Figuras notáveis de Santa Isabel: José Coelho Porto

José Coelho Porto era filho de Joaquim de Souza Porto e Etelvina Maria da Conceição, tendo nascido em Santa Isabel em 5 de Dezembro de 1908, falecendo em 22 de Março de 1988. 
Casado com a senhora Celina Vieira Porto, teve três filhos: Everaldo, José Carlos e Clóvis Vieira Porto, que já foi vice-prefeito de Santa Isabel. Coelho, como era tratado por todos, passou sua vida contando dinheiro que entrava e saia da Prefeitura Municipal, onde por mais de trinta e cinco anos, onde exerceu o cargo de tesoureiro. Coelho viu passar pelo comando da prefeitura diversos prefeitos, diante de um caráter incorruptível e amigo de todos, segundo o que Virgílio Frúgoli escreve sobre ele.
Ele tinha um hábito interessante. Gostava de ler o Gibi, revistinha de crianças, surgida na época, permanecendo muitos anos com suas histórias de aventuras. Virgílio Frúgoli, ao escrever sobre esse Gibi, comenta sobre o "caráter de fazer coisas que não prestam das revistas do gênero". Mas o próprio não sabia o sobre o assunto

Um dicionário de português brasileiro hoje certamente trará a definição de gibi como “nome dado às revistas em quadrinhos” — ou algo parecido com isso. Nos anos 1930, contudo, o verbete tinha cunho racista: era “menino negro”, “negrinho”, “tipo feio e grotesco”.
Em 12 de abril de 1939, há exatos 85 anos, a editora O Globo lançou uma revista em quadrinhos chamada Gibi. Na capa, como um símbolo, todos os números traziam uma representação estereotipada negativamente de um menino negro, o tal “gibi”, mascote que emprestava nome à publicação.
Os traços eram carregados de um viés pejorativo e discriminatório. Em conversa com a BBC News Brasil, a cartunista Laerte definiu essa ilustração como “um menino negro como se desenhava em tempos de racismo livre”.

A verdade é que Virgílio Frúgoli e diversos adultos (como funcionários da Cultura e Turismo, assim como da Prefeitura de Santa Isabel) sempre viram histórias em quadrinhos como uma arte infantil. Esquecem obras que tratam de histórias reais de forma mais simples (como Maus de Art Spielgman), ficções mais sérias (como Soldado Desconhecido de Garth Ennis, ou O Eternauta de Héctor German Oesterheld), obras fantasiosas mas sérias (como Sandman de Neil Gaiman), ou que revisitam personagens clássicos com novas perspectivas (como Patrulha do Destino ou Homem-Animal de Grant Morrison), entre tantas outras obras. Enquanto eles caracterizarem apenas como coisa de crianças, essa arte será marginalizada ao se tratar sobre ela.
Sobre Coelho, ele exerceu o cargo de prefeito interino, no ano de 1947.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

Minha opinião sobre a Lei Aldir Blanc em 2020, na cidade de Santa Isabel

Antes de tudo, devo colocar duas coisas aqui sobre mim: não recebi no período da pandemia nenhum tipo de benefício, tanto do Auxílio Emergencial, quanto da Lei Aldir Blanc. E até poderia ter obtido, mas se tinha condições para sobreviver nesse período, por qual motivo eu receberia um dinheiro que outra pessoa precisava? Deve muita gente, especialmente ligada a Cultura e a Prefeitura de Santa Isabel, que tinha fontes de renda, dentro do serviço e da família. Mas que ignoraram, que tinha gente sofrendo e - literalmente - morrendo.
Enfim, em 2021, através de reportagens no jornal Ouvidor, eu soube quem foram os vencedores do prêmio Lei Aldir Blanc. O que me deixou feliz. Por um lado. Por outro, eu notei algumas falhas tão infantis, que não sei como tiveram coragem de falar que isso foi um sucesso. O que ao meu ver (e de outras pessoas) não foi.
A primeira coisa que me incomodou foi, quais foram os critérios para a escolha dos artistas? Sei que há muito talento entre os vencedores. Mas é só olhar com certo cuidado, que notamos várias pessoas que foram escolhidas, mais por vínculo com a prefeitura do que por ter demonstrado cuidado nos trabalhos. Note que alguns fazem mais alusão a cidade, apenas, sem nenhuma forma pedagógica sobre o assunto Não tem uma preocupação com a qualidade.
Você pode falar que isso não é importante, mas se for assim, basta eu fazer algo que considere como arte e ganhar o prêmio. E é por isso e muito mais, que existem pessoas que criticam a Lei Rouanet, por exemplo. Já que até mesmo artistas famosos e com muitos recursos, se aproveitaram dessa lei e financiaram show e eventos com ela. O que causa um desgaste na área da cultura do país.
Além disso, o lugar onde foram exibidos os trabalhos é de uma qualidade horrível. Isso pois está no site da prefeitura! Eu nem consegui acessar direito. Tudo bem que só poderia ser exibido de forma online, mas caramba... Façam de uma forma decente. Usei aparelhos diferentes e todos travam quando acessam onde estão as obras e os links.

