“Professorinha Rural” esse foi o título escolhido pela Professora Laura Furmankiewicz Frugoli em sua obra pessoal, publicada pelo esposo, Virgílio Frúgoli, em 02 de outubro de 2002, quatro meses após o seu passamento. O livro foi a principal fonte desta narrativa.
Aos dois anos de idade, a menina começou aprender e dominar o idioma alemão com a Fraulien Joana (Fraulien significa avó em alemão), o avô era francês de nome Jean, os avós se conheceram no Brasil em 1870, em Casa Branca (SP), vieram foragidos da guerra franco-prussiana (1870-1871), entre França e Alemanha. O avô era padeiro e se deu bem na profissão, era proprietário de uma padaria na Rua da Estação, em Casa Branca, interior de São Paulo.
Tudo caminhava bem até que após dez anos de feliz união, Jean abandonou o lar, nunca mais deu notícia, desse modo Joana, assustada, agarrou os filhos, juntou as roupas de corpo e mudou-se para Jundiaí, refugiou-se na casa da família Bloch, depois, tornou-se afilhada de Eva Bloch, uma dama da sociedade paulista que mais tarde mudou-se para Jacareí.
Fraulien Joana, para sustento dos filhos, tornou-se dama de companhia da matriarca da família Bloch, a partir daí levou uma vida constante de viagem à Europa, principalmente à Alemanha. Em 1912, andava pela Inglaterra, quando se assustou com a notícia do desastre do Titanic, assim assegurou a Professora Laura Frugoli.
Contudo, já com os filhos casados, Fraulien Joana acomodou-se na casa da filha, Mathilde Herminia, e do genro Estanislau Furmankiewcz, gráfico que morava no Bairro do Bom Retiro, em São Paulo, porém, Fraulien Joana não abandonou a companhia da Madame Waisfloch, assim disse Dona Laura Frúgoli em seu livro de memórias.
Foi no Bairro do Bom Retiro, na capital paulista, que Laura Frugoli nasceu, em 23 de março de 1917, era a quinta filha do casal Estanislau Furmankiewcz e Mathilde Herminia Schall, teve uma infância feliz, brincando nas ruas do bairro como: Rua da Graça, Anhaia, dos Italianos, Aimorés, Silva Pinto, dos Imigrantes (atual José Paulino) e Avenida Tiradentes. O casal teve onze filhos: João, Alberto, Leonor, Nestor, Laura, Olga, Lídia, Wanda, Elza, Walter e Estanislau Filho. A filha Wanda faleceu em 1926 com dois meses de idade, e Elza, faleceu em 1928 com apenas um ano.
A professorinha teve uma infância marcada por guerras, revoluções e lutas. Assim, em 1917, quando nasceu, terminava a primeira grande guerra com a participação do Brasil, o resultado foi desastroso para o país, faltava tudo, desde combustíveis a produtos higiênicos, de sorte a provocar desemprego e epidemias.
Depois veio a gripe espanhola de 1918 a 1920, foi um flagelo, em São Paulo, cadáveres se espalhavam pelas ruas apanhados por carroças e eram atirados em valas comuns, as fábricas e o comercio cerraram suas portas com um aviso “fechado por luto”. Foi época difícil, mas a família Furmankiewcz superou tudo sem perdas familiares, disse a Profa. Laura Frúgoli em seu livro.
A professorinha lembra que iniciou seus estudos no Colégio Santa Inês, na Rua da Graça, a escola oferecia uma vida religiosa acompanhada de divertimentos, pega-pega, barrabol, esconde-esconde e teatrinhos para diversão das crianças mais introvertidas, e, assim foi a vida no Santa Inês, ali nasceu a vocação religiosa da irmã Olga, dois anos mais nova, que apesar de contrariar o pai Estanislau e o irmão João, Olga seguiu a vida religiosa.