terça-feira, 23 de dezembro de 2025

Primeira Parada LGBT+ em Santa Isabel

Santa Isabel realizou, na tarde do dia 7 de Dezembro de 2025, a primeira edição da Parada LGBTQIA+. Em caminhada pela Avenida da República, participantes pedem por respeito e pelo fim do preconceito.
Organizada pelo Coletivo Casinha, com apoio da Prefeitura e da OAB, a  Parada LGBT+ de Santa Isabel tem como foco a defesa e a visibilidade dos direitos da minoria. Diversas reuniões foram realizadas durante o período de preparação para definir os temas a serem abordados.
Com o lema “pelos direitos das monas, minas e manos”, essa é a primeira vez que o evento acontece em Santa Isabel. Durante o evento, a organização informou que a Secretaria de Saúde da cidade estava realizada os atendimentos necessários e houve, também, uma psicóloga de plantão realizando os acolhimentos se for preciso.
Na parte artística e cultural, a programação do evento contou com apresentações de artistas como Rawenne, Vih Banks, Afrodite Love, Rafa Coelho, Lorran, Dandara Calypso, Kyara Fire, Thonn, Fábio Moraes e Jeff. Houve, ainda, um trio elétrico para acompanhar a multidão ao longo da ida e da volta do trajeto. Mais informações podem ser consultadas diretamente com a organização da parada e no perfil oficial do Instagram.
Para o integrante da organização, Ubiraci Carvalho, o evento deixa uma mensagem ao público: “A Parada LGBTQIA+ não é só para quem faz parte da comunidade, é para todos que apoiam, todos que têm um parente ou amigo que faça parte. O apoio para momentos como esse é essencial, mostra que a cidade está avançando”, diz.

https://www.odiariodemogi.net.br/alto-tiete/1o-parada-do-orgulho-lgbt-de-santa-isabel-acontece-neste-domingo-veja-programacao/
https://www.facebook.com/photo/?fbid=1430535832413668&set=a.481927490607845

sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

Minha opinião sincera sobre a festa da cidade e rodeio em 2024

Sobre a festa da cidade e o rodeio acontecidos em 2024, eu posso escrever algumas coisas. Mas vamos por partes. 
Todos sabemos que o rodeio, assim como a festa da cidade, traz sim turismo e grana para os comércios. Ir contra o evento pode até ocorrer, entretanto, temos que admitir que esses eventos realmente movimentam a economia local e é necessário que eles ocorram. Caso contrário, isso gera até atraso a cidade, se não ocorrer, de forma monetária. Então, há sim uma importância de criar uma boa festa da cidade. Fixem-se nesse termo, "uma boa festa".
O que ocorreu, em sua maioria, foi uma festa que privilegiava os ricos da cidade. Causando o efeito de forçar quem vinha ao local, gastar muito ali, ou sair para comprar em outros lugares. E pelo jeito, os valores abusivos forçaram muitas pessoas a irem para outros lugares em Santa Isabel: funcionárias do Tropical Big Dog, relataram as 22:00 h do segundo dia da festa, estar tão lotado o empreendimento, que se sentiam sufocadas. Outros comerciantes, que ficam até a noite trabalhando comentaram sobre os problemas e confusões causadas por tanta gente ali. Obviamente, não vai ser tão comentado isso, já que quem lucrou foram os empresários, não é mesmo?
Mas duas observações: primeiro é que quem organizou a festa não foi a prefeitura mas um grupo particular, paga por Chinchila; segundo é que os vendedores ambulantes não puderam organizar seus carrinho onde ficavam próximo da festa.
Essa segunda parte pode ser pior ainda. Esses vendedores, teriam que colocar suas vendas próximo ao cemitério. Que logística mal elaborada é essa que coloca um grupo de pessoas com alimentos, para vender ao lado de um cemitério? "Ah, mas o mercado Brotas vende ali alimentos". Tu quer me comparar um grande mercado, com negócios de pequeno porte desse tipo? Por favor. 
Além disso, o quanto foi gasto nessa festa foi exorbitante. Para os cantores e serviços de fora. Nada vai vir para dentro da cidade. Não há como pegar essa grana e a fazer circular mais. E se você entende o mínimo sobre capital, tem consciência de que capital tem que fluir pelo município. Caso contrário, isso não vai criar mais valores para o município. Aliás, até o dia 13 de Julho de 2024 não estava atualizados os gastos com a festa. Então, como posso confiar na economia.
Note que nem falei sobre não existir artistas locais se apresentando no local em 2024.
Por último, notemos o seguinte: antes o rodeio era em outras épocas do ano. Como é mostrado na foto desse texto. Mas as pessoas não notam que a cidade pode lucrar mais de uma vez. Tem gente que achou que o rodeio não poderia ser em Setembro deesse ano por causa das eleições em outubro, senão caracterizava ato político em pró da reeleição do atual prefeito. Mas o rodeio em si é um ato a favor da atual gestão. Então, se pensar nessa lógica, poderia aproveitar e fazer após a Festa das Nações em Arujá, com o turismo de lá para cá, em Junho. As gestões querem lucrar tanto, para si, que esquecem que podem fazer mais isso, para todos e ainda sobrar.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