Aos quinze anos, a pequena Laura encerrou o ciclo ginasial no colégio Santa Inês e ingressou no curso médio da Escola Normal Padre Anchieta, na Rua Visconde de Abaeté, Bairro Brás, na capital paulista, o bonde era o transporte que ela usava para sair do Bom Retiro ao Brás. Foi ali que a jovem normalista conheceu as alunas Brasilisia Machado Lobo e Jurema Costa Alvarenga (esposa do ex-prefeito José Basílio Alvarenga) que mais tarde veio a encontrá-las em Santa Isabel, por aí vemos que o mundo é pequeno. A professorinha rural era inclinada à leitura, por isso foi escolhida pela direção para ser a bibliotecária da Escola.
Em 1935, ocorreu a formatura, a turma foi paraninfada pelo escritor e poeta Guilherme de Almeida, autor da oração “Bandeira das Treze Listas”,
Bandeira da minha terra;
Bandeira das treze listas;
São treze lanças de guerra;
Cercando o chão dos paulistas;
Prece alternada responso;
Entre a cor branca e a cor preta;
Velas de Martim Afonso;
Sotaina do Padre Anchieta;
.............
Com o Certificado nas mãos, em 1935, a normalista se inscreveu na Secretaria da Educação para iniciar a vida de professora, para tanto escolheu a zona rural de Pereiras, cidadezinha pequena sem grandes progressos, seis quilômetros da estação com dois trens diários: um ao meio dia, outro a meia noite, assim a condução escolhida foi a cavalo, mais tarde conseguiu uma pensão na casa de um fazendeiro do bairro.
Depois de inúmeras remoções: Laranjal, Socorro, Americana e Guaíra, finalmente, em fevereiro de 1944, ela veio parar em Santa Isabel, no Bairro do Tevó. A princípio, continuou morando em São Paulo, porém um mês depois, logo após o carnaval, a Professora Laura conseguiu uma vaga no “Hotel Santa Terezinha” de propriedade do Sr. Manezinho (pai do Prefeito Abilio Pinto Pereira).
Quando já esquecera um namoro que não dera certo em Guaíra, em 1945, veio morar no hotel um jovem Coletor de Rendas do Estado chamado Virgilio Frugoli, belo, elegante, inteligente e de pouca prosa, mas gentil, qualidades que permaneceram por toda a vida. Do namoro para o casamento foi uma torrente só, dizia ela, o enlace foi em São Paulo, a benção veio do Padre Angelo Gioiela.
Após um ano de casado, veio o primeiro filho, o Benê Frugoli, loirinho, olhos azuis, lindo que só vendo, depois veio o Virgilinho, cabelos pretos, não menos lindo, puxou o pai. As férias da família eram gozadas em São Sebastião na chácara do sogro Benedicto Frugoli, ficava próximo à praia, depois as férias eram gozadas na Praia de Porto Grande, numa casa que o Virgílio acabara de construir, pequena, mas muito aconchegante.
Em 1952, após oito anos dentro de uma sala de aula, a professorinha rural, Laura, resolveu prestar concurso para Diretor de Grupo Escolar, exitosa no certame, escolheu o Grupo Escolar de Santo Antonio do Pinhal, vizinho a Campos do Jordão, ela e as crianças mudaram pra lá, Virgilio continuou em Santa Isabel e os visitava todos os finais de semana com o seu automóvel, Citroen, de cor preta que adquirira em São Paulo.
Meses depois, através do prefeito Joaquim Simão, a Diretora Escolar, Laura Frúgoli, conseguiu um comissionamento para dirigir o Grupo Escolar de Arujá, até então distrito de Santa Isabel, não foi fácil, vários pretendentes queriam aquela direção, porém ela foi a contemplada, a sua nota no concurso pesou na decisão do Secretário da Educação, Antonio de Oliveira Costa, do governo Lucas Nogueira Garcez. A condução Santa Isabel-Arujá-Santa Isabel, também não era nada simples, uma precariedade de assustar, foram cinco anos difíceis até ganhar uma remoção para a sede da comarca, no Grupo Escolar Major Guilhermino Mendes Andrade, onde permaneceu até a aposentadoria.
