Dr. Antônio de Castro Freitas: Juiz que levou energia elétrica à Igaratá

O magistrado nasceu em São Luiz do Paraitinga em 1887, filho de Antônio de Lourenço de Freitas e de Maria Diniz de Castro Freitas, era casado com Marieta de Camargo Calazans de Freitas, progênita do comerciante e influente político de Paraibuna, Major João Elias Calazans e Sra. Maria Francisca Calazans.
O eminente juiz deixou São Luiz do Paraitinga aos 16 anos para ganhar a vida na capital e matriculou-se no curso preparatório para ingressar na Faculdade de Direito do Largo São Francisco, o ingresso ocorreu em dezembro de 1903.
A formatura ocorreu em 1907.
Em 20 de Janeiro de 1908, recebeu a nomeação para assumir a Promotoria Pública da cidade de Jambeiro, no Vale do Paraíba.
Numa visita que fez à Paraibuna, conheceu a esposa Marieta Calazans com quem se casou em 1910, o casal teve 11 filhos, cinco homens e seis mulheres.
Em 1913, as filhas Suzana de 2 anos e Hortência de 1 ano foram acometidas da bactéria “Bordetella pertussis”, popularmente conhecida como “tosse comprida” ou coqueluche, uma doença respiratória altamente contagiosa que as levou à óbito, a vacina foi desenvolvida em 1926.
A perda precoce das filhas abateu profundamente o casal, o jovem Promotor, depressivo, solicitou seguidas licenças para tratamento de saúde, até que em 1918, para fugir do ambiente que trazia lembranças das filhas, resolveu permutar a Promotoria de Jambeiro para Cunha com o Dr. Adriano Mendonça, titular daquela cidade.
Em 1922, pediu remoção para a cidade de Itu, tão logo chegou foi convidado a participar de uma comissão para comemorar o primeiro centenário da independência, a celebração se prolongou por três dias.
Após 15 anos de promotoria, buscando novos desafios, o Dr. Antônio de Castro Freitas, foi nomeado Juiz de Direito da comarca de Avaré, dois anos depois, em 1925, procurando aproximar-se dos parentes da esposa em Paraibuna, solicitou remoção para São Sebastião.
Em 27 de abril de 1927, foi removido para substituir o Dr. Norberto Francisco de Oliveira, Juiz de Direito de Santa Isabel, por tal transferência o Dr. Antônio de Castro Freitas enviou ao Secretário de Justiça um ofício de agradecimento.   
O togado encantou-se com a cidade, o clima saudável, a exuberância da flora, a fauna e a hospitalidade, tudo era fascinante, de tal sorte que nas primeiras semanas foi convidado a participar do natalício do tabelião do registro civil e presidente do PRP local, o Sr. Bernardino Nascimento Gonçalves, ao chegar a festa foi recebido pela consorte do aniversariante, a encantadora e virtuosa, Profa. Ana Moutinho Gonçalves, dona de uma beleza singular.
Após a recepção, o Juiz foi convidado pelo Dr. Domingos Castelo Branco, Promotor Público, a proferir uma saudação ao dono da festa. No discurso, ele enalteceu as qualidades do chefe político, do cidadão, do marido e do pai de família exemplar, terminou por agradecer a acolhida e por conhecer pessoas tão amáveis, após as palmas, foi abraçado pelos presentes.
A Banda Musical “Lyra Isabelense” executou inúmeras peças musicais, enquanto os comensais se deliciavam com as iguarias que foram servidas e trocavam conversas.
Na sala de visita, abriu-se um espaço para as contradanças, o Juiz e sua Marieta demonstraram destreza com a dança.
Ao final, as senhoritas Fina, Pequetita, Feia, Carmelina e Brasilisia incumbiram o médico Dr. Marcondes Cesar para falar em nome delas, saudar o aniversariante e o novo Juiz.
Com isso terminou aquela manifestação, sendo o Dr. Castro Freitas, a convite do Sr. Bernardino, acompanhado até a sua residência pelas pessoas presentes.
Com efeito, desde o início da sua passagem pela nossa comarca, o Dr. Castro empenhou-se pessoalmente em levar à Igaratá o benefício da Luz Elétrica, a cidade fazia parte da Comarca e sofria o flagelo da escuridão.
Foi assim que em 08 de setembro de 1928, acompanhado do Promotor de Justiça, Dr. Nestor da Fonseca Barbosa Pinto, do Sr. Firmino da Cunha Lobo, delegado de polícia, Dr. Pedro de Luca, médico, do Padre Américo Endrisi se dirigiram à vizinha Igaratá para a assinatura do contrato com o Sr. José Clau, responsável pelos serviços de instalação da Força e Luz daquela localidade.
A esposa Marieta Calazans, acometida de grave doença, faleceu precocemente em Jacareí, aos 25 de janeiro de 1932, com 42 anos.
O Dr. Castro Freitas permaneceu viúvo e faleceu em São Paulo, 1959, aos 72 anos de idade.

(Espaço Aberto Arujá) Cia Jawahara no espetáculo Mulheres Plurais, do Studio Calil, no espaço Kaikan (Dezembro de 2024)















sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

A inauguração do crucifixo no Salão do Júri do Fórum de Santa Isabel

Em 1902, no governo estadual de Rodrigues Alves, Santa Isabel comemorou a construção do Fórum, Delegacia de Polícia, Destacamento da Polícia Militar e Cadeia Pública, todos no mesmo edifício que hoje abriga o Paço Municipal Prefeito Joaquim Simão. Prédio suntuoso, dois pavimentos, frente ajardinada com quatro palmeiras imperiais. O piso térreo abrigava uma sala para o comandante do destacamento, presídio com quatro celas, nos fundos um espaço fechado com muros altos para o banho de sol. No piso superior, o fórum, salão do júri, gabinete do juiz, do promotor e do delegado de polícia. 
De rigor, o episódio que marcou indelevelmente o edifício do fórum foi a inauguração da Imagem de Cristo Crucificado na sala do tribunal do júri, o fato ocorreu num domingo, às 18,00 horas, do dia 09 de Junho de 1918, a doação veio da Diocese de Taubaté, através do Padre Albino Frederico, vigário da nossa paróquia e representante do Bispo Dom Epaminondas Nunes de Ávila. 
A cerimônia ocorreu após o encerramento das solenidades do Mês de Maria, o Padre Albino Frederico organizou uma procissão com a participação da Irmandade do Santíssimo Sacramento, alunos do catecismo, senhoras e senhoritas, alunos das Escolas Reunidas e grande massa popular que acompanharam a bela Imagem do Cristo Crucificado, de um metro de altura e conduzida pelo Prefeito Manuel Antônio Mendes até o Edifício do Fórum.
Ao chegar em frente ao prédio, ostensivamente iluminado, foram queimadas baterias de fogos de artifício, girandolas, rojões e dezenas de foguete, a estátua adentrou a casa da justiça, o Destacamento da Polícia Militar posicionado em continência, sob as ordens do comandante Cabo Benedito Amaro de Oliveira, reverenciou a Figura do Cristo nas mãos do prefeito, ao fundo se ouvia a Banda Musical entoando hinos e canções de piedade e fé.
O juiz, Dr. Tancredo do Amaral, encarregou o Promotor Público, Dr. Plínio Lacerda de Oliveira, e todos os escrivães e funcionários do judiciário a receberem no alto da escadaria o Sr. Vigário, prefeito e demais pessoas, e, em pé, junto a sua cadeira de presidente do Tribunal do Júri, achava-se o Juiz na sala das sessões, ornamentada de flores, onde já se encontravam o presidente da câmara, vereadores, chefes políticos, professorado e corpo de jurados. Então o padre Albino Frederico, representando o Bispo da Diocese de Taubaté, Dom Epaminondas Nunes D’Ávila e Silva, pronunciando conceituoso discurso enaltecendo a sociedade civil e religiosa, reafirmando a necessidade de se intensificar a fé.
O vigário discorreu, ainda, sobre a ordem e a liberdade que devem ser os esteios de uma e de outra, referiu-se, sobretudo, a necessidade do respeito às leis e às autoridades, sem as quais não há ordem, nem paz, nem progresso. Asseverou que a igreja condena a desordem e a anarquia, que são resultados da falta de compreensão de tais deveres por parte daqueles a quem a vaidade pessoal cega, terminando por oferecer a imagem conduzida pelo Sr. Prefeito. Uma calorosa salva de palmas foi ouvida.
Em seguida, o Dr. Tancredo do Amaral ao receber a imagem pronunciou um longo discurso que se resumiu no seguinte: Reverendíssimo padre Albino Frederico, digno representante do Venerando Bispo da nossa Diocese, Sr. Prefeito Municipal, ilustre colega Representante do Ministério Público, senhoras e senhoritas, senhores jurados, meus senhores. “Benedictum qui venti in nomine domine” (Bem-aventurado aquele que sopra em nome do Senhor), sejam as minhas primeiras palavras do mais respeitoso agradecimento ao exmo. Padre Albino Frederico e representante do Bispo, Dom Epaminondas de Ávila, que solenemente veio trazer ao Templo da Justiça a Sagrada Imagem do Cristo Crucificado, d’aquele que foi pelas suas obras, pelo seu exemplo e pela sua sublime doutrina, consagrado pelo maior sofrimento humano e pela mais humilhante e horrível morte, o maior apóstolo dessa mesma justiça.
Prosseguiu, dizendo, essa imagem representa um estímulo à justiça, o cumprimento do dever e um conforto para os infelizes e desgraçados, de piedade, mas, também, de justiça, amparando as crianças, socorrendo os enfermos ante as mais inomináveis injurias, finalmente, dando a cada um o que é seu, perdoando o bom ladrão, expulsando os vendilhões do templo, ordenando pelos seus mandamentos, consubstanciando a lei divina, à propriedade, à honra, à mulher do próximo, à infância desvalida e a velhice desamparada, tudo simbolizado na seguinte fórmula “amai-vos uns aos outros”, princípios que hoje se condenam em todos os códigos do mundo.     
Com a construção de um novo prédio do Fórum, em 1965, é possível que a imagem do Cristo Crucificado seja outra, mas por mais de 40 anos o crucifixo doado pela Diocese de Taubaté permaneceu na sala do Tribunal do Júri. 

quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

(Espaço Aberto Igaratá) Foto da Igreja de Igaratá a noite (7 de Agosto de 2025)


 

Minha sincera opinião sobre o roubo na mostra de uma artista no Centro Cultural de Santa Isabel

Antes de realmente começar o texto, há uma coisa que devo reiterar: como em um outro texto meu com opinião, coloco essa introdução para uma pessoa que está na prefeitura. Não digo o nome, pois não quero ser processado. Mas vamos lá.
O fato que ocorreu recentemente foi comentado pelo sujeito com certa indignação. E está certo. O problema é que quando ele estava na pasta, ele não soltava um "A" sobre as falhas (que poderiam ser dele ou não, mas que estavam em sua responsabilidade). Eu, quando recriminei a Secretária de Cultura, levei uma bronca e "para de ser moleque". A indignação dele faz todo o sentido, só não pode ser seletiva, nem sequer usar uma carteirada como ser da prefeitura, ou formado na faculdade, ou concursado, para se colocar acima de outras pessoas.

Dito isso, vamos ao caso:
Peças de exposição sobre carreira de artista são furtadas na Grande SP
Duas peças de uma exposição que celebra a carreira da artista Cynthia Mariah foram furtadas do Centro de Memória Francisco Sanches Baptista em Santa Isabel, município da região metropolitana de São Paulo.
A exposição “Estado Sankofa” reúne obras que celebram os 20 anos de carreira da artista. Duas delas, de coleções distintas, foram furtadas do espaço.
As peças furtadas são de material de latão e cobre. No último domingo (30/11), Cynthia registrou um boletim de ocorrência na delegacia da cidade para esclarecer o paradeiro do material.
Os responsáveis pela investigação afirmaram ao Metrópoles que os itens ainda não foram localizados e ainda não se sabe quem foi o responsável pelo furto.
A reportagem buscou posicionamento da Secretaria de Arte e Cultura, responsável pelo espaço do Centro de Memória de Santa Isabel, mas não obteve resposta. 
Uma das coisas que noto, com relação a qualquer exposição ou evento que não seja amplamente divulgado pela prefeitura, é a falta de segurança neles. Se você vai em uma Expobel ou um rodeio na cidade, tem mais seguranças do que um formigueiro tem formigas. Entretanto, quando ocorrem uma expo de uma artista, algo mais intelectualmente atrativo, eles não tem esse cuidado. Seja a pasta da Cultura (que estava no Centro Cultural de Santa Isabel, no espaço dedicado ao Centro de Memória Chico Fotógrafo), ou a própria gestão municipal. Mas é óbvio isso! Shows grandes atraem mais votos e fazer as pessoas pensarem é "perigoso".
Agora, tratando sobre a segurança, algumas vezes já fui ao espaço que é bem agradável. MAS uma coisa que já coloquei/postei era sobre a falta de um sistema que falasse como estavam as exposições e obras no local. Isso se resolveria, se não fosse contratando um serviço ou um vigia, colocando um curador no espaço. Alguém que poderia e deveria ficar mais tempo ali. Protegendo as obras e, com isso, deixando tudo pronto para as visitações.
Enfim, é uma lástima notarmos que a artista perdeu parte de sua obra. Eu, quando fiz uma exposição itinerante, fiz cópias para colocar nas escolas. Entretanto, num espaço voltado para a Cultura, onde há adultos que fazem parte da gestão pública, era de se esperar uma maior responsabilidade, pois era para isso que ela confiou na prefeitura. Especialmente se lembrarmos que uma artista negra, que deve suas peças roubadas, no mês da Consciência Negra.


https://www.metropoles.com/sao-paulo/pecas-exposicao-artista-furtadas-grande-sp